Jornada Nacional de Debates das centrais vai fortalecer as campanhas salariais pela elevação dos pisos Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário geral da CUT, Quintino Severo, fala sobre a Jornada Nacional de Debates - Inflação e as Campanhas Salariais, a luta das centrais pela recuperação do poder aquisitivo dos salários, a importância da valorização dos pisos e o combate à política de juros altos implementada pelo Banco Central contra a economia nacional.

 

Qual a importância da "Jornada Nacional de Debates – Inflação e as Campanhas Salariais", organizada pelas centrais sindicais com o apoio do Dieese. Esta ação unificada abre espaço para uma mobilização mais contundente no segundo semestre?

 

Creio que esta é uma iniciativa acertada das centrais sindicais, que teve participação importante do Dieese como articulador e mediador inclusive desta relação. É uma decisão que vai possibilitar uma saída conjunta, uma alternativa frente ao pico de inflação ocorrido nesse último período. Tenho certeza que uma ação nacional como esta que estamos desenvolvendo, com o conjunto do movimento sindical brasileiro, possibilitará que a política adotada na recuperação dos pisos e na recuperação dos salários, de combate à corrosão inflacionária, seja vitoriosa. Essa é uma expectativa comum de todos. Nós da CUT vamos apostar nesta possibilidade, até porque fomos a primeira central a orientar, em resolução da executiva nacional, para que nossas categorias tomassem iniciativas no sentido de recuperar eventuais perdas, entre elas a elevação dos pisos, já que a faixa salarial que mais perde com a inflação é a de salários mais baixos. Esta é uma iniciativa que poderá amenizar esse prejuízo para os trabalhadores que ganham menos.

 

Há indicativos de que a inflação estacionou. Como vês a atuação das centrais, tendo como foco principalmente as grandes categorias neste momento que antecede à Marcha a Brasília?

 

Primeiro, é muito positivo que a inflação tenha estacionado, parado de crescer e comece a reduzir. Isso demonstra que mais uma vez nós trabalhadores estamos corretos quando defendemos que não seja aplicada essa política de alta nas taxas de juros para conter a inflação. Novamente fica evidenciado que nós da CUT que temos combatido essa opção pelo juro alto estamos corretos. Inflação não se combate impedindo consumo e elevando juro, ainda mais uma inflação que é pontual, especulativa, bastante restrita ao setor de alimentos. Na verdade, a alta dos juros só prejudica o desenvolvimento nacional, o crescimento da economia. Em segundo lugar, as grandes categorias contribuem nesta mobilização porque ajudam com as que têm menos poder de pressão a recuperar seus pisos. Então é fundamental que as campanhas salariais do segundo semestre, que movimentam grandes categorias, tenham sucesso na recuperação do piso, pois isso influencia de uma forma geral para uma elevação do conjunto dos salários, já que é um movimento que não se restringe só ao piso. Esta pressão se refletirá positivamente nos demais salários. Da mesma forma, os pisos salariais estaduais, que têm impacto importante nos salários das demais categorias a nível regional. Não tenho dúvida que esta ação terá reflexos positivos importantes não só para os salários, mas para o avanço das conquistas da classe trabalhadora como um todo.

 

No momento em que a mídia mais pressionava para tentar taxar o aumento salarial de "inflacionário", o presidente Lula declarou no ABC que os trabalhadores deveriam correr atrás, já que as empresas estavam ampliando sua produtividade e ganhando como nunca. Como isso tem influenciado a pressão da base?

 

Primeiro é importante reafirmar que no nosso país nunca o salário teve relação direta com a inflação. Aumento salarial, na nossa opinião, e a prática tem demonstrado isso, não é nem de longe o fator determinante para a alta inflacionária. O que influencia sobre a inflação é a especulação, a ação dos grandes grupos econômicos que dominam o mercado e elevam a taxa inflacionária. É completamente descabido o argumento que tenta responsabilizar os salários pela alta inflacionária. Até porque já vivenciamos no país períodos de hiperinflação quando nunca se pagou tão pouco aos trabalhadores. Portanto não há nenhuma possibilidade de concordarmos com esse argumento. Segundo: é fundamental que os trabalhadores recuperem o seu poder de compra, que haja um processo de melhora na distribuição de renda no Brasil. E o momento de distribuir renda é o do acordo coletivo, onde se discute salário. Portanto temos que apostar toda nossa mobilização, todo nosso esforço e energia no sentido de garantir que neste momento das convenções coletivas a gente recupere o salário e distribua renda. Essa disposição dos trabalhadores está aparecendo em vários estados.

 

De que forma a 12ª Plenária Nacional e a assembléia na Praça Matriz de São Bernardo contribuíram para esta ação?

A plenária refletiu o estímulo e a animação que está a nossa militância. As resoluções que aprovamos dialogam com este momento novo. Por um lado o desafio de organização da própria classe trabalhadora, do movimento sindical, e por outro o desafio de construir projetos para a sociedade que levem em consideração a distribuição de renda, a valorização do trabalho e a ampliação de direitos, elementos que ficaram muito explícitos nas resoluções que tomamos. A própria assembléia de encerramento da plenária energizou todos nós. Saímos daquela belíssima passeata em São Bernardo, encerrada com a assembléia, com um saldo extremamente positivo, deixando para todos nós a expectativa e a certeza de que retornamos para os nossos Estados com muita vontade de implementar o que foi decidido coletivamente. Fonte: CUT" />

Centrais se unem em busca da valorização dos pisos

Publicado: 18/08/2008 | 12:10


Jornada Nacional de Debates das centrais vai fortalecer as campanhas salariais pela elevação dos pisos Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário geral da CUT, Quintino Severo, fala sobre a Jornada Nacional de Debates - Inflação e as Campanhas Salariais, a luta das centrais pela recuperação do poder aquisitivo dos salários, a importância da valorização dos pisos e o combate à política de juros altos implementada pelo Banco Central contra a economia nacional.

