Mantega: valorização do real já está no limite
Jornal do Brasil
A valorização do real frente ao dólar está quase no limite do que a economia pode suportar. –Se for mais adiante, estamos perdidos – disse, ontem, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Apesar de afirmar que o câmbio valorizado é ruim para alguns setores, o ministro disse que a desvalorização da moeda americana ajuda no combate à inflação.
– A valorização (do real) ajudou a reduzir o ímpeto inflacionário – analisa o ministro, lembrando que só em 2006 a cotação do real frente ao dólar atingiu o mesmo patamar de 1999. Segundo ele, o real está se valorizando desde 2003, quando o presidente Lula assumiu com o câmbio entre R$ 3,5 e R$ 4.
O ministro avaliou que o choque das commodities está "amainando". De acordo com ele, os preços atingiram o seu máximo e, agora, já mostram sinais de desaceleração.
– Claro que não posso afirmar que isso será permanente, mas é boa a probabilidade – disse e deu como exemplo mais evidente a trajetória descendente do preço do petróleo. Além disso, comentou que os alimentos também vêm apresentando queda. A inflação mundial nos atinge e soma-se a isso o aquecimento da economia brasileira, que vem apresentando expansão superior a taxas históricas.
Para ele, estes dois pontos – inflação mundial e aquecimento doméstico – proporcionam um certo risco da difusão da inflação, que já existe por meio da alta das commodities:
– Essa é uma preocupação nossa: impedir que haja uma difusão da alta dos preços.
Na avaliação do ministro, a demanda doméstica cresceu além dos limites da sustentabilidade da economia brasileira, fechando 2007 com alta de 7,1%, acima do PIB do período, de 5,4%.
– De fato, a demanda doméstica aqueceu um pouco além do desejado – considerou.
Mantega insistiu na tese de que o principal vetor da inflação é o segmento de alimentos e bebidas.
– Isso é incontestável. Fica difícil, como alguns querem fazer, desmentir que o principal fator de alta da inflação brasileira são os alimentos – disse, ao lembrar que que o IPCA de 12 meses estava em 6,06%, enquanto a inflação dos alimentos acumulava alta de 15,79%.
