Formação própria e aposentados para driblar a falta de oficiais
Gazeta Mercantil
Para driblar a falta de oficiais da Marinha Mercante, a Transportes Bertolini, o maior operador de barcas do País, tem formado seus próprios profissionais. Em um convênio com a Marinha do Brasil, a companhia financia um curso técnico para formação de oficiais destinados a embarcações fluviais. Segundo o diretor executivo da empresa, Daniel Luis Carvalho, por ano são investido R$ 200 mil em cursos profissionalizantes.
"Como hoje há somente duas escolas para a formação de oficiais no Brasil, esses profissionais são logo contratados pelas grandes empresas de cabotagem e off shore. Não sobra oficiais para comandar nossos barcos", disse Carvalho. A empresa tem ao todo 280 tripulantes em 115 embarcações.
Para minimizar este déficit, a Transportes Bertolini em conjunto com outras empresas de navegação fluvial, promoveram um curso técnico com o aval da Marinha. "Esses cursos têm duração de três meses e por ano são formados cerca de 60 alunos. Até agora estão suprindo nossas necessidades", ressaltou.
O curso tem duração de três meses e o aluno sai com a qualificação técnica para comandar as embarcações nos rios brasileiros. "Geralmente, os interessados são contratados pelas empresas assim que iniciam o curso. Isso para evitar que as companhias de cabotagem ou off shore busquem esse aluno", ressaltou. O salário do profissional que conduz embarcações nos rios brasileiros está entre R$ 1,6 mil a R$ 6 mil, já o oficial que trabalha nas empresas de cabotagem, offshore e apoio marítimo ganha entre R$ 6 mil a R$ 10 mil por mês.
"Há dois anos buscamos alternativas, pois, o transporte por hidrovia, é um mercado que cresce muito, cerca de 20% ao ano. Já pedimos até para o sistema "S" (da Confederação Nacional de Transportes) que através do Senat, ministre um curso de formação profissional para a navegação brasileira. Isso foi há dois anos. Ainda não houve resposta", disse Carvalho.
Busca por aposentados
A Aliança Navegação e Logística busca profissionais aposentados para tentar driblar a falta de oficiais no mercado. O gerente de Recursos Humanos da empresa, Marco Antonio Gomes, disse que muitos profissionais que se formam nas duas escolas existentes no Brasil, o Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga), no Rio de Janeiro e o Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém, não ingressam na profissão.
"Isso nos leva a buscar esse profissional no mercado. Muitos já deixaram de atuar", disse Gomes. Além disso, a Aliança não incentiva a aposentadoria para os oficiais que já passaram dos 60 anos. "Mantendo esse profissional na ativa conseguimos reduzir um pouco esse déficit", explicou.
Mais hora extra
Outra medida adotada pela empresa, é aumentar o número de horas extras dos profissionais embarcados. "Isso tudo é paliativo. Vimos com muito espanto as previsões de que em 2010 haverá um desequilíbrio de 25% entre a oferta de oficiais e demanda por esse profissional. Qualquer medida que for feita tem que ser agora, pois, demora muito para formar um profissional", disse.
A Log-In Intermodal também busca profissionais aposentados para completar seus quadros de oficiais. O diretor de Navegação da empresa, Rômulo Otoni, disse que além de aposentados há um trabalho para cativar os futuros oficiais. "A partir do segundo ano de curso recrutamos os melhores alunos para conhecerem a empresa. Dessa forma, garantimos nossos oficiais".