 

Qual a importância da "Jornada Nacional de Debates – Inflação e as Campanhas Salariais", organizada pelas centrais sindicais com o apoio do Dieese. Esta ação unificada abre espaço para uma mobilização mais contundente no segundo semestre?

 

Creio que esta é uma iniciativa acertada das centrais sindicais, que teve participação importante do Dieese como articulador e mediador inclusive desta relação. É uma decisão que vai possibilitar uma saída conjunta, uma alternativa frente ao pico de inflação ocorrido nesse último período. Tenho certeza que uma ação nacional como esta que estamos desenvolvendo, com o conjunto do movimento sindical brasileiro, possibilitará que a política adotada na recuperação dos pisos e na recuperação dos salários, de combate à corrosão inflacionária, seja vitoriosa. Essa é uma expectativa comum de todos. Nós da CUT vamos apostar nesta possibilidade, até porque fomos a primeira central a orientar, em resolução da executiva nacional, para que nossas categorias tomassem iniciativas no sentido de recuperar eventuais perdas, entre elas a elevação dos pisos, já que a faixa salarial que mais perde com a inflação é a de salários mais baixos. Esta é uma iniciativa que poderá amenizar esse prejuízo para os trabalhadores que ganham menos.

 

Há indicativos de que a inflação estacionou. Como vês a atuação das centrais, tendo como foco principalmente as grandes categorias neste momento que antecede à Marcha a Brasília?

 

Primeiro, é muito positivo que a inflação tenha estacionado, parado de crescer e comece a reduzir. Isso demonstra que mais uma vez nós trabalhadores estamos corretos quando defendemos que não seja aplicada essa política de alta nas taxas de juros para conter a inflação. Novamente fica evidenciado que nós da CUT que temos combatido essa opção pelo juro alto estamos corretos. Inflação não se combate impedindo consumo e elevando juro, ainda mais uma inflação que é pontual, especulativa, bastante restrita ao setor de alimentos. Na verdade, a alta dos juros só prejudica o desenvolvimento nacional, o crescimento da economia. Em segundo lugar, as grandes categorias contribuem nesta mobilização porque ajudam com as que têm menos poder de pressão a recuperar seus pisos. Então é fundamental que as campanhas salariais do segundo semestre, que movimentam grandes categorias, tenham sucesso na recuperação do piso, pois isso influencia de uma forma geral para uma elevação do conjunto dos salários, já que é um movimento que não se restringe só ao piso. Esta pressão se refletirá positivamente nos demais salários. Da mesma forma, os pisos salariais estaduais, que têm impacto importante nos salários das demais categorias a nível regional. Não tenho dúvida que esta ação terá reflexos positivos importantes não só para os salários, mas para o avanço das conquistas da classe trabalhadora como um todo.

 

No momento em que a mídia mais pressionava para tentar taxar o aumento salarial de "inflacionário", o presidente Lula declarou no ABC que os trabalhadores deveriam correr atrás, já que as empresas estavam ampliando sua produtividade e ganhando como nunca. Como isso tem influenciado a pressão da base?

 

Primeiro é importante reafirmar que no nosso país nunca o salário teve relação direta com a inflação. Aumento salarial, na nossa opinião, e a prática tem demonstrado isso, não é nem de longe o fator determinante para a alta inflacionária. O que influencia sobre a inflação é a especulação, a ação dos grandes grupos econômicos que dominam o mercado e elevam a taxa inflacionária. É completamente descabido o argumento que tenta responsabilizar os salários pela alta inflacionária. Até porque já vivenciamos no país períodos de hiperinflação quando nunca se pagou tão pouco aos trabalhadores. Portanto não há nenhuma possibilidade de concordarmos com esse argumento. Segundo: é fundamental que os trabalhadores recuperem o seu poder de compra, que haja um processo de melhora na distribuição de renda no Brasil. E o momento de distribuir renda é o do acordo coletivo, onde se discute salário. Portanto temos que apostar toda nossa mobilização, todo nosso esforço e energia no sentido de garantir que neste momento das convenções coletivas a gente recupere o salário e distribua renda. Essa disposição dos trabalhadores está aparecendo em vários estados.

 

De que forma a 12ª Plenária Nacional e a assembléia na Praça Matriz de São Bernardo contribuíram para esta ação?

A plenária refletiu o estímulo e a animação que está a nossa militância. As resoluções que aprovamos dialogam com este momento novo. Por um lado o desafio de organização da própria classe trabalhadora, do movimento sindical, e por outro o desafio de construir projetos para a sociedade que levem em consideração a distribuição de renda, a valorização do trabalho e a ampliação de direitos, elementos que ficaram muito explícitos nas resoluções que tomamos. A própria assembléia de encerramento da plenária energizou todos nós. Saímos daquela belíssima passeata em São Bernardo, encerrada com a assembléia, com um saldo extremamente positivo, deixando para todos nós a expectativa e a certeza de que retornamos para os nossos Estados com muita vontade de implementar o que foi decidido coletivamente.
Fonte: CUT