Cai preço dos alimentos no DF
| Mariana Flores |
| Correio Braziliense |
IPC-S registra deflação de 0,21% no segmento, pela primeira vez desde outubro do ano passado. Apesar do recuo, brasiliense paga 8,77% mais para comprar comida
Pela primeira vez desde outubro do ano passado, os preços dos alimentos caíram em Brasília. Em média, o recuo foi de -0,21% nas quatro últimas semanas, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgado ontem. A última vez que foi registrada deflação nos valores dos alimentos foi em outubro de 2007. Apesar da queda, o peso dos produtos no bolso do brasiliense ainda é muito alto em relação ao ano passado. Na média, os alimentos estão 8,77% mais caros neste ano. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada chega a 12,03%. Apesar dos reajustes elevados, a pressão é menor do que nas outras capitais. Na média das sete cidades pesquisadas pela FGV, os alimentos ficaram mais caros 9,92% neste ano e 12,96% nos últimos 12 meses.
As principais contribuições para a diminuição da inflação foram dadas pelo tomate (recuo de -20,17%), pela beterraba (-23,92%), pelo filé mignon (-6,21%) e pelo abacaxi (-6,63%). Mas também ficaram mais baratos o feijão carioquinha (-5,65%) e a carne bovina (-2,01%). Após meses de alta em função principalmente do aumento dos preços das commodities, o recuo se deve ao início da entressafra de muitas culturas, segundo o coordenador do IPC-S, André Braz. “A trajetória em curto prazo é de recuo, o que vem sendo sentido em todas as cidades pesquisadas, mas há uma dúvida se esse cenário continuará, já que existe um aumento constante da demanda por alimentos no mercado internacional e a produção não tem acompanhado”, afirma.
A queda nos preços dos alimentos ajudou a desacelerar a inflação do DF, de acordo com o dado coletado na semana passada — período compreendido entre o dia 22 de agosto e as quatro semanas anteriores. Dos sete grupos de produtos pesquisados, apenas os alimentícios registraram variação negativa no período. Os produtos e serviços de saúde e cuidados pessoais tiveram uma pressão menor que na semana anterior, mas continuaram positivos — recuaram de 0,58% para 0,49%. Os custos de transportes também estão se desacelerando — passaram de 0,26% para 0,22%.
Por outro lado, estão ficando cada vez mais caros os gastos com habitação, educação, leitura e recreação e de despesas diversas. Além das peças de vestuário, o que vai na contramão do que foi registrado nas outras capitais. O clima mais quente da capital federal fez com que a coleção primavera-verão chegasse mais cedo às vitrines, elevando os preços com o fim das liquidações de inverno. O aumento passou de 0,49% para 0,84% da segunda para a terceira semana deste mês.
