Candidatos já sabiam como o esquema funcionava

Publicado: 9/09/2008 | 10:55


Ana Paula Verly Jornal do Brasil Únicos candidatos a denunciarem a manipulação do orçamento da prefeitura para esconder a falta de investimento do município em educação, durante sabatina promovida pelo Jornal do Brasil às terça-feiras dos meses de julho e agosto, Chico Alencar (PSOL) e Alessandro Molon (PT) voltaram a atacar, ontem, o uso dos recursos durante os oito anos da gestão do prefeito Cesar Maia (DEM). De acordo com o Tribunal de Contas do Município (TCM), a prefeitura deixou de usar os 25% do orçamento na área, conforme prevê a legislação federal, durante o último mandato. Para Chico Alencar, o prefeito fez "muita maquiagem de gastos", mas não investiu o dinheiro. – Ele tem que cumprir a constituição e investir, no mínimo, 25% do orçamento. Se ele fizesse isso, poderia criar mais salas nas escolas, empregar mais professores e pagar melhores salários– comentou o candidato da esquerda. – A Câmara dos Vereadores também tem uma parcela de culpa porque permite ao prefeito da cidade remanejar parte da verba do orçamento dando autorizações – apontou o candidato, que tem apenas 4% na pesquisa do instituto Datafolha publicada no último sábado, em que eduardo paes liderava com 24%. A pesquisa é a chamada pesquisa induzida, em que aparecem nomes de candidatos.. Chico prevê que, caso ele próprio seja eleito, terá de trabalhar de acordo com os gastos do governo anterior, de Cesar Maia. A herança maldita vai engessar ainda mais o orçamento da prefeitura, já prejudicado com os gastos das obras na Cidade da Música, que já teria ultrapassado R$ 500 milhões. – Faremos uma radiografia orçamentária para conseguir saber como o prefeito nos deixou, mas vou cumprir o que manda a Constituição – acrescentou Chico. A prefeitura usou o ganho líquido do Fundo de Manutenção de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para completar os 25% de recursos destinados à Educação. Alessandro Molon, candidato do partido do PT, considera graves as denúncias constatadas pelo TCM, as quais ele próprio teve acesso, apesar de não liberado. – O TCM está obrigando o município a executar no orçamento da educação, no ano que vem e progressivamente, o que não foi executado – comenta. – É meu compromisso efetuar os gastos obrigatórios com o setor, não só o mínimo constitucional, mas o que for necessário para garantir a qualidade de educação que nosso partido defende – promete o petista.