Ana Maria Campos Correio Braziliense

A base governista rachou ontem em torno da proposta que permite a reeleição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa. O presidente da Casa, Alírio Neto (PPS), articulava a aprovação em segundo turno do projeto de emenda à Lei Orgânica do Distrito Federal que autoriza a recondução do atual comando do Legislativo para mais dois anos de mandato. O líder do governo, Leonardo Prudente (DEM), trabalhou para derrotar a matéria em plenário. Por ora, saiu vitorioso.

A proposta estava pronta para ser aprovada com 18 votos contabilizados por Alírio na tarde de terça-feira. Mas ontem, depois de muitas negociações de distritais, o presidente e seus aliados já não acreditavam mais na vitória. Para evitar a derrota, retiraram o texto da pauta. O presidente da Câmara teve convicção da dificuldade depois de uma reunião da bancada do Democratas, coordenada pelo vice-governador Paulo Octávio, que é presidente regional da legenda. Os deputados do partido que estão licenciados, Eliana Pedrosa e Paulo Roriz, fizeram questão de participar da discussão, votar e impor suas posições aos suplentes, Raad Massouh e Geraldo Naves.

Numa votação interna, o placar de votação contou com três votos contrários à reeleição e apenas um favorável. Paulo Roriz foi derrotado pelos demais colegas de partido. “Houve uma aglutinação natural contra a tese da reeleição. Não temos nada contra a gestão do Alírio, mas achamos que a disputa é absolutamente desigual na sucessão da Mesa porque a caneta do presidente pesa muito”, explica Prudente. Ele garante que a bancada vai manter a posição, em qualquer situação, mesmo que o projeto seja rediscutido em dezembro, como defendem os distritais do PT.

A reunião da bancada foi tensa. Paulo Roriz era um dos mais exaltados e suas declarações contundentes, numa sala no primeiro andar do prédio da Câmara, podiam ser ouvidas no térreo. Eliana e Brunelli também foram duros. Suplente do partido, Geraldo Naves, ex-apresentador do programa Barra Pesada na TV Brasília, que assumiu o mandato ontem, chegou a passar mal e foi atendido no serviço médico. Ele tinha a pretensão de votar a favor da reeleição, mas foi impedido.

Alírio foi bombardeado também por outros parlamentares que estão no governo, como o administrador de Taguatinga, Benedito Domingos (PP), o chefe da Agência de Fiscalização do DF, Rôney Nemer (PMDB), e o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus (sem partido). Todos ameaçaram voltar à Câmara, caso o projeto fosse a votação.

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Reeleição divide base

Publicado: 21/08/2008 | 10:18


Ana Maria Campos
Correio Braziliense

A base governista rachou ontem em torno da proposta que permite a reeleição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa. O presidente da Casa, Alírio Neto (PPS), articulava a aprovação em segundo turno do projeto de emenda à Lei Orgânica do Distrito Federal que autoriza a recondução do atual comando do Legislativo para mais dois anos de mandato. O líder do governo, Leonardo Prudente (DEM), trabalhou para derrotar a matéria em plenário. Por ora, saiu vitorioso.

A proposta estava pronta para ser aprovada com 18 votos contabilizados por Alírio na tarde de terça-feira. Mas ontem, depois de muitas negociações de distritais, o presidente e seus aliados já não acreditavam mais na vitória. Para evitar a derrota, retiraram o texto da pauta. O presidente da Câmara teve convicção da dificuldade depois de uma reunião da bancada do Democratas, coordenada pelo vice-governador Paulo Octávio, que é presidente regional da legenda. Os deputados do partido que estão licenciados, Eliana Pedrosa e Paulo Roriz, fizeram questão de participar da discussão, votar e impor suas posições aos suplentes, Raad Massouh e Geraldo Naves.

Numa votação interna, o placar de votação contou com três votos contrários à reeleição e apenas um favorável. Paulo Roriz foi derrotado pelos demais colegas de partido. “Houve uma aglutinação natural contra a tese da reeleição. Não temos nada contra a gestão do Alírio, mas achamos que a disputa é absolutamente desigual na sucessão da Mesa porque a caneta do presidente pesa muito”, explica Prudente. Ele garante que a bancada vai manter a posição, em qualquer situação, mesmo que o projeto seja rediscutido em dezembro, como defendem os distritais do PT.

A reunião da bancada foi tensa. Paulo Roriz era um dos mais exaltados e suas declarações contundentes, numa sala no primeiro andar do prédio da Câmara, podiam ser ouvidas no térreo. Eliana e Brunelli também foram duros. Suplente do partido, Geraldo Naves, ex-apresentador do programa Barra Pesada na TV Brasília, que assumiu o mandato ontem, chegou a passar mal e foi atendido no serviço médico. Ele tinha a pretensão de votar a favor da reeleição, mas foi impedido.

Alírio foi bombardeado também por outros parlamentares que estão no governo, como o administrador de Taguatinga, Benedito Domingos (PP), o chefe da Agência de Fiscalização do DF, Rôney Nemer (PMDB), e o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus (sem partido). Todos ameaçaram voltar à Câmara, caso o projeto fosse a votação.