Correio Braziliense

Eleitor pergunta aos concorrentes à prefeitura o que eles farão para gerar oportunidades de trabalho na cidade. Prefeito candidato à reeleição diz que saída está na agroindústria. Adversários têm outras propostas   Geraldo Menes Ferreira, 55 anos, vende picolés e sorvetes sob o forte sol de Unaí, cidade do Entorno distante 164km de Brasília. Vendedor há mais de uma década, ele fica em frente à rodoviária da cidade, ponto fixo de seu trabalho, onde usa a sombra da parada de ônibus e a cadeira dobrável para descansar da rotina de trabalho, que começa às 9h e vai até às 17h. Por conta de um problema na coluna, é o patrão quem traz a mercadoria e recolhe o carrinho no fim do expediente. “Eles (médicos) falaram que quando a gente vai ficando de idade, a coluna vai gastando”, explica o vendedor.

Ferreira não tem carteira assinada e fala que a situação é a mesma para muitos trabalhadores de Unaí. Ele critica a falta de emprego e conta que muitos deixam o município para encontrar melhor emprego em Brasília. Foi justamente o que ele fez na década de 90, quando se mudou para o Distrito Federal em busca de trabalho. “Quando a gente está desempregado, tem que correr atrás”, justifica. Com carteira assinada, trabalhou como assistente de pedreiro e vendedor. Morou em Ceilândia, Taguatinga e Santo Antônio do Descoberto antes de decidir voltar para Unaí.

Lavoura A idade e a baixa escolaridade são apontadas como desvantagens pelo sorveteiro, que estudou até o primeiro ano do Ensino Fundamental. “Eles não querem pegar o idoso, acham que não tem mercado de trabalho pra gente”, afirma. Ferreira acredita que antigamente o pouco ensino não alterava as chances de conseguir um emprego. Pelo menos isso nunca o atrapalhou na lavoura, onde trabalhou boa parte do tempo. Aliás, é na produção agrícola que Unaí se destaca entre as cidades mineiras.

A agropecuária é a base da economia da cidade, maior produtora de soja do estado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui a segunda maior área destinada à colheita em Minas Gerais (só perde para Uberaba) e ocupa a 27ª colocação entre os maiores produtores agrícolas do país.

O sorveteiro não pretende voltar para a zona rural. Ferreira conta que a rotina no campo é muito mais cansativa do que na cidade e com menos oportunidades de emprego. Mas não foi fácil assumir o novo trabalho. “Eu era acostumado com o serviço braçal e achava que vender picolé era o fim do mundo”. Há pouco tempo, teve a chance de ter carteira assinada, para trabalhar como guarda noturno, mas recusou a oferta. “Disseram que ia ser bom pra mim, mas (o salário) era pouco, não dava nem para pagar minhas despesas”, afirma o sorveteiro, que ganha cerca de R$ 350 por mês.

O Correio levou aos três candidatos à Prefeitura a pergunta sobre o que propõem em relação à geração de empregos na cidade.    O eleitor pergunta

Quais são as propostas do senhor para a geração de empregos em Unaí? Geraldo Menes Ferreira, 55 anos

Antério Mânica (PSDB) Temos condições de instalar indústrias de transformação dos produtos agropecuários em Unaí. Hoje a cidade é a maior produtora de grãos do estado de Minas Gerais e, assim, temos produtos para alimentar aves, suínos e bovinos. Acredito que a agroindustrialização é o caminho para Unaí. Isso vai gerar trabalhos tanto na área rural como na zona urbana, movimentando o comércio, que já tem sua força no município.

José Braz (PMDB) Queremos investir na pequena indústria, haja vista que não temos matéria-prima para uma de grande porte. Pretendo fortalecer a agricultura, mantendo convênio com a Emater para que com palestras e assistência técnica mantenha o homem no campo. Nosso objetivo é ao invés de deixar que o pequeno produtor venha do campo para a cidade inchar as fileiras do desemprego, levar o homem daqui para o campo. 

Valdivino Guimarães (PRB) Vamos criar uma incubadora de empresas, que funcionará como mola propulsora e facilitará o surgimento de novos empresários na cidade. Quero incentivar a formação de associações de pequenos produtores e a criação de cooperativas dos nossos micro e pequenos empresários, para que eles tenham capacidade de crescimento e desenvolvimento. Unaí falta ser industrializada. Podemos, por exemplo, procurar uma indústria esmagadora de soja, produzindo o óleo de soja e gerando emprego e renda para o povo.

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Falta emprego na mineira Unaí

Publicado: 3/10/2008 | 12:08


Correio Braziliense

Eleitor pergunta aos concorrentes à prefeitura o que eles farão para gerar oportunidades de trabalho na cidade. Prefeito candidato à reeleição diz que saída está na agroindústria. Adversários têm outras propostas
 
Geraldo Menes Ferreira, 55 anos, vende picolés e sorvetes sob o forte sol de Unaí, cidade do Entorno distante 164km de Brasília. Vendedor há mais de uma década, ele fica em frente à rodoviária da cidade, ponto fixo de seu trabalho, onde usa a sombra da parada de ônibus e a cadeira dobrável para descansar da rotina de trabalho, que começa às 9h e vai até às 17h. Por conta de um problema na coluna, é o patrão quem traz a mercadoria e recolhe o carrinho no fim do expediente. “Eles (médicos) falaram que quando a gente vai ficando de idade, a coluna vai gastando”, explica o vendedor.

Ferreira não tem carteira assinada e fala que a situação é a mesma para muitos trabalhadores de Unaí. Ele critica a falta de emprego e conta que muitos deixam o município para encontrar melhor emprego em Brasília. Foi justamente o que ele fez na década de 90, quando se mudou para o Distrito Federal em busca de trabalho. “Quando a gente está desempregado, tem que correr atrás”, justifica. Com carteira assinada, trabalhou como assistente de pedreiro e vendedor. Morou em Ceilândia, Taguatinga e Santo Antônio do Descoberto antes de decidir voltar para Unaí.

Lavoura
A idade e a baixa escolaridade são apontadas como desvantagens pelo sorveteiro, que estudou até o primeiro ano do Ensino Fundamental. “Eles não querem pegar o idoso, acham que não tem mercado de trabalho pra gente”, afirma. Ferreira acredita que antigamente o pouco ensino não alterava as chances de conseguir um emprego. Pelo menos isso nunca o atrapalhou na lavoura, onde trabalhou boa parte do tempo. Aliás, é na produção agrícola que Unaí se destaca entre as cidades mineiras.

A agropecuária é a base da economia da cidade, maior produtora de soja do estado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui a segunda maior área destinada à colheita em Minas Gerais (só perde para Uberaba) e ocupa a 27ª colocação entre os maiores produtores agrícolas do país.

O sorveteiro não pretende voltar para a zona rural. Ferreira conta que a rotina no campo é muito mais cansativa do que na cidade e com menos oportunidades de emprego. Mas não foi fácil assumir o novo trabalho. “Eu era acostumado com o serviço braçal e achava que vender picolé era o fim do mundo”. Há pouco tempo, teve a chance de ter carteira assinada, para trabalhar como guarda noturno, mas recusou a oferta. “Disseram que ia ser bom pra mim, mas (o salário) era pouco, não dava nem para pagar minhas despesas”, afirma o sorveteiro, que ganha cerca de R$ 350 por mês.

O Correio levou aos três candidatos à Prefeitura a pergunta sobre o que propõem em relação à geração de empregos na cidade. 

 
O eleitor pergunta

Quais são as propostas do senhor para a geração de empregos em Unaí?
Geraldo Menes Ferreira, 55 anos

Antério Mânica (PSDB)
Temos condições de instalar indústrias de transformação dos produtos agropecuários em Unaí. Hoje a cidade é a maior produtora de grãos do estado de Minas Gerais e, assim, temos produtos para alimentar aves, suínos e bovinos. Acredito que a agroindustrialização é o caminho para Unaí. Isso vai gerar trabalhos tanto na área rural como na zona urbana, movimentando o comércio, que já tem sua força no município.

José Braz (PMDB)
Queremos investir na pequena indústria, haja vista que não temos matéria-prima para uma de grande porte. Pretendo fortalecer a agricultura, mantendo convênio com a Emater para que com palestras e assistência técnica mantenha o homem no campo. Nosso objetivo é ao invés de deixar que o pequeno produtor venha do campo para a cidade inchar as fileiras do desemprego, levar o homem daqui para o campo. 

Valdivino Guimarães (PRB)
Vamos criar uma incubadora de empresas, que funcionará como mola propulsora e facilitará o surgimento de novos empresários na cidade. Quero incentivar a formação de associações de pequenos produtores e a criação de cooperativas dos nossos micro e pequenos empresários, para que eles tenham capacidade de crescimento e desenvolvimento. Unaí falta ser industrializada. Podemos, por exemplo, procurar uma indústria esmagadora de soja, produzindo o óleo de soja e gerando emprego e renda para o povo.