Promessas de investimento
| Renata Mariz |
| Correio Braziliense |
Pesquisadores que receberão R$ 21 milhões para trabalhos de terapia celular serão conhecidos na próxima semana. Governo garante mais apoio
A primeira linhagem brasileira de células-tronco retiradas de embriões humanos, feito inédito obtido por um grupo de cientistas da Universidade de São Paulo (USP), trouxe novo fôlego para as pesquisas no país. Boas expectativas, agora, são o que não falta. Só em 2008, o governo federal vai investir R$ 21 milhões na área da terapia celular. O dinheiro será repassado por meio de dois editais, semelhantes ao que destinou R$ 250 mil, em 2005, para a equipe da USP. Uma das chamadas públicas já foi encerrada. Os projetos aprovados serão anunciados na próxima semana. O outro edital ainda está com inscrições abertas. A verba é dos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, comemorou ontem os resultados da equipe da USP, ressaltando o potencial do Brasil na área. “Temos todas as condições de competir com os países mais desenvolvidos do mundo no desenvolvimento de novas tecnologias para tratamento das doenças crônicas”, disse o ministro, que retorna hoje ao país, depois de cinco dias em Washington (EUA), onde foi eleito presidente do Conselho Diretor da Organização Panamericana de Saúde (OPAS).
Uma Rede Nacional de Terapia Celular, que funcionará de forma virtual, sem espaço físico, é o principal projeto do governo federal para a área da genética. Haverá uma comissão formada por representantes dos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde, dos financiadores e da comunidade científica para coordenar os trabalhos. Para Lygia da Veiga Pereira, a idéia da rede é interessante, pois facilitará a troca de informações entre os pesquisadores.
Dentro do projeto da rede, haverá a construção de seis laboratórios chamados de salas limpas, devido ao rigoroso controle de contaminação. As salas serão construídas em cidades onde há grupos que já trabalham com pesquisas na área de terapia celular, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Os primeiros aportes, de acordo com o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, serão feitos ainda este ano, para iniciar a construção dos laboratórios. Mas eles só devem ficar prontos para serem utilizados no fim do ano que vem.
Esperança
Os grupos da sociedade civil que podem se beneficiar das pesquisas acompanham atentamente as descobertas. E muitas vezes sabem dos avanços antes mesmo de eles se tornarem públicos. A notícia da primeira linhagem brasileira foi comemorada. “É o reconhecimento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal, ao liberar as pesquisas, foi acertada. Ficamos entusiasmados, mesmo sabendo que é apenas um primeiro passo. Pois sabemos das dificuldades, inclusive burocráticas, para se fazer pesquisa aqui”, destaca Gabriela Costa, coordenadora do Movimento em Prol da Vida (Movitae) no Distrito Federal.
É o reconhecimento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal, ao liberar as pesquisas, foi acertada
Gabriela Costa, coordenadora do Movimento em Prol da Vida (Movitae) no DF
