Carlos Braga Jornal do Brasil

Palco de lutas, PUC recebe candidatos com frieza

Se um militante do movimento estudantil dos anos 60 fosse parar na PUC ontem, por conta de uma dobra no tempo, não acreditaria que estamos em plena campanha eleitoral. A descrença aumentaria se lhe fosse informado que dois candidatos, de pólos opostos no arco político carioca, estavam na univesidade para debater suas propostas com os alunos. Eduardo Paes (PMDB) e Chico Alencar (PSOL) não empolgaram os alunos: nenhum dos dois conseguiu encher a sala. Alessandro Molon (PT), que esteve lá horas antes, também atraiu audiência escassa. Bandeiras e debates acalorados, que beiravam o quebra-pau? Ficaram no século passado. ­ Política me interessa mais ou menos. Nunca participei de grêmio ou de diretórios estudantis. Acho o nível dos candidatos ruim ­ disse, com ar de enfado, o estudante de engenharia Luiz Pádua D"Angelo, 20 anos, que não lembrou de nenhuma proposta que pudesse classificar de ruim. Enquanto os candidatos tentavam ganhar a atenção dos alunos com suas idéias, uma animada festa acontecia na Vila dos Diretórios Acadêmicos, a cerca de 300 metros da sala onde corriam os debates. Um dos mais importantes centros da rebeldia político-cultural dos estudantes das décadas de 60 e 70, a Vila dos Diretórios tinha a agitação embalada não por slogans revolucionários, mas por cervejas e música pop. Perto dali, a estudante de direito Julie Rocha Deccache, 18, estava alheia aos candidatos que visitavam a PUC. Disse que acompanha esporadicamente o que acontece na campanha. Em geral, pelo que os olhos conseguem registrar nas manchetes da internet. Nesta eleição, dará o seu primeiro voto. Ou não, já que mora em Angra dos Reis e ainda não sabe se vai para a cidade natal ou justifica a ausência. Politicamente, se considera de centro. ­ Não gosto de radicalismo. Para mim, radical é tentar romper com o sistema, querer mudar o mundo. Temos que respeitar as leis. Mudar devagar ­ explica a estudante.

Mais segurança

Sua amiga Bruna Hauser, 19, estudante de direito, classifica como grau cinco, numa escala de zero a 10, seu interesse por política. Acha legal a possibilidade de "poder fazer alguma coisa pelo lugar em que se vive". Mas a dificuldade que políticos bem-intencionados encontram para fazê-lo provoca seu desinteresse pela campanha. ­ Queria que o novo prefeito cuidasse da segurança. A coisa está feia ­ sugere. Meio ambiente é o tema de que o estudante de jornalismo Gabriel Portugal sente falta nos debates dos candidatos à prefeitura. Ouviu atento Eduardo Paes falar como vai administrar o Rio no intervalo de suas aulas. Paes é um dos seus possíveis candidatos. Acha que ele fez coisas boas em Jacarepaguá na época em que era subprefeito do bairro, na primeira gestão de Cesar Maia. Mas Gabeira (PV) ainda está no páreo. Diz que sua luta contra a corrupção faz balançar seu voto em direção ao candidato verde. Para vereador, contudo, não faz idéia de quem ganhará a sua chancela. Também não sabe muito bem o que faz um legislador municipal. ­ Acredito que eles fiquem mais com a parte das leis ­ tateia. Se a campanha à prefeitura estava morna nos pilotis da PUC, a de vereador era ignorada. Daniel Cavalcanti, estudante de jornalismo, 20 anos, critica que se vote no candidato à vereança apenas por ele ser conhecido. ­ Lá em Niterói tem um atendente do Bolota, o bar que eu freqüento, que pediu meu voto ­ contou.

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Por onde anda você, movimento estudantil?

Publicado: 15/08/2008 | 11:07


Carlos Braga
Jornal do Brasil

Palco de lutas, PUC recebe candidatos com frieza

Se um militante do movimento estudantil dos anos 60 fosse parar na PUC ontem, por conta de uma dobra no tempo, não acreditaria que estamos em plena campanha eleitoral. A descrença aumentaria se lhe fosse informado que dois candidatos, de pólos opostos no arco político carioca, estavam na univesidade para debater suas propostas com os alunos. Eduardo Paes (PMDB) e Chico Alencar (PSOL) não empolgaram os alunos: nenhum dos dois conseguiu encher a sala. Alessandro Molon (PT), que esteve lá horas antes, também atraiu audiência escassa. Bandeiras e debates acalorados, que beiravam o quebra-pau? Ficaram no século passado. ­ Política me interessa mais ou menos. Nunca participei de grêmio ou de diretórios estudantis. Acho o nível dos candidatos ruim ­ disse, com ar de enfado, o estudante de engenharia Luiz Pádua D"Angelo, 20 anos, que não lembrou de nenhuma proposta que pudesse classificar de ruim. Enquanto os candidatos tentavam ganhar a atenção dos alunos com suas idéias, uma animada festa acontecia na Vila dos Diretórios Acadêmicos, a cerca de 300 metros da sala onde corriam os debates. Um dos mais importantes centros da rebeldia político-cultural dos estudantes das décadas de 60 e 70, a Vila dos Diretórios tinha a agitação embalada não por slogans revolucionários, mas por cervejas e música pop. Perto dali, a estudante de direito Julie Rocha Deccache, 18, estava alheia aos candidatos que visitavam a PUC. Disse que acompanha esporadicamente o que acontece na campanha. Em geral, pelo que os olhos conseguem registrar nas manchetes da internet. Nesta eleição, dará o seu primeiro voto. Ou não, já que mora em Angra dos Reis e ainda não sabe se vai para a cidade natal ou justifica a ausência. Politicamente, se considera de centro. ­ Não gosto de radicalismo. Para mim, radical é tentar romper com o sistema, querer mudar o mundo. Temos que respeitar as leis. Mudar devagar ­ explica a estudante.

Mais segurança

Sua amiga Bruna Hauser, 19, estudante de direito, classifica como grau cinco, numa escala de zero a 10, seu interesse por política. Acha legal a possibilidade de "poder fazer alguma coisa pelo lugar em que se vive". Mas a dificuldade que políticos bem-intencionados encontram para fazê-lo provoca seu desinteresse pela campanha. ­ Queria que o novo prefeito cuidasse da segurança. A coisa está feia ­ sugere. Meio ambiente é o tema de que o estudante de jornalismo Gabriel Portugal sente falta nos debates dos candidatos à prefeitura. Ouviu atento Eduardo Paes falar como vai administrar o Rio no intervalo de suas aulas. Paes é um dos seus possíveis candidatos. Acha que ele fez coisas boas em Jacarepaguá na época em que era subprefeito do bairro, na primeira gestão de Cesar Maia. Mas Gabeira (PV) ainda está no páreo. Diz que sua luta contra a corrupção faz balançar seu voto em direção ao candidato verde. Para vereador, contudo, não faz idéia de quem ganhará a sua chancela. Também não sabe muito bem o que faz um legislador municipal. ­ Acredito que eles fiquem mais com a parte das leis ­ tateia. Se a campanha à prefeitura estava morna nos pilotis da PUC, a de vereador era ignorada. Daniel Cavalcanti, estudante de jornalismo, 20 anos, critica que se vote no candidato à vereança apenas por ele ser conhecido. ­ Lá em Niterói tem um atendente do Bolota, o bar que eu freqüento, que pediu meu voto ­ contou.