14 candidatos já foram mortos em oito Estados
| Raphael Bruno |
| Jornal do Brasil |
Não é apenas no Rio de Janeiro, onde as Forças Armadas auxiliam na segurança do processo eleitoral, que a violência contra candidatos preocupa. Em muitas cidades pelo interior do país, as eleições viraram caso de polícia. A 11 dias da realização do pleito, 14 candidatos a prefeito e vereador de oito Estados já foram assassinados. Evânio Paulino Feitosa (PR), candidato à prefeitura de Araguarina (MT), município localizado a 562 quilômetros da capital, Cuiabá, foi a vítima mais recente da sombria estatística. De acordo com informações da polícia militar do Estado, que não acredita em motivações políticas para o caso, Evânio foi assassinado a tiros na manhã da segunda-feira passada enquanto tentava separar uma briga. Em outros casos, contudo, a tese de crime político não está descartada. O candidato a vereador em Saboá (PE) Fernando Luiz Soares de Melo (PR) foi assassinado enquanto seguia, acompanhado do filho de 17 anos, para o comitê do partido, logo após um comício do qual fez parte. Fernando foi abordado por dois motoqueiros que, armados, os deitaram no chão e executaram o político com um tiro na nuca. Os criminosos nada fizeram ao jovem.
Índio assassinado
Outros quatro casos foram re- gistrados em Pernambuco. O candidato à prefeito em Itaquitinga Sérgio Ricardo de Souza (PSB), e os candidatos a vereador Lourivaldo Felix Vieira (PTB), em Terezinha, Leonardo Alves Marinho (PSDB), em Camutanga, e Mozenir Araújo de Sá (PT), em Cabrobó. Este último, por sinal, era integrante da tribo Truká e um dos líderes da comunidade indígena na região. O Conselho Indigenista Missionário acredita em crime político. Desde 2006, pelo menos, a Justiça Federal investiga denúncias de casos de assassinatos de índios Truká por parte de policiais militares locais. Em Águas Lindas (GO), o candidato a vereador José Venceslau (PP) foi alvejado por tiros enquanto distribuía panfletos durante um comício. Em Bela Vista (MS), o candidato à reeleição à Câmara Municipal Flávio Roberto Godoy (PDT) foi assassinado quando chegava a um comício de sua coligação. Há ainda os casos do candidato a vereador em Mesquita (RJ) Gilson Gonçalves de Carvalho (PSDB), mais dois assassinatos no interior do Pará, um no interior de São Paulo e outros dois na Paraíba.
Tropas federais
O Tribunal Superior Eleitoral não mantém a contabilidade dos candidatos assassinados na campanha, mas informa que, ao todo, já morreram, até o dia 1º de setembro, 89, sem precisar o motivo. Na noite de segunda-feira, o tribunal autorizou o envio de forças federais para auxiliar na segurança das eleições em mais 13 cidades do Amazonas. No total, o número das cidades que podem contar com a ajuda do Exército sobe para 112 em oito Estados. Contudo, com exceção do caso do Rio de Janeiro, as intervenções autorizadas pelo tribunal ficam subordinadas à orientação dos tribunais regionais eleitorais e dizem respeito a procedimentos de segurança limitados ao dia da eleição.
