Luciana Abade Jornal do Brasil

Pesquisa do Ministério da Educação avalia 3.239 cursos. No Rio, só um teve nota máxima

Entre 3.239 cursos superiores avaliados pelo Ministério da Educação em 2007, apenas 25 conseguiram a nota máxima (5) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), no Índicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) e no Conceito Preliminar de Cursos (CPC).

Apenas uma instituição do Estado do Rio de Janeiro está entre as que atingiram nível de excelência. Nenhuma instituição particular figura entre elas.

As 508 escolas que tiraram notas 1 e 2 no Enade receberão, obrigatoriamente, a visita de uma comissão do MEC para firmar um protocolo de compromisso. A partir daí elas terão um ano para sanar as falhas detectadas, caso contrário, poderão não ser recredenciadas. Cerca de 25% dos cursos encontram-se nessa situação.

Recursos

As universidades, faculdades e centros universitários que receberam notas 3, 4 ou 5 também podem solicitar a visita do MEC, se acharem que suas notas foram injustas.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou que as instituições que receberam notas baixas poderão ser beneficiadas com as visitas, já que "podem ser constatadas falhas nas demais avaliações".

O Enade avaliou 16 áreas de conhecimento. Enfermagem, com 540 cursos; Educação Física, com 497 e Fisioterapia, com 399, foram aquelas com maior número de cursos participantes representando, juntas, 44,3% do total.

Foram avaliados, também, cursos de Agronomia, Biomedicina, Farmácia, Fonoaudiologia, Medicina, Veterinária, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, Tecnologia em Radiologia, Tecnologia em Agroindústria, Terapia Ocupacional e Zootecnia.

Do total de cursos avaliados, as instituições privadas respondem a 76,9%. A Região Sudeste concentra 48,6% dos cursos avaliados.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Inep), o conceito preliminar de cursos é um novo método de avaliação das instituições de educação superior. Com ele, fatores como infra-estrutura das instituições, métodos didático-pedagógicos e corpo docente são avaliados.

O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular criticou a criação do CPC e a divulgação do mesmo pelo MEC. Segundo o Fórum, além de revogar parcialmente a lei que criticou o Sistema Nacional de Avaliação de Ensino Superior (Sinaes), o novo instrumento avaliativo prejudicará a imagem das instituições e, por conseqüência, os alunos.

"Fica claro que o MEC não conseguiu implantar o Sinaes e pretende substituí-lo por um Conceito Preliminar de Curso, improvisado e precário", diz nota divulgada pelo Fórum.

– Só se preocupa com avaliação quem não faz um bom trabalho – disse Haddad. – No contrário, a divulgação dos resultados é boa porque dá visibilidade à instituição.

Para o diretor jurídico do Fórum, José Roberto Covac, a avaliação do MEC é falha porque não leva em consideração o boicote ao Enade feito por muitos alunos.

O ministro disse não entender as críticas aos novos métodos, que deveriam ser "destinadas ao antigo modelo".

– Não estamos aqui para fechar curso, mas não hesitaremos em fazê-lo se for necessário – garantiu o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota.

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Brasil só tem 25 excelentes escolas

Publicado: 7/08/2008 | 10:00


Luciana Abade
Jornal do Brasil

Pesquisa do Ministério da Educação avalia 3.239 cursos. No Rio, só um teve nota máxima

Entre 3.239 cursos superiores avaliados pelo Ministério da Educação em 2007, apenas 25 conseguiram a nota máxima (5) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), no Índicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) e no Conceito Preliminar de Cursos (CPC).

Apenas uma instituição do Estado do Rio de Janeiro está entre as que atingiram nível de excelência. Nenhuma instituição particular figura entre elas.

As 508 escolas que tiraram notas 1 e 2 no Enade receberão, obrigatoriamente, a visita de uma comissão do MEC para firmar um protocolo de compromisso. A partir daí elas terão um ano para sanar as falhas detectadas, caso contrário, poderão não ser recredenciadas. Cerca de 25% dos cursos encontram-se nessa situação.

Recursos

As universidades, faculdades e centros universitários que receberam notas 3, 4 ou 5 também podem solicitar a visita do MEC, se acharem que suas notas foram injustas.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou que as instituições que receberam notas baixas poderão ser beneficiadas com as visitas, já que "podem ser constatadas falhas nas demais avaliações".

O Enade avaliou 16 áreas de conhecimento. Enfermagem, com 540 cursos; Educação Física, com 497 e Fisioterapia, com 399, foram aquelas com maior número de cursos participantes representando, juntas, 44,3% do total.

Foram avaliados, também, cursos de Agronomia, Biomedicina, Farmácia, Fonoaudiologia, Medicina, Veterinária, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, Tecnologia em Radiologia, Tecnologia em Agroindústria, Terapia Ocupacional e Zootecnia.

Do total de cursos avaliados, as instituições privadas respondem a 76,9%. A Região Sudeste concentra 48,6% dos cursos avaliados.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Inep), o conceito preliminar de cursos é um novo método de avaliação das instituições de educação superior. Com ele, fatores como infra-estrutura das instituições, métodos didático-pedagógicos e corpo docente são avaliados.

O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular criticou a criação do CPC e a divulgação do mesmo pelo MEC. Segundo o Fórum, além de revogar parcialmente a lei que criticou o Sistema Nacional de Avaliação de Ensino Superior (Sinaes), o novo instrumento avaliativo prejudicará a imagem das instituições e, por conseqüência, os alunos.

"Fica claro que o MEC não conseguiu implantar o Sinaes e pretende substituí-lo por um Conceito Preliminar de Curso, improvisado e precário", diz nota divulgada pelo Fórum.

– Só se preocupa com avaliação quem não faz um bom trabalho – disse Haddad. – No contrário, a divulgação dos resultados é boa porque dá visibilidade à instituição.

Para o diretor jurídico do Fórum, José Roberto Covac, a avaliação do MEC é falha porque não leva em consideração o boicote ao Enade feito por muitos alunos.

O ministro disse não entender as críticas aos novos métodos, que deveriam ser "destinadas ao antigo modelo".

– Não estamos aqui para fechar curso, mas não hesitaremos em fazê-lo se for necessário – garantiu o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota.