Fecundidade da brasileira atinge nível mais baixo
| Felipe Werneck |
| O Estado de S. Paulo |
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taxa de fecundidade voltou a cair no País em 2007 e pela primeira vez ficou abaixo do nível de reposição: 1,95 filho por mulher, em média. A análise por Estados mostra que o Rio apresentou a menor taxa (1,57), e o Acre, a maior (3,10). Entre o fim dos anos 60 e início dos 70, a mulher brasileira tinha seis filhos, em média. “Em 40 anos, a fecundidade caiu de seis para abaixo de dois. Na Europa, esse processo levou quase um século”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes. A taxa no Brasil, que era de 3,5 nascimentos por mulher em 1984, chegou a 2 em 2006. Para Nunes, a combinação de envelhecimento acelerado e redução da fecundidade terá impacto na população, que no médio prazo deve parar de crescer, e na previdência social. A PNAD reafirmou a tendência de envelhecimento. De 2006 para 2007, a população de 40 anos ou mais cresceu 4,2%. Já o grupo mais jovem, de 0 a 14 anos, caiu 0,7%. Aos 28 anos, Adeline Souza não tem filhos. Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela vive com o salário mínimo (R$ 415) que recebe do trabalho temporário - garantido só até o Natal - em um restaurante em Niterói. A “consciência” dela chegou após uma gravidez inesperada, aos 18 anos. Na época, Adeline não usava anticoncepcionais. “Não sabia que estava grávida. Quando soube, já estava com alguns problemas e sofri um aborto espontâneo.” Todas as amigas dela têm “mais de um filho”. Com 14 primos, Adeline fez uma opção. “Sou exceção lá no bairro. Para mim, você precisa de estabilidade para ter filho, e eu ainda não tenho isso.” Ela pretende ter só um. “O certo era não ter nenhum, porque o mundo não está para isso, mas toda mulher precisa de um filho, tenho de deixar alguma coisa.” Em 2007, a população do País somava 189,8 milhões e as mulheres eram maioria (51,2%). O IBGE observou que apenas na Região Centro-Oeste a população não-natural superou a natural: 53,1% dos residentes não haviam nascido no município de moradia. |
