Izabel Toscano Correio Braziliense

Com a lei seca, seguradoras gastam menos em indenizações e calculam redução no valor das apólices

Em pouco mais de 30 dias de aplicação, a rigorosa fiscalização da lei seca já se mostrou capaz de preservar vidas no trânsito. Agora, os primeiros resultados econômicos da medida também começam a aparecer. O Sindicato dos Corretores de Seguro do Distrito Federal (Sincor-DF) prevê que, nos próximos meses, o bolso dos motoristas será beneficiado pelo combate à perigosa combinação álcool e volante. O presidente do Sincor-DF, Dorival Alves de Sousa, afirmou que as companhias seguradoras de veículos de Brasília estão se preparando para contemplar os clientes com descontos que podem variar de 10% a 20% no valor das apólices.

A boa notícia é que a tendência de descontos não está restrita ao DF. A assessoria de comunicação da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) calcula o mesmo índice de redução, em até seis meses, no preço nacional do seguro. A explicação, segundo Dorival, é simples: “As próprias companhias já reconhecem a redução do índice de acidentes registrados. Se o número de acidentes cai, as despesas das companhias também caem”. No entanto, ele enfatiza que a queda dos preços só será mantida se o rigor na fiscalização a motoristas embriagados permanecer. “Se não houver a fiscalização, não haverá prevenção de acidentes. E precisamos combater os acidentes pela vida dos nossos clientes e para abaixar os preços”, disse.

A motivação das seguradores deve-se aos benefícios que a lei seca trouxe para o trânsito do DF nos últimos 34 dias. O Departamento de Trânsito local (Detran) verificou que o número de acidentes com mortes nas vias do DF caiu 20,5% no primeiro mês de vigência da norma, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 30 dias, o Corpo de Bombeiros do DF reduziu em 16% a atuação em atropelamentos e acidentes nas pistas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) apontou o DF como a segunda unidade da Federação com a maior redução no número de atendimentos a emergências. Apenas nos primeiros 20 dias de lei seca, o socorro do Samu caiu 40%.

Prejuízo vira abono Segundo o presidente do Sincor-DF, os dados positivos levam as seguradoras a estudarem descontos aos clientes. A tendência é de que as empresas transfiram o benefício que serviria para cobrir os prejuízos materiais para abonos àqueles que renovarem a apólice ou assinarem o primeiro contrato de seguro do carro. “O benefício que poderá ser dado ao cliente será motivado pela grande competição entre as seguradoras. A queda no valor do seguro deve ocorrer a médio e longo prazos”, acrescentou Dorival.

Sempre que ocorre um acidente — que as seguradoras chamam de sinistro — as companhias indenizam as perdas financeiras do segurado. As coberturas de acidentes de trânsito representam 55% dos gastos totais das empresas, de acordo com estatísticas do Sincor-DF. Dorival de Sousa afirma que esse valor caiu 40% no último mês, nas mais de 30 seguradoras locais.

Apesar de o risco de acidentes e o perfil dos motoristas variarem, a Fenacor argumenta que, em função de a lei seca ser aplicada de forma igual no país inteiro, o reflexo dela nas seguradoras e na vida dos motoristas também tende a ser o mesmo.

PREVISÃO

Segundo o Sincor-DF, o valor dos seguros de veículos em Brasília deve cair entre 10% e 20% em função da lei de tolerância zero à ingestão de álcool por motoristas

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Seguros mais baratos

Publicado: 24/07/2008 | 09:57


Izabel Toscano
Correio Braziliense

Com a lei seca, seguradoras gastam menos em indenizações e calculam redução no valor das apólices

Em pouco mais de 30 dias de aplicação, a rigorosa fiscalização da lei seca já se mostrou capaz de preservar vidas no trânsito. Agora, os primeiros resultados econômicos da medida também começam a aparecer. O Sindicato dos Corretores de Seguro do Distrito Federal (Sincor-DF) prevê que, nos próximos meses, o bolso dos motoristas será beneficiado pelo combate à perigosa combinação álcool e volante. O presidente do Sincor-DF, Dorival Alves de Sousa, afirmou que as companhias seguradoras de veículos de Brasília estão se preparando para contemplar os clientes com descontos que podem variar de 10% a 20% no valor das apólices.

A boa notícia é que a tendência de descontos não está restrita ao DF. A assessoria de comunicação da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) calcula o mesmo índice de redução, em até seis meses, no preço nacional do seguro. A explicação, segundo Dorival, é simples: “As próprias companhias já reconhecem a redução do índice de acidentes registrados. Se o número de acidentes cai, as despesas das companhias também caem”. No entanto, ele enfatiza que a queda dos preços só será mantida se o rigor na fiscalização a motoristas embriagados permanecer. “Se não houver a fiscalização, não haverá prevenção de acidentes. E precisamos combater os acidentes pela vida dos nossos clientes e para abaixar os preços”, disse.

A motivação das seguradores deve-se aos benefícios que a lei seca trouxe para o trânsito do DF nos últimos 34 dias. O Departamento de Trânsito local (Detran) verificou que o número de acidentes com mortes nas vias do DF caiu 20,5% no primeiro mês de vigência da norma, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 30 dias, o Corpo de Bombeiros do DF reduziu em 16% a atuação em atropelamentos e acidentes nas pistas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) apontou o DF como a segunda unidade da Federação com a maior redução no número de atendimentos a emergências. Apenas nos primeiros 20 dias de lei seca, o socorro do Samu caiu 40%.

Prejuízo vira abono
Segundo o presidente do Sincor-DF, os dados positivos levam as seguradoras a estudarem descontos aos clientes. A tendência é de que as empresas transfiram o benefício que serviria para cobrir os prejuízos materiais para abonos àqueles que renovarem a apólice ou assinarem o primeiro contrato de seguro do carro. “O benefício que poderá ser dado ao cliente será motivado pela grande competição entre as seguradoras. A queda no valor do seguro deve ocorrer a médio e longo prazos”, acrescentou Dorival.

Sempre que ocorre um acidente — que as seguradoras chamam de sinistro — as companhias indenizam as perdas financeiras do segurado. As coberturas de acidentes de trânsito representam 55% dos gastos totais das empresas, de acordo com estatísticas do Sincor-DF. Dorival de Sousa afirma que esse valor caiu 40% no último mês, nas mais de 30 seguradoras locais.

Apesar de o risco de acidentes e o perfil dos motoristas variarem, a Fenacor argumenta que, em função de a lei seca ser aplicada de forma igual no país inteiro, o reflexo dela nas seguradoras e na vida dos motoristas também tende a ser o mesmo.

PREVISÃO

Segundo o Sincor-DF, o valor dos seguros de veículos em Brasília deve cair entre 10% e 20% em função da lei de tolerância zero à ingestão de álcool por motoristas