Alianças vigiadas
Correio Braziliense
Acordos sobre parcerias entre o PT e partidos de oposição terão de passar pelo crivo da cúpula nacional da legenda. Os petistas não querem coligações que possam refletir em compromissos no pleito de 2010
Os 60 petistas que participaram ontem da reunião do Diretório Nacional definiram critérios para alianças com partidos de oposição, em especial PSDB e DEM. “Não há veto a priori”, esclarece o presidente do PT, Ricardo Berzoini, dizendo que a prioridade são os acordos com as legendas de esquerda e uma máxima aproximação com o aliado nacional PMDB. Mas, para se aliar com adversários, é preciso ter o aval da cúpula nacional do PT, quando se tratar de capital, cidades com mais de 200 mil habitantes e com transmissão de programa eleitoral pela televisão. Antes, os diretórios municipal e estadual também precisam se posicionar.
“Não diria que nem endureceu nem amoleceu. Há uma diretriz nacional, política”, esclarece o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo. Tudo o que o PT não quer, segundo Cardozo, são “alianças que possam ferir nosso plano estratégico para 2010”. Por isso, no próximo dia 31, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e integrantes do diretório mineiro serão ouvidos pela Executiva para explicar por que está sendo costurada uma aliança informal com o PSDB para a disputa às eleições na capital mineira.
Berzoini mandou o recado para Minas. O partido vai vetar qualquer aproximação com a oposição que signifique reciprocidade e compromisso para 2010. Assim, para ser aprovada a aliança informal costurada pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e pelo prefeito Pimentel, será preciso provar que não se está pensando nas próximas eleições presidenciais ao colocar PT e PSDB num mesmo palanque.
Pimentel e Aécio escolheram um integrante do PSB, da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e secretário do governo tucano de Minas. Durante a reunião, o secretário nacional de Assuntos Institucionais do partido, Romênio Pereira, defendeu a aliança informal entre PT e PSDB para eleger o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte. “Esse acordo de Minas não é problema. É a solução”, disse aos colegas, ainda no início do encontro.
Engessamento
Para o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), a análise sobre a aliança em Belo Horizonte também deveria ser feita pelo PT de Minas. “Defendo que a análise seja feita caso a caso e que não se feche as portas. Há divergências entre PT e PSDB, mas há também com partidos que compõem a base aliada. Esse engessamento só prejudica a estratégia de eleger um prefeito”, afirmou Dias, lembrando que em capitais como Aracaju e Salvador PT e PSDB podem estar juntos no primeiro ou no segundo turno.
As alianças com a oposição, em especial nas capitais e em cidades com peso político e econômico, não são consenso dentro do PT. “Estrela não se bica com tucano. Devemos estabelecer alianças de acordo com nosso programa e ele não é o mesmo do PSDB”, avalia a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ao entrar na sede do partido, em Brasília, o prefeito de Recife, João Paulo, também condenou coligações com as legendas que hoje mais se opõem ao governo Lula. “PSDB e DEM estão tratando muito mal o governo federal”, justificou. Mas a maioria dos petistas defendeu uma análise caso a caso das chapas. O maior medo é autorizar alianças que condicionem uma posição do PT nas eleições presidenciais de 2010.
88 prefeitos do PT e do DEM se elegeram em 2004 com coligações que uniram os dois partidos
70 municípios têm a dobradinha PT-PSDB ou PT-DEM no comando
Adversários íntimos
A parceria entre o PT e os partidos de oposição, em eleições municipais, é antiga e vitoriosa, em especial nas cidades do interior do Brasil. Em 2004, em parceria com o Democratas, os petistas elegeram 44 prefeitos e compõem a prefeitura de outras 44 cidades comandadas pelo DEM. As 88 prefeituras representam 7,9% dos 1.108 municípios onde os dois partidos conseguiram vencer o último pleito.
Mas, como o Correio revelou na edição de ontem, a dobradinha com o PSDB foi ainda mais eficiente na eleição de 2004. Dos 1.304 prefeitos tucanos e petistas, 13,5% foram eleitos graças à coligação que uniu os dois partidos. Em muitos dos 177 municípios, PT e PSDB dividem o cargo de prefeito e de vice. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, calcula que sejam 70 os casos onde petistas dividem o posto de chefe do Executivo e de vice com o PSDB ou com o DEM.
