Eleitor quer emprego
| Gustavo Krieger e Lucio Vaz |
| Correio Braziliense |
Pesquisa aponta: os brasileiros esperam que prefeitos dêem prioridade à criação de postos de trabalho e exigem honestidade dos candidatos
A prioridade dos prefeitos eleitos no próximo domingo deve ser a geração de empregos. Essa é a conclusão da pesquisa feita ontem pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os entrevistados elencaram duas áreas de atuação que consideram fundamentais para quem vencer as eleições municipais. O emprego foi apontado em primeiro lugar por 35% e em segundo por outros 10%. Logo depois, apareceu a saúde. Ela é a principal preocupação de 23% dos pesquisados e foi a segunda resposta de outros 25%.
O Ibope também pediu aos entrevistados que apontassem as duas principais qualidades que buscam nos candidatos. Em primeiro lugar, veio a honestidade, mencionada por 56%. Depois vieram competência, conhecimento dos problemas do município, experiência e fidelidade às promessas de campanha.
Outra conclusão da pesquisa foi que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pesa menos do se imagina. Chamados a apontar dois fatores que pesaram a decisão do voto, apenas 8% mencionaram Lula e 6% falaram do governador de seu estado. O item mais citado, mencionado por 54%, foram as propostas dos candidatos.
Reeleição
O troca-troca de partido, os gastos de campanha e o volume de investimentos públicos tiveram pouca influência na reeleição dos prefeitos em 2000 e 2004. Os fatores que mais influenciaram os resultados eleitorais foram o grau de instrução, a idade dos prefeitos candidatos e o resultado social dos gastos públicos. Esses dados foram revelados por estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com base em comparações entre grupos de prefeitos reeleitos e não-reeleitos.
A média de gastos dos prefeitos reeleitos em 2004 foi de R$ 193 mil, contra R$ 198 mil dos não-reeleitos. O estudo revelou que o grupo vitorioso teve um percentual de troca de partido menor nos dois pleitos, mas a variação é pouco significativa. Entre os reeleitos, 27,8% trocaram de partido em 2000 e 29,9% em 2004. No grupo que foi derrotado, o percentual de troca foi de 30,5% e 32% em 2000 e 2004, respectivamente.
No troca-troca partidário, as legendas que mais receberam candidatos em 2002 foram o PFL (257) e o PSDB (240). Em 2004, esses partidos mantiveram as primeiras posições — PFL com 93 e PSDB com 160. Na maioria dos casos, segundo o estudo, os prefeitos trocaram de partido para estar no mesmo partido do governador do estado, o que não garantiu uma melhor posição quanto à sua reeleição. Dos prefeitos reeleitos em 2004, 34% eram do partido do governo estadual. Entre os que tentaram e não conseguiram a reeleição, 26% não pertenciam ao mesmo partido do governador. A influência do governo federal é pouco significativa — 5% dos reeleitos eram do partido do presidente em 2004, enquanto 4,5% dos não-reeleitos eram desse partido.
Aprovação de Lula ainda maior
A pesquisa CNI/Ibope confirmou o crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A forma como ele governa o país foi aprovada por 80% dos entrevistados, oito pontos a mais que o registrado na pesquisa anterior, de junho. A desaprovação caiu sete pontos e hoje é de 17%. A melhoria da imagem do governo coincide com uma visão mais otimista dos brasileiros em relação ao país e à economia, apesar do repique da inflação e da crise financeira internacional.
O Ibope usa vários indicadores para avaliar Lula e sua administração. Os índices aumentaram em todos. A confiança no presidente subiu cinco pontos e chegou a 73%, o mais alto patamar dos últimos cinco anos. A avaliação do governo também melhorou. Para 69% dos entrevistados, ele é bom ou ótimo. Esse percentual é o maior desde a posse de Lula e subiu 11 pontos em relação à pesquisa anterior. Para 23%, a administração federal é regular. Apenas 8% a consideram ruim ou péssima.
Sustentação
O Nordeste continua a ser a principal base de sustentação para Lula. A aprovação dele chega a 92% na região. Mas ele ganhou terreno mesmo em locais onde enfrentava grande resistência. No Sul, a aprovação chegou a 77%. A popularidade do presidente é maior entre os brasileiros com renda familiar até dois salários mínimos e com o ensino fundamental. Mas em nenhuma faixa ele ficou abaixo dos 50% de aprovação.
A pesquisa mostra os brasileiros otimistas. Para 84%, o ano de 2008 foi bom ou muito bom. A expectativa para os próximos seis meses também melhorou em relação à medida em junho, mesmo em áreas que provocam maior preocupação, como a economia. O contingente de brasileiros que espera aumento na inflação baixou de 65% para 55%. Por outro lado, 40% espera ter um aumento na renda pessoal ao longo do semestre, enquanto 42% acham que nada vai mudar e apenas 9% temem ficar com menos dinheiro no bolso.
As principais áreas do governo continuam bem avaliadas. As políticas de combate à pobreza têm aprovação de 67% e o combate ao desemprego, de 60%. Ao contrário do registrado na pesquisa anterior, a maioria (52%) dos entrevistados concorda com as estratégias de combate à inflação. Os problemas continuam a ser a política de juros, condenada por 55%, e a de impostos, rejeitada por 59%.
