Luiz Carlos Azedo e Daniel Pereira Correio Braziliense

Em conversa com representantes do partido, presidente confirma desejo de que Michel Temer esteja à frente da Câmara. PT ficaria com o Senado O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou de sola na sucessão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Na terça-feira à noite, chamou o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), e o líder da bancada peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN), para reiterar que apóia o acordo firmado com o PT para que o próximo presidente da Câmara seja indicado pelo PMDB, no caso o próprio Temer. Na mesma conversa, reivindicou a Presidência do Senado para o PT, de maneira a manter o equilíbrio na aliança entre as duas legendas. O senador Tião Viana (PT-AC) ainda é o nome preferido do presidente Lula para o Senado, apesar do veto do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).

A iniciativa de Lula, em primeiro lugar, teve por objetivo fortalecer o nome de Temer dentro da própria bancada do PMDB, onde surgiram duas candidaturas dissidentes. Uma é pra valer, a do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi relator da CPI dos Correios, responsável por indiciar os envolvidos no escândalo do “mensalão”, e hoje ocupa a poderosa primeira-secretaria da Mesa, que sempre serviu para que seu ocupante alçasse vôo rumo à Presidência da Câmara. A outra, da deputada Rita Camata (ES), por enquanto é um factóide, pois nem as mulheres da bancada apóiam a candidatura dela, como sua conterrânea Rose de Freitas. Em segundo lugar, Lula buscou inibir candidaturas próprias na bancada do próprio PT, onde o líder do governo, Henrique Fontana (RS), é uma alternativa de candidatura “puro-sangue”.

Múcio O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, não é candidato à Presidência da Câmara, apesar da pressão de colegas de PTB para que entre na disputa. Pelo contrário, Múcio trabalha nos bastidores pela eleição de Temer como sucessor de Arlindo Chinaglia (PT-SP). E, ao mesmo tempo, para que Viana substitua Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) no comando do Senado. O Palácio do Planalto descarta a possibilidade de os ministros das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), ou das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), deixarem os respectivos cargos para assumir a Presidência do Senado. Nem os dois senadores querem isso. Segundo o ministro, é preciso respeitar o acordo costurado entre os partidos há dois anos. Ele alega ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem condições de governar sem o PMDB. No Palácio do Planalto, há preocupação com os rumos da disputa na Câmara por causa da possibilidade de Ciro Nogueira (PP-PI) derrotar Temer num confronto em plenário. Como o correligionário Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Casa que renunciou ao mandato, Ciro é o nome preferido do “baixo clero”. Mas faz parte do grupo de aliados de Lula no Congresso. “Ele é forte. Não é um candidato contra o governo”, declara um ministro. Para tirar Ciro da sucessão, assessores do presidente cogitam oferecer a ele uma posto de destaque no primeiro escalão do Executivo.

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Lula reitera apoio a PMDB

Publicado: 21/08/2008 | 09:55


Luiz Carlos Azedo e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Em conversa com representantes do partido, presidente confirma desejo de que Michel Temer esteja à frente da Câmara. PT ficaria com o Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou de sola na sucessão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Na terça-feira à noite, chamou o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), e o líder da bancada peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN), para reiterar que apóia o acordo firmado com o PT para que o próximo presidente da Câmara seja indicado pelo PMDB, no caso o próprio Temer. Na mesma conversa, reivindicou a Presidência do Senado para o PT, de maneira a manter o equilíbrio na aliança entre as duas legendas. O senador Tião Viana (PT-AC) ainda é o nome preferido do presidente Lula para o Senado, apesar do veto do ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).

A iniciativa de Lula, em primeiro lugar, teve por objetivo fortalecer o nome de Temer dentro da própria bancada do PMDB, onde surgiram duas candidaturas dissidentes. Uma é pra valer, a do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi relator da CPI dos Correios, responsável por indiciar os envolvidos no escândalo do “mensalão”, e hoje ocupa a poderosa primeira-secretaria da Mesa, que sempre serviu para que seu ocupante alçasse vôo rumo à Presidência da Câmara. A outra, da deputada Rita Camata (ES), por enquanto é um factóide, pois nem as mulheres da bancada apóiam a candidatura dela, como sua conterrânea Rose de Freitas. Em segundo lugar, Lula buscou inibir candidaturas próprias na bancada do próprio PT, onde o líder do governo, Henrique Fontana (RS), é uma alternativa de candidatura “puro-sangue”.

Múcio
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, não é candidato à Presidência da Câmara, apesar da pressão de colegas de PTB para que entre na disputa. Pelo contrário, Múcio trabalha nos bastidores pela eleição de Temer como sucessor de Arlindo Chinaglia (PT-SP). E, ao mesmo tempo, para que Viana substitua Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) no comando do Senado. O Palácio do Planalto descarta a possibilidade de os ministros das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), ou das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), deixarem os respectivos cargos para assumir a Presidência do Senado. Nem os dois senadores querem isso.
Segundo o ministro, é preciso respeitar o acordo costurado entre os partidos há dois anos. Ele alega ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem condições de governar sem o PMDB. No Palácio do Planalto, há preocupação com os rumos da disputa na Câmara por causa da possibilidade de Ciro Nogueira (PP-PI) derrotar Temer num confronto em plenário. Como o correligionário Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Casa que renunciou ao mandato, Ciro é o nome preferido do “baixo clero”. Mas faz parte do grupo de aliados de Lula no Congresso. “Ele é forte. Não é um candidato contra o governo”, declara um ministro. Para tirar Ciro da sucessão, assessores do presidente cogitam oferecer a ele uma posto de destaque no primeiro escalão do Executivo.