Em Nova Iguaçu (RJ), tem sido assim. Lindberg Farias se elegeu graças ao apoio do DEM, na época PFL, e do PSDB, que indicou o vice-prefeito Itamar Serpa. Desde o início da eleição, os dois partidos faziam parte da chapa oficial, mas a vitória só saiu no segundo turno contra o PMDB, o maior aliado do presidente Lula. Em Camaçari (BA), PT e PSDB também estão juntos no comando da prefeitura e querem repetir a dobradinha na próxima eleição. O prefeito Luiz Caetano (PT) e a vice Tereza Giffoni (PSDB) não pensam em romper a aliança. (FO)
A disputa petista pelas capitais
Porto Alegre
Por meio de prévias, os petistas gaúchos escolheram a deputada federal Maria do Rosário candidata do partido
Florianópolis
Despontam como pré-candidatos o ex-deputado Mauro Passos e o ex-coordenador da campanha de Lula em Santa Catarina, Nildomar Freire
Curitiba
Gleisi Hoffman, mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), está confirmada como candidata, com 54% dos votos dos petistas curitibanos
São Paulo
Marta Suplicy é dada como certa para disputar o comando da maior capital do país, só falta avisar quando deixará o Ministério do Turismo
Rio de Janeiro
Os militantes estão divididos entre o deputado estadual Alessandro Molon e ex-deputado federal Vladimir Palmeira
Vitória
O petista João Coser aproveita os altos índices de popularidade para tentar se reeleger
Salvador
Se o partido não apoiar a reeleição do peemedebista Luiz Henrique, deve concorrer com Walter Pinheiro ou Nelson Pellegrino
Recife
O João da Costa, secretário municipal de Planejamento Participativo, é o candidato à sucessão do atual prefeito da capital pernambucana
Maceió
O deputado estadual Judson Cabral é o nome do PT. Ele acredita numa aliança com partidos da base aliada do governo federal
João Pessoa
Os petistas defendem a reeleição de Ricardo Coutinho, do PSB
Natal
Mineiro, deputado estadual e presidente do PT potiguar, articula para ser o candidato do partido
Fortaleza
Luizianne Lins (PT) tenta a reeleição
São Luís
O partido não deve lançar candidato. Está dividido em apoiar o comunista Flávio Dino ou em fechar aliança com o PDT
Aracaju
O diretório do PT ratificou apoio ao nome do comunista Edvaldo Nogueira, candidato à reeleição
Teresina
O deputado federal Nazareno Fonteles (PT) quer ser candidato com apoio do PMDB
Boa Vista
A deputada federal Ângela Portela é a favorita da direção nacional para disputar contra o atual prefeito Iradilson Sampaio (PSB), que tenta se reeleger
Manaus
O deputado estadual Sinésio Campos, eleito presidente do PT do Amazonas, se credenciou para sair candidato. Mas o PT pode apoiar um nome do PMDB, indicado pelo governador
Macapá
O deputado estadual Joel Banha concorrerá nas prévias internas do PT com a deputada federal Dalva Figueiredo
Belém
O PT ainda não definiu se apoia a reeleição do atual prefeito, Duciomar Costa (PTB), ou se aposta na vereadora petista Suely Oliveira
Porto Velho
O prefeito Roberto Sobrinho (PT) tenta a reeleição com apoio do PMDB
Cuiabá
O deputado federal Carlos Abicalil é a aposta do PT nacional para enfrentar o atual prefeito Wilson Santos (PSDB), que tenta se reeleger
Campo Grande
O empresário Antônio João (PTB), a ex-primeira-dama Maria Aparecida Pedrossian (PRB) e o deputado estadual Pedro Kemp (PT) disputam a vaga de cabeça de chapa da coligação
Goiânia
No próximo fim de semana ,o diretório local decide se lança candidato próprio ou se indica o vice de Íris Resende (PMDB), candidato à reeleição
Palmas
Raul Filho, do PT, tenta a reeleição
Belo Horizonte
Mesmo sem um nome forte, o PT resiste em apoiar Márcio Lacerda (PSB), secretário de governo do tucano Aécio Neves
Rio Branco
O petista Raimundo Angelim tenta a reeleição
