Mais popular do que nunca
| Gustavo Krieger |
| Correio Braziliense |
Pesquisa CNT/Sensus revela que bateu em 77,7% o percentual de pessoas que dizem aprovar o desempenho do presidente Lula. Apesar de ostentar o maior nível de aprovação desde a posse, ele não consegue transferir votos para candidatos petistas em sete capitais.
Eleições 2008
Pesquisa aponta que o presidente tem 77,7% de aprovação, o maior percentual desde o primeiro mandato. Para especialista, a petista Dilma Rousseff pode ser a grande beneficiada em 2010
A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu níveis recordes e faz dele um poderoso cabo eleitoral, tanto nas campanhas municipais deste ano quanto para sua sucessão em 2010. Esta é a principal conclusão da mais recente pesquisa do instituto Sensus. A pesquisa mostra ainda que a ministra Dilma Rousseff, candidata articulada por Lula para 2010, continua crescendo, embora ainda esteja no quarto lugar.
Segundo o levantamento, 68,8% dos entrevistados dão uma avaliação positiva ao governo federal. Para 23,2%, ele é regular e apenas 6,8% têm opinião negativa. São os índices mais altos desde a posse de Lula para o primeiro mandato. A avaliação positiva cresceu 11 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, divulgada em abril. Nos últimos 12 meses, cresceu mais de 22 pontos percentuais. No mesmo período, a avaliação negativa caiu pela metade.
A popularidade do presidente também cresceu. Entre os entrevistados, 77,7% aprovam o desempenho pessoal de Lula. Esse índice só é menor que o de janeiro de 2003, quando ele assumiu o cargo. O índice cresceu oito pontos percentuais desde abril.
Força eleitoral
“Sem dúvida, Lula é o principal cabo eleitoral do Brasil hoje”, diz Ricardo Guedes, diretor do Sensus. Ele pondera que “é necessário que o candidato apoiado por ele seja palatável”, mas os números mostram um potencial importante de transferência de votos. Na pesquisa, 15,5% dos entrevistados disseram que o nome apoiado por Lula é “o único em que votariam” para prefeito de suas cidades. Outros 28,6% dizem que o apoio do presidente poderia influenciar seu voto e 30,9% afirmam que depende do candidato. O contingente que não votaria no candidato de Lula de jeito nenhum é de 19,9%. “Normalmente o potencial de transferência de votos de um presidente não passa dos 10%”, diz Guedes.
O Sensus fez várias simulações da eleição presidencial de 2010. Na primeira, pediu aos entrevistados que declarassem seu candidato sem ver nenhuma lista de nomes. Nessa etapa espontânea, Lula obteve 23,4% das indicações. Em segundo lugar, apareceu o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB. Ele teve 6,7%. Outro tucano, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, chegou a 3,3%. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, surgiu em quarto lugar, com 1,9%.
Como Lula não pode ser candidato, seu nome não entrou nos diversos cenários testados pela pesquisa. Eles mostram Serra na liderança, com índices entre 37% e 45%, a depender de quem sejam os adversários. Quando o nome do PSDB é Aécio, o candidato tucano obtém índices entre 18% e 22%. Dilma Rousseff fica atrás de Ciro Gomes (PSB) e Heloísa Helena (PSol) em todas as simulações. Mas seu desempenho melhorou. No início do ano, mal passava de 1% das indicações. Nesta pesquisa, variou entre 8% e 12%, dependendo do cenário.
Exemplo
Ricardo Guedes acredita que o candidato apoiado por Lula crescerá muito durante a campanha presidencial de 2010 e dá como exemplo o quadro de Belo Horizonte. “O governador Aécio Neves tem uma aprovação em torno de 80%. O prefeito Fernando Pimentel também. O candidato lançado por eles (Márcio Lacerda, do PSB) iniciou a campanha com 3% e hoje tem chances de vencer no primeiro turno. A transferência de votos ocorre durante a campanha.”
A pesquisa traz mais um dado preocupante para a oposição. Nada menos que 75,3% dos entrevistados disseram que votariam em um candidato que mantivesse os programas sociais do governo Lula, como o Bolsa Família.
A pesquisa foi feita por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e realizada entre 15 e 19 de setembro. Foram feitas 2 mil entrevistas em 136 municípios de cinco estados. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Leia: íntegra da pesquisa CNT, mais comentário no Blog do Krieger
Inflação é o grande problema
Os brasileiros sentiram a volta da inflação, mas ela não foi suficiente para quebrar o clima de otimismo. A pesquisa Sensus mostra que 81,1% dos entrevistados acreditam que os preços subiram ao longo de 2008. Para 69,2%, o que mais doeu no bolso foi o preço dos alimentos. Os números são mais altos que os de uma pesquisa semelhante, realizada em fevereiro de 2004.
Apesar disso, a avaliação da economia e a expectativa para os próximos meses é positiva. Para 52,9%, o nível de emprego melhorou no país nos últimos seis meses. E 59,2% acreditam que vai melhorar ainda mais no próximo semestre. Apenas 11,7% esperam que o mercado de trabalho piore.
Os brasileiros também esperam mais dinheiro no bolso. Para 36,2%, a renda mensal aumentou nos últimos seis meses, enquanto 42,7% dizem que ficou igual e 19,8% reclamam que diminuiu. Na projeção para os próximos seis meses, 55,5% acreditam em melhoria. Os pessimistas são 8,8%.
O clima de otimismo se estende às questões sociais. Para 57,9%, o atendimento à saúde vai melhorar em seis meses. Os que esperam evolução na educação chegam a 60,5%. A segurança pública é o ponto mais complicado: para 46,5%, ela piorou no último semestre, enquanto 24,4% viram progresso. Mas mesmo nessa área, 50,3% esperam que as coisas evoluam positivamente no futuro.
Repercussão
Em Nova York, onde lançou um programa de turismo batizado de Brasil Sensacional, o presidente Lula fez ar de pouco caso para a pesquisa e atribuiu os bons números ao momento positivo do país. “Vocês me conhecem há muito tempo, eu não me abalo com pesquisa nem quando ela está em baixa nem quando ela está em cima. Ela na verdade retrata um momento que você tirou a fotografia da pesquisa. Acho que o Brasil vive um momento bom, de auto-estima, de crescimento. Vamos gerar este ano mais de dois milhões de empregos com carteira assinada”, afirmou, durante entrevista.
