Luiz Carlos Azedo, Tiago Pariz e Edson Luiz Correio Braziliense

Apesar de os policiais federais não encontrarem vestígios de interceptações, funcionários da Casa reforçam suspeitas     Apesar de a Polícia Federal não ter encontrado vestígios de grampo na central telefônica do Senado, nem no gabinete do senador Demostenes Torres (DEM-GO), experientes funcionários da segurança da Casa não descartam a possibilidade de os grampos terem sido feitos dentro da instituição, ainda que a serviço de terceiros. Segundo eles, o equipamento de varredura existente no Senado também pode ser utilizado para a realização de escutas telefônicas, ao contrário da versão oficial da Abin e do próprio serviço de segurança do Senado. O mesmo acontece com a central telefônica, que custou R$ 18 milhões e é mais moderna e poderosa do que a existente na Brasil Telecom, em Brasília. Além de manter controle sobre origem, destino e custo de cada ligação, a central tem um dispositivo que registra e grava, se necessário, as ligações feitas, sejam ativas ou passivas.

As suspeitas de que a operação de grampo pode ter ocorrido no próprio Senado é alimentada por gente da própria segurança da Casa porque existe uma guerra nos bastidores envolvendo altos funcionários em posições estratégicas e integrantes da Mesa. A razão da disputa é a sucessão de Garibaldi Alves (PMDB-RN), atual presidente da Casa. De um lado estariam funcionários ligados ao senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente da Mesa, que substituiu Renan interinamente e é o nome mais cotado para suceder Garibaldi. De outro, o pessoal ligado aos grupos dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Efraim Morais (DEM-PB), que hoje controlam os cargos mais importantes do Senado e ainda não fecharam um acordo com o petista para apoiá-lo na eleição. Com um orçamento de R$ 2 bilhões, maior do que o da maioria das capitais brasileiras, a administração do Senado é uma grande e cobiçada caixa-preta.

A modernização dos equipamentos da segurança do Senado ocorreu durante a gestão do senador Romeu Tuma (PTB-SP), quando o parlamentar ocupava a primeira-secretaria da Mesa. O diretor-geral da Abin afastado Paulo Lacerda foi assessor de Tuma. A central telefônica do Senado foi instalada pelo ex-presidente da Casa Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já falecido, protagonista de episódios polêmicos envolvendo a quebra do sigilo da votação que cassou o mandato do ex-senador Luís Estevão (DF), o que provocou sua renúncia, e grampos telefônicos de desafetos pessoais na Bahia.

Ontem, os agentes da Polícia Federal que inspecionaram os gabinetes e a central telefônica do Senado saíram frustrados com o resultado do trabalho feito. “Não foi encontrado nada. É mais difícil tecnicamente que o grampo seja aqui, apesar de não ser impossível. É mais fácil que seja um grampo no telefone do ministro. Essa é a tese dos delegados também e de todo mundo da área”, disse Demostenes, após depor por mais de duas horas ao delegado da PF William Morad, responsável pelo inquérito sobre o suposto grampo.

A tese é compartilhada por Gilmar Mendes. Em conversa com parlamentares, o presidente do Supremo disse temer que seu telefone celular tenha sido alvo de espionagem. No dia em que houve a escuta, Demostenes utilizou o telefone de seu gabinete para ligar para o fixo do Supremo. Como Mendes não se encontrava no local, a secretária transferiu a ligação para o celular do magistrado que estaria em trânsito no seu carro oficial. Nessa caminhada telefônica, acabou grampeada uma conversa sobre a CPI da Pedofilia, da qual o senador de Goiás é relator.    Arapongagens - principais formas de escutas

Ambiental

Pequenos microfones ou gravadores são instalados no ambiente freqüentado pela pessoa que está sendo monitorada. As conversas são captadas dentro ou fora do local, por meio de uma maleta dotada de rádio-freqüência.

Telefônica

São as mais comuns praticadas por criminosos. A escuta pode ser feita oficialmente, por meio de grandes aparelhos utilizados pelas polícias Federal (usa o Guardião, de tecnologia nacional) e Civil (utiliza o Converse, de fabricação israelense). Além disso, utiliza-se a mesma maleta dos grampos ambientais. Basta apenas digitar o número do aparelho desejado. Para números fixos a escuta é colocada nas centrais telefônicas, enquanto nos celulares é por meio de antenas.

Outros meios

Os grampos não se restringem aos aparelhos telefônicos, mas também podem chegar às mensagens eletrônicas. O meio mais recente descoberto pela Polícia Federal foi o uso de laser para captar conversas.

FBI

A Polícia Federal norte-americana tem um meio ainda mais eficaz de realizar um grampo. Ela consegue acessar um telefone celular de um local remoto e utilizar o microfone do aparelho como escuta. Quando o caso veio à tona, em dezembro de 2006, ficou apelidado de “grampo móvel”. Segundo especialista, a única maneira de evitar isso seria retirar a bateria do telefone.

COMO EVITAR Rastreamento

Os especialistas em segurança recomendam checagens periódicas em ambientes onde existem as suspeitas de grampos. Principalmente em órgãos públicos. Podem ser feitas com aparelhos que detectam a emissão de rádio-freqüência.

Checagem por empresas

O usuário de telefone celular, principalmente os institucionais, deve pedir periodicamente às empresas de telefonia uma checagem no aparelho. Há casos em que não há escutas, mas clonagem de números.

Comunicar à polícia

Quando identificar uma possível escuta clandestina, a pessoa deve comunicar o fato às autoridades policiais imediatamente.

