Lula: “É preciso sorte na política”
Correio Braziliense
Depois de se definir como o melhor líder sindical do país na década de 1970, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil está vivendo seu momento mágico e que as coisas estão começando a “dar certo”. Disse que é preciso ter sorte na política e no amor. Ele fez as declarações após inaugurar parte da Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Petrolina, a 780km do Recife. A Univasf será instalada em três estados, permitindo que estudantes de Pernambuco, Bahia e Piauí deixem de ter que ir para as capitais para fazer cursos superiores. E lembrou que a descoberta, na camada pré-sal, de petróleo em águas profundas só foi possível graças ao conhecimento técnico de engenheiros e geólogos da Petrobras.
“Governar é exatamente isso. É ver as coisas acontecerem a cada dia. O Brasil vive seu momento mágico nestes últimos 40 ou 50 anos. As coisas estão dando certo. Dizem que tenho muita sorte. Deus queira que eu levante todo dia com mais sorte. Porque, sem sorte, a gente não arranja nem mulher, nem mulher arranja marido para casar. É preciso ter muita sorte na vida política. E é preciso, também, ter muita sorte no amor, se não a vida não vale a pena”, disse Lula.
O presidente fez um apelo para que os universitários fiquem na região a fim de aplicar seus conhecimentos no desenvolvimento do Nordeste. “Se você vai se formar para trabalhar na Avenida Paulista ou na Praia de Boa Viagem tudo que vai acontecer é frustração aqui. Porque, embora estejamos por exemplo aumentando as vagas de medicina, os pobres do sertão vão ficar sem médicos”, afirmou o presidente. “Precisamos formar uma nova mentalidade. Eu fui um grande dirigente sindical neste país. Joguei a modéstia lá embaixo. Na década de 1970, eu fui o melhor dirigente sindical deste país. Mas sempre tive muitas dúvidas sobre a greve de médicos e de metrô. Porque quem paga é a parte mais pobre da população”, disse Lula, que chegou a Pernambuco em meio a um movimento grevista de médicos que já mobiliza o Ministério da Defesa, com tendas de atendimento à população.
Irmão é nomeado
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), nomeou o seu irmão, Eduardo, como secretário dos Transportes do estado, garantindo sua permanência em um cargo no governo, apesar da Súmula Vinculante 13, do Supremo Tribunal Federal (STF), que disciplinou a contratação de parentes nos Três Poderes. Com o cargo para Eduardo, o governo evita contestações em relação à abrangência da súmula, que abriu exceção para cargos ocupados por secretários.
Na semana passada, Eduardo tinha sido nomeado secretário especial para assuntos portuários e acumularia o cargo com o de superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Alguns juristas defendiam que a brecha aberta pela súmula não abrangeria secretarias especiais. O Decreto 3.348, de 2 de setembro, publicado ontem na página eletrônica da Casa Civil, também exonera Eduardo da superintendência da Appa, mas ressalta que ele acumulará o cargo até “deliberação”.
O antigo secretário de Transportes, Rogério Tizzot, foi exonerado desse cargo. E nomeado, no mesmo dia, como secretário especial para Assuntos Rodoviários, assumindo a diretoria-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Também foi exonerada do cargo de assessora especial a mulher do vice-governador Orlando Pessuti, Regina Fischer Pessuti.
