Homem leva tiro no Alvorada
| Lívia Nascimento |
| Correio Braziliense |
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Mesmo após os dois avisos do guarda que fazia a vigilância na residência oficial do presidente Lula, um homem que se identificou como Denis continuou a avançar pelo jardim. O sentinela disparou a arma de calibre .12 e atingiu a perna do invasor. Levado para o Hospital de Base, o desconhecido passou por uma cirurgia de seis horas e está em observação. O episódio ocorreu por volta das 7h. Lula e dona Marisa estavam em São Bernardo do Campo (SP), onde votaram nas eleições municipais. Segurança Invasor chegou a 500m da casa presidencial, mas foi atingido na perna por um tiro de arma calibre .12. O desconhecido passou por uma cirurgia vascular no Hospital de Base, onde ficará em observação
Ele conseguiu chegar ao jardim interno, que fica a aproximadamente 500m da residência, e só parou de andar em direção ao palácio quando um sentinela disparou uma arma calibre .12 contra sua perna direita. O homem se identificou como Denis, mas não portava nenhum documento que comprovasse a identidade. O episódio teria ocorrido por volta das 7h, quando Denis, aparentando estar alcoolizado, tentou entrar na área, considerada de segurança nacional. De acordo com o GSI, o único guarda que fazia a segurança no portão cumpriu o protocolo e fez uma primeiramente um advertência verbal. Em seguida, deu um tiro para o alto. Só depois que os dois avisos foram ignorados, o sentinela disparou contra Denis, atingindo a panturrilha (ou barriga da perna). O serviço médico do Palácio do Planalto prestou os primeiros atendimentos ao invasor, que logo depois foi encaminhado para o Hospital de Base, onde deu entrada no centro cirúrgico para a retirada da bala. O coronel Homero Zanotta, assessor de imprensa do GSI explicou que o guarda cumpriu todos os procedimentos indicados para a situação. “O pessoal de serviço tem a missão de impedir o acesso de pessoas não autorizadas ao Alvorada e o sentinela desempenhou seu dever impedindo a invasão”, disse. Como a área que cerca a residência oficial é considerada de segurança nacional, o caso será investigado pela Polícia Federal, que esteve no local, ainda na manhã de ontem, para realizar a perícia. Serão instaurados dois inquéritos: um policial-militar, sob a responsabilidade do Exército, para investigar a ação do sentinela; e outro policial federal — para apurar as circunstâncias do episódio. Atendimento Após a cirurgia, que durou mais de seis horas, foi montado esquema de segurança por agentes da PF na porta do centro. Segundo o chefe da equipe, o rapaz estava lúcido na hora do atendimento. Em relação às suspeitas de que o invasor estaria perturbado ou alcoolizado, o médico afirmou que foi feita coleta de material para exame que comprovará se houve uso de bebida alcoólica ou não por parte do paciente. A arma usada pelo guarda é considerada ideal para o uso policial, indicada para situações nas quais a confiabilidade seja fundamental para intimidar o oponente em razão de seu alto poder de fogo, da capacidade de armazenamento de cartuchos, bem como de sua rapidez de tiro. Na hora da tentativa de invasão do Alvorada, o presidente Lula e a primeira-dama estavam em São Bernardo do Campo (SP), onde votaram nas eleições municipais. A identidade do invasor não havia sido divulgada pela polícia até o fechamento desta edição. Nenhum familiar procurou o desconhecido. para saber mais A arma de calibre .12 tem apenas um cano de 19 polegadas e capacidade de até oito tiros. Ela pode disparar cartuchos carregados com esferas de chumbo, balote e outros tipos de cartuchos policiais antidistúrbio. O comprimento do cano é indicado para o uso em viaturas policiais e em outros locais de dimensões restritas. É um tipo de arma que permite maior agilidade de manuseio em operações rápidas. Em sua versão com cano de 24 polegadas, é liberada para o uso civil, sendo a arma adotada na maioria das vezes na defesa residencial e patrimonial. Trata-se de uma arma usada em situações que têm como objetivo principal promover a intimidação do oponente, como ocorreu no episódio do Alvorada. Ela é adotada por forças policiais de diversos países, em razão do alto poder de fogo. Memória Nos últimos 19 anos houve pelo menos três tentativas de invasão do Palácio do Planalto, e a de ontem, no Palácio da Alvorada, parece ter sido a única no período. Todas motivadas por insatisfação com o governo. Em 20 de setembro do ano passado, o lavrador Ângelo de Jesus, 37 anos, de Pindobaçu (BA), tentou invadir o Palácio do Planalto para, segundo ele, conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O homem acabou detido por seguranças quando se dirigia aos elevadores, depois de “driblar” a revista obrigatória e o detector de metais. Nervoso, acabou algemado por policiais militares e encaminhado ao Hospital Regional da Asa Norte. O lavrador disse que não comia havia quatro dias e precisava da ajuda do presidente Lula. Além de desempregado, afirmou sofrer de hanseníase. Ele viajou a Brasília, pedindo carona e esmola, para denunciar a corrupção nas prefeituras da Bahia e “salvar” o estado, governado pelo petista Jaques Wagner. Informado do fato, o presidente destacou um médico e um funcionário da Presidência para acompanhar o atendimento ao lavrador, que foi transferido para o Hospital das Forças Armadas. No dia seguinte, o homem foi recebido, no Palácio do Planalto, por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro foi registrado em pelo menos duas fotos, que Jesus levou de lembrança de sua breve e conturbada passagem pela capital do país. Em 22 de março de 1991, durante a cerimônia de descida da rampa, o então presidente Fernando Collor foi surpreendido com a prisão de um homem que partiu para cima dele armado com uma faca de cozinha. O pernambucano José Daionisio Pereira, 33 anos, foi detido pelos seguranças ao tentar se aproximar do local onde se encontrava o presidente. Na polícia, ele negou que quisesse matar Collor declarando que desejava apenas assustá-lo e chamar a sua atenção para o fato de estar desempregado. O espelho d’água em frente e na lateral direita do Palácio do Planalto foi construído em regime de urgência há 17 anos, depois que Antônio Gomes, motorista da Viação Planeta, invadiu o prédio com o ônibus e parou a 15m do gabinete presidencial, situado no segundo andar. Era 30 de maio de 1989. Faltavam quatro meses para a eleição e a popularidade do presidente José Sarney estava em baixa. Ao ser abordado pela segurança, Antônio Gomes saiu do ônibus pedindo desculpa e dizendo que foi uma “barbeiragem”. O motorista alegou à Polícia Federal estar insatisfeito com as medidas econômicas adotadas por Sarney. |
