Desemprego atinge mais os jovens
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Luciana Abade |
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Jornal do Brasil |
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lança em outubro, estudo inédito sobre o trabalho decente e a juventude brasileira. O levantamento, que tem o apoio do projeto de Promoção do Emprego de Jovens na América Latina (Prejal), traça, com base em microdados da Pesquisa Nacional de Domicílio (PNAD) de 2006, o perfil do jovem de 15 a 24 anos. O relatório apontará, ainda, caminhos a serem seguido por governos e empresas na busca de soluções para o desemprego juvenil.
O estudo, a que o JB teve acesso, foi baseado, também, em dados do Ministério do Trabalho. Revela que os jovens ainda são os mais prejudicados pelo desemprego: dos 14,7 milhões de empregos gerados entre 1986 a 2006, somente 7,8% destinaram-se a pessoas de 15 a 24 anos. A precariedade do sistema educacional brasileiro e a pouca escolaridade leva, na maioria das vezes, a entrarem no mercado de trabalho de maneira precária. Por isso, apresentam taxas de desocupação e informalidade acima das demais faixas etárias, baixos níveis de rendimento e de proteção social.
A desvantagem dos jovens no mercado de trabalho é maior, apesar de passarem mais tempo na escola que os adultos. Enquanto 41% desses têm de zero a quatro anos de estudo, 11,9% dos jovens de 15 a 24 anos possuem essa mesma escolaridade. Já para a faixa de escolaridade de nove a 11 anos de estudo, o percentual de adultos é de 24% e 44% para jovens.
A juventude brasileira está concentrada, predominantemente, em áreas urbanas. Em 2006, do total de 34,7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, 28,9 milhões (83,3%) moravam em áreas urbanas e 5,8 milhões (16,7%) encontravam-se no campo. A desigualdade educacional também persiste entre esses jovens: apenas 1,4% dos jovens rurais tinha 12 anos de estudo ou mais. Esse percentual atingia 9,8 dos jovens das cidades. As desigualdades regionais também pesam. A taxa de analfabetismo entre os jovens era, em 2006, de 0,9% na região Sul e 5,3% no Nordeste.
Questão racial
Outro dado preocupante da OIT mostra que persiste uma elevada desigualdade em termos de acesso à educação quando analisada a cor da pele. Enquanto 39,7% dos jovens negros tinham de cinco a oito anos de estudo, o número cai para 29,5% quando se trata de brancos com mesmo período de escolaridade. Mais de 13% dos brancos tinham 12 anos ou mais de estudo. Esse número cai para 3,7% entre os negros. O estudo considerou como população negra o total de pessoas pardas e pretas.
O desemprego de jovens tem maior incidência para o sexo feminino, para a etnia negra a população urbana. A taxa de desemprego entre 15 a 24 anos era de 17,8% e dos adultos, 5,6%. O desemprego entre os homens jovens era de 13,8% e 23% entre as mulheres da mesma faixa etária. Na área rural, o desemprego atingia 7,1% dos jovens trabalhadores. Nas áreas urbanas não-metropolitanas o desemprego crescia para 17,5% e 24,8% nas áreas metropolitanas.
Informalidade
Em 2006, 31,4% dos jovens ocupados eram empregados sem carteiras, contra 14,1% de adultos na mesma situação. Do total das jovens ocupadas entre 15 e 24 anos, 14,8% eram trabalhadoras domésticas sem carteira assinada. E 11,6% das mulheres adultas trabalhavam na mesma situação. Os jovens são, no Brasil, as principais vítimas da precariedade do mercado de trabalho informal. A taxa de informalidade entre eles afeta 60,5% dos jovens trabalhadores ocupados. Embora as mulheres apresentem informalidade superior a dos homens, a maior desigualdade prevalece em termos de cor, raça e etnia e local de moradia.
De acordo com o relatório, a probabilidade de um jovem com até quatro anos de estudo estar no setor informal é o dobro daquela prevalecente para uma pessoa de 15 a 24 anos com 12 anos ou mais de estudo.
Apesar dos números, a coordenadora nacional do Prejal, Karina Andrade, diz que o Brasil tem demonstrado esforço em promover empregos aos jovens, mas ainda há muito a ser feito. Acredita que a criação de conselhos estaduais da juventude seria um passo positivo na busca de políticas públicas voltadas para os jovens e aponta que a profissionalização de qualidade é um dos caminhos.
– Não dá para falar em trabalho sem falar em educação– defende.