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Tecnologia utilizada por senadores permite grampo

Publicado: 5/09/2008 | 09:47


Luiz Carlos Azedo, Tiago Pariz e Edson Luiz
Correio Braziliense

Apesar de os policiais federais não encontrarem vestígios de interceptações, funcionários da Casa reforçam suspeitas
 
 
Apesar de a Polícia Federal não ter encontrado vestígios de grampo na central telefônica do Senado, nem no gabinete do senador Demostenes Torres (DEM-GO), experientes funcionários da segurança da Casa não descartam a possibilidade de os grampos terem sido feitos dentro da instituição, ainda que a serviço de terceiros. Segundo eles, o equipamento de varredura existente no Senado também pode ser utilizado para a realização de escutas telefônicas, ao contrário da versão oficial da Abin e do próprio serviço de segurança do Senado. O mesmo acontece com a central telefônica, que custou R$ 18 milhões e é mais moderna e poderosa do que a existente na Brasil Telecom, em Brasília. Além de manter controle sobre origem, destino e custo de cada ligação, a central tem um dispositivo que registra e grava, se necessário, as ligações feitas, sejam ativas ou passivas.

As suspeitas de que a operação de grampo pode ter ocorrido no próprio Senado é alimentada por gente da própria segurança da Casa porque existe uma guerra nos bastidores envolvendo altos funcionários em posições estratégicas e integrantes da Mesa. A razão da disputa é a sucessão de Garibaldi Alves (PMDB-RN), atual presidente da Casa. De um lado estariam funcionários ligados ao senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente da Mesa, que substituiu Renan interinamente e é o nome mais cotado para suceder Garibaldi. De outro, o pessoal ligado aos grupos dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Efraim Morais (DEM-PB), que hoje controlam os cargos mais importantes do Senado e ainda não fecharam um acordo com o petista para apoiá-lo na eleição. Com um orçamento de R$ 2 bilhões, maior do que o da maioria das capitais brasileiras, a administração do Senado é uma grande e cobiçada caixa-preta.

A modernização dos equipamentos da segurança do Senado ocorreu durante a gestão do senador Romeu Tuma (PTB-SP), quando o parlamentar ocupava a primeira-secretaria da Mesa. O diretor-geral da Abin afastado Paulo Lacerda foi assessor de Tuma. A central telefônica do Senado foi instalada pelo ex-presidente da Casa Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já falecido, protagonista de episódios polêmicos envolvendo a quebra do sigilo da votação que cassou o mandato do ex-senador Luís Estevão (DF), o que provocou sua renúncia, e grampos telefônicos de desafetos pessoais na Bahia.

Ontem, os agentes da Polícia Federal que inspecionaram os gabinetes e a central telefônica do Senado saíram frustrados com o resultado do trabalho feito. “Não foi encontrado nada. É mais difícil tecnicamente que o grampo seja aqui, apesar de não ser impossível. É mais fácil que seja um grampo no telefone do ministro. Essa é a tese dos delegados também e de todo mundo da área”, disse Demostenes, após depor por mais de duas horas ao delegado da PF William Morad, responsável pelo inquérito sobre o suposto grampo.

A tese é compartilhada por Gilmar Mendes. Em conversa com parlamentares, o presidente do Supremo disse temer que seu telefone celular tenha sido alvo de espionagem. No dia em que houve a escuta, Demostenes utilizou o telefone de seu gabinete para ligar para o fixo do Supremo. Como Mendes não se encontrava no local, a secretária transferiu a ligação para o celular do magistrado que estaria em trânsito no seu carro oficial. Nessa caminhada telefônica, acabou grampeada uma conversa sobre a CPI da Pedofilia, da qual o senador de Goiás é relator. 
 
Arapongagens - principais formas de escutas

Ambiental

Pequenos microfones ou gravadores são instalados no ambiente freqüentado pela pessoa que está sendo monitorada. As conversas são captadas dentro ou fora do local, por meio de uma maleta dotada de rádio-freqüência.

Telefônica

São as mais comuns praticadas por criminosos. A escuta pode ser feita oficialmente, por meio de grandes aparelhos utilizados pelas polícias Federal (usa o Guardião, de tecnologia nacional) e Civil (utiliza o Converse, de fabricação israelense). Além disso, utiliza-se a mesma maleta dos grampos ambientais. Basta apenas digitar o número do aparelho desejado. Para números fixos a escuta é colocada nas centrais telefônicas, enquanto nos celulares é por meio de antenas.

Outros meios

Os grampos não se restringem aos aparelhos telefônicos, mas também podem chegar às mensagens eletrônicas. O meio mais recente descoberto pela Polícia Federal foi o uso de laser para captar conversas.

FBI

A Polícia Federal norte-americana tem um meio ainda mais eficaz de realizar um grampo. Ela consegue acessar um telefone celular de um local remoto e utilizar o microfone do aparelho como escuta. Quando o caso veio à tona, em dezembro de 2006, ficou apelidado de “grampo móvel”. Segundo especialista, a única maneira de evitar isso seria retirar a bateria do telefone.

COMO EVITAR
Rastreamento

Os especialistas em segurança recomendam checagens periódicas em ambientes onde existem as suspeitas de grampos. Principalmente em órgãos públicos. Podem ser feitas com aparelhos que detectam a emissão de rádio-freqüência.

Checagem por empresas

O usuário de telefone celular, principalmente os institucionais, deve pedir periodicamente às empresas de telefonia uma checagem no aparelho. Há casos em que não há escutas, mas clonagem de números.

Comunicar à polícia

Quando identificar uma possível escuta clandestina, a pessoa deve comunicar o fato às autoridades policiais imediatamente.