Paulinho nega, delegado insiste
| Edson Luiz |
| Correio Braziliense |
Nas duas horas em que esteve na Polícia Federal, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, negou participação no esquema de desvios de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desarticulado em abril pela Operação Santa Tereza. Mesmo assim, investigadores que atuam no caso estão convictos do envolvimento do parlamentar, conforme relatórios de inteligência enviados ao Ministério Público. Paulinho foi ouvido pelo delegado Rodrigo Levin, à pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).
Praticamente o deputado nada acrescentou à investigação e nem mudou o discurso que vem adotando desde que surgiram as suspeitas de seu envolvimento com os fraudadores dos empréstimos do BNDES, incluindo João Pedro de Moura, seu ex-assessor. “Trouxe ao delegado nota de uma auditoria do BNDES mostrando que não tem nenhuma irregularidade. Portanto, ficou comprovado que é perseguição contra mim pelo meu trabalho no Congresso”, disse Paulinho, que não deu entrevistas, limitando-se à declaração. Seu advogado, Antônio Rosella, afirmou que não há nada que envolva seu cliente.
Paulinho disse ao delegado que não sabia da existência do esquema e que seu nome foi usado indevidamente pelos integrantes da quadrilha. Quanto ao envolvimento de Moura com seu cliente, o advogado do deputado afirmou que ele contou ao delegado que o ex-assessor ia a seu gabinete tratar de assuntos relacionados à Força Sindical. Mesmo antes de começar a ouvir o parlamentar, o delegado Rodrigo Levin já havia decidido que não iria indiciá-lo. “Pelo entendimento do STF não podemos indiciar, por causa do foro privilegiado”, afirmou o policial.
Mas motivos haveria, segundo investigadores, por causa de provas que estão sendo levantadas pela PF na análise dos documentos apreendidos durante a Operação Santa Tereza. Em um relatório enviado no final de junho para o Ministério Público Federal, o delegado afirma ter convicção de que o deputado foi um dos beneficiados com o dinheiro dos recursos desviados. Porém, Levin afirma que a investigação de Paulinho estava sendo feita em um outro procedimento. “As denúncias são relacionadas a terceiros. Quanto ao deputado, isso é perseguição”, afirma Rosella.
As principais perguntas de Levin foram relacionadas à investigação dos desvios dos financiamentos do BNDES, sem abordar outros temas, como o depósito de R$ 37,5 mil feito na conta da Meu Guri, organização não-governamental dirigida por Elza Pereira, mulher de Paulinho. O delegado pretende encaminhar em uma semana um relatório ao STF, mostrando o envolvimento do parlamentar. Um dos fatos já apurados seria a utilização, pelo político, de ONGs para fazer a partilha do dinheiro desviado entre os acusados.
Hoje, o delegado será ouvido pelo Conselho de Ética da Câmara, que abriu um processo de quebra de decoro contra Paulinho. Levin deverá entregar documentos que mostram o envolvimento do parlamentar com os desvios do BNDES.
