GUSTAVO PATU e ANDREZA MATAIS Folha de S. Paulo

Devido aos efeitos do pacote de reajustes salariais generalizados lançado neste ano, os gastos com pessoal em 2009 serão os mais altos do governo Lula e se aproximarão dos 5% do PIB, patamar que não é atingido desde 1995. Pelos números do projeto de Orçamento, as despesas saltarão dos 4,65% do PIB esperados em 2008 para 4,93%, mesmo percentual registrado no último ano de governo FHC -estaria anulado, assim, todo o ajuste promovido no início da gestão petista, quando a despesa chegou a cair para 4,38% do PIB em 2005. Em outra metodologia de cálculo, que considera os gastos efetivamente realizados no ano, a folha de pessoal da União consumirá o equivalente a 4,87% do produto, maior percentual desde 1995. A diferença entre as metodologias acontece porque parte dos salários referentes a um ano só é paga no ano seguinte. "Nós temos de ter uma preocupação com que os gastos com pessoal não cresçam desproporcionalmente em relação ao PIB", disse o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), responsável pela política de recursos humanos do Executivo. "É verdade que os gastos se aproximam de 5% do PIB, mas não achamos que haja nada de insustentável." O governo enviará ao Congresso até amanhã duas medidas provisórias -ou, menos provavelmente, dois projetos de lei- que reajustam os salários de 350 mil servidores e completam a rodada de benefícios iniciada por uma MP editada no primeiro semestre para 1,4 milhão de funcionários. O pacote, segundo lançado em ano eleitoral, elevou as despesas deste ano em R$ 7,6 bilhões, e as de 2009, em R$ 10,7 bilhões. O ministro José Múcio (Relações Institucionais) recebeu ontem o aval dos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), para promover os novos reajustes por MP. "Precisamos apenas asseverar que os acordos [com as categorias] estão mantidos e a partir daí não há impedimento", afirmou o ministro. Prioridade Apesar das medidas, Bernardo afirmou que o governo ainda considera prioritário o projeto que limita a expansão dos gastos com pessoal em 1,5% ao ano acima da inflação. Incluída no PAC, a proposta foi enviada ao Congresso no início do ano passado, sofreu um bombardeio dos partidos aliados ao Planalto e nunca passou por uma votação sequer. Ao levar o texto do Orçamento de 2009 ao Congresso, o ministro rebateu as críticas da oposição ao projeto que modifica a lei orçamentária deste ano para autorizar a criação de 85,9 mil novos cargos no Executivo federal -já previstos em outros projetos que criam novos campi universitários e outros órgãos. "Nesse caso, se o governo é irresponsável, a oposição também é irresponsável. Porque eles não apenas votaram os nossos projetos como elogiaram a iniciativa. Eles têm de sair do armário e dizer o que estão querendo claramente", disse Bernardo. PSDB e DEM tampouco votaram contra a primeira MP do pacote de reajustes salariais, já aprovada na Câmara dos Deputados.

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Em 2009, gasto com pessoal será quase 5% do PIB

Publicado: 28/08/2008 | 12:22


GUSTAVO PATU e ANDREZA MATAIS
Folha de S. Paulo

Devido aos efeitos do pacote de reajustes salariais generalizados lançado neste ano, os gastos com pessoal em 2009 serão os mais altos do governo Lula e se aproximarão dos 5% do PIB, patamar que não é atingido desde 1995. Pelos números do projeto de Orçamento, as despesas saltarão dos 4,65% do PIB esperados em 2008 para 4,93%, mesmo percentual registrado no último ano de governo FHC -estaria anulado, assim, todo o ajuste promovido no início da gestão petista, quando a despesa chegou a cair para 4,38% do PIB em 2005.
Em outra metodologia de cálculo, que considera os gastos efetivamente realizados no ano, a folha de pessoal da União consumirá o equivalente a 4,87% do produto, maior percentual desde 1995. A diferença entre as metodologias acontece porque parte dos salários referentes a um ano só é paga no ano seguinte.
"Nós temos de ter uma preocupação com que os gastos com pessoal não cresçam desproporcionalmente em relação ao PIB", disse o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), responsável pela política de recursos humanos do Executivo. "É verdade que os gastos se aproximam de 5% do PIB, mas não achamos que haja nada de insustentável."
O governo enviará ao Congresso até amanhã duas medidas provisórias -ou, menos provavelmente, dois projetos de lei- que reajustam os salários de 350 mil servidores e completam a rodada de benefícios iniciada por uma MP editada no primeiro semestre para 1,4 milhão de funcionários.
O pacote, segundo lançado em ano eleitoral, elevou as despesas deste ano em R$ 7,6 bilhões, e as de 2009, em R$ 10,7 bilhões.
O ministro José Múcio (Relações Institucionais) recebeu ontem o aval dos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), para promover os novos reajustes por MP. "Precisamos apenas asseverar que os acordos [com as categorias] estão mantidos e a partir daí não há impedimento", afirmou o ministro.

Prioridade
Apesar das medidas, Bernardo afirmou que o governo ainda considera prioritário o projeto que limita a expansão dos gastos com pessoal em 1,5% ao ano acima da inflação. Incluída no PAC, a proposta foi enviada ao Congresso no início do ano passado, sofreu um bombardeio dos partidos aliados ao Planalto e nunca passou por uma votação sequer.
Ao levar o texto do Orçamento de 2009 ao Congresso, o ministro rebateu as críticas da oposição ao projeto que modifica a lei orçamentária deste ano para autorizar a criação de 85,9 mil novos cargos no Executivo federal -já previstos em outros projetos que criam novos campi universitários e outros órgãos.
"Nesse caso, se o governo é irresponsável, a oposição também é irresponsável. Porque eles não apenas votaram os nossos projetos como elogiaram a iniciativa. Eles têm de sair do armário e dizer o que estão querendo claramente", disse Bernardo.
PSDB e DEM tampouco votaram contra a primeira MP do pacote de reajustes salariais, já aprovada na Câmara dos Deputados.