Fonte: Contas Abertas; intertítulos do Diap

Não existe relação entre o patrimônio do candidato e sua capacidade de gestão, avalia economista

O resultado da apuração das urnas no segundo turno nas capitais brasileiras mostrou que, entre os candidatos eleitos ontem, o mais rico do país ganhou em Belo Horizonte. Marcio Lacerda (PSB), apoiado pelo PSDB de Aécio Neves e por Fernando Pimentel, petista e atual prefeito da capital mineira, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio na ordem de R$ 55,5 milhões.

 

Já o candidato eleito nas capitais, no segundo turno, mais pobre, é Eduardo Paes (PMDB). O próximo prefeito do Rio declarou ter bens em seu nome no valor de R$ 390,4 mil. No total, o patrimônio dos 22 vencedores e perdedores do segundo turno nas capitais do País soma R$ 116 milhões.

 

Lacerda, com 62 anos, é empresário do ramo das telecomunicações e declarou ao TSE possuir saldo de R$ 32,4 milhões aplicados em um fundo bancário, cotas da Empresa Macunaíma Participações, que somam R$ 18,8 milhões, e uma casa situada no condomínio Retiro das Pedras, no valor de R$ 3,4 milhões. Além disso, o prefeito eleito em Belo Horizonte declara ter o total de R$ 735 mil aplicados em outro fundo de investimento e mais R$ 55 mil divididos entre duas contas bancárias.

 

Dedicação ao serviço público

Ao ser questionado se o fato de ser tão rico poderia trazer-lhe dificuldades para compreender a vida na periferia da cidade, Lacerda afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de Minas, que seu dinheiro é uma reserva que a qualquer momento poderá se transformar em uma outra empresa para seus filhos.

 

“Esse dinheiro eu tenho porque vendi minhas empresas. Não quis mais ser empresário para poder me dedicar ao serviço público”. Segundo Márcio Lacerda, o que o realiza hoje é o serviço público. “Estando na prefeitura de Belo Horizonte, vou me sentir realizado como ser humano”, garante o prefeito mais rico do Brasil.

 

Paes, por sua vez, 38 anos de idade e bacharel em direito, declarou ter cinco salas (duas em construção), que somam R$ 322,2 mil, um Corolla Fielder 2005 no valor de R$ 64 mil e R$ 3,8 mil depositado em duas contas correntes. De acordo com o registro do TSE, 50% de duas dessas salas, localizadas na rua da Assembléia, foram doadas pelo pai em 1987.

 

Patrimônio x gestão

De acordo com Roberto Ellery, professor e economista da Universidade de Brasília, a iniciativa dos candidatos de divulgar informações sobre o patrimônio financeiro é louvável. "Qualquer medida que traga mais informações aos eleitores é potencialmente boa”, avalia.

 

E segue: “Quanto maior o volume de informações disponíveis melhor será a decisão do eleitor", entende. Mas Ellery acredita que o ideal seria o TSE comparar as declarações com o declarado no imposto de renda dos candidatos antes de divulgá-las.

 

O economista afirma que não existe relação entre o patrimônio do candidato e sua capacidade de gestão. "É de se esperar que o patrimônio esteja relacionado à atividade desempenhada pelo candidato antes de entrar na vida pública ou à existência de heranças. Entretanto, creio que o eleitor deve estar atento a incongruências entre o patrimônio declarado e a vida pregressa do candidato", adverte.

 

Segundo Ellery, um cidadão de classe média que acumula um grande patrimônio após entrar na política, sem que tenha recebido heranças ou que desempenhe alguma atividade no setor privado que justifique o patrimônio, deve ser cuidadosamente avaliado pelo eleitor.

 

"O tamanho do patrimônio não é um problema em si", lembra o economista. "A questão fundamental é que a origem do patrimônio possa ser explicada. Quando o ocupante do cargo público não consegue explicar a origem de seu patrimônio quebra-se a relação de confiança com a comunidade. Se este fenômeno se torna generalizado, o cinismo passa a dominar a cena política e a maior vítima é a democracia", conclui.

 

Mais pobres perdem eleições

De longe, o atual deputado Fernando Gabeira (PV/RJ) era o candidato que detinha o menor patrimônio declarado dentre os que disputaram o cargo de prefeito nas capitais brasileiras no segundo turno – R$ 54 mil reais.

 

Derrotado à prefeitura do Rio, Gabeira declara a posse de duas motocicletas de 650 cilindradas, cada uma no valor de R$ 10,9 mil, e R$ 32,1 mil em fundo de investimentos.

 

Maria do Rosário (PT), derrotada em Porto Alegre por José Fogaça (PMDB), também foi uma das candidatas no segundo turno com menos patrimônio. Segundo o TSE, os bens da petista somam R$ 335,7 mil.

 

Outros candidatos que não venceram no segundo turno também declaram patrimônios relativamente baixos se comparados aos demais. Camilo Capiberibe (PSB/AP), com R$ 80 mil, e Serafim Côrrea (PSB/AM), R$ 108 mil.

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Plutocracia: candidatos mais ricos vencem pleito municipal

Publicado: 28/10/2008 | 09:10


Fonte: Contas Abertas; intertítulos do Diap

Não existe relação entre o patrimônio do candidato e sua capacidade de gestão, avalia economista

O resultado da apuração das urnas no segundo turno nas capitais brasileiras mostrou que, entre os candidatos eleitos ontem, o mais rico do país ganhou em Belo Horizonte. Marcio Lacerda (PSB), apoiado pelo PSDB de Aécio Neves e por Fernando Pimentel, petista e atual prefeito da capital mineira, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio na ordem de R$ 55,5 milhões.

 

Já o candidato eleito nas capitais, no segundo turno, mais pobre, é Eduardo Paes (PMDB). O próximo prefeito do Rio declarou ter bens em seu nome no valor de R$ 390,4 mil. No total, o patrimônio dos 22 vencedores e perdedores do segundo turno nas capitais do País soma R$ 116 milhões.

 

Lacerda, com 62 anos, é empresário do ramo das telecomunicações e declarou ao TSE possuir saldo de R$ 32,4 milhões aplicados em um fundo bancário, cotas da Empresa Macunaíma Participações, que somam R$ 18,8 milhões, e uma casa situada no condomínio Retiro das Pedras, no valor de R$ 3,4 milhões. Além disso, o prefeito eleito em Belo Horizonte declara ter o total de R$ 735 mil aplicados em outro fundo de investimento e mais R$ 55 mil divididos entre duas contas bancárias.

 

Dedicação ao serviço público

Ao ser questionado se o fato de ser tão rico poderia trazer-lhe dificuldades para compreender a vida na periferia da cidade, Lacerda afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de Minas, que seu dinheiro é uma reserva que a qualquer momento poderá se transformar em uma outra empresa para seus filhos.

 

“Esse dinheiro eu tenho porque vendi minhas empresas. Não quis mais ser empresário para poder me dedicar ao serviço público”. Segundo Márcio Lacerda, o que o realiza hoje é o serviço público. “Estando na prefeitura de Belo Horizonte, vou me sentir realizado como ser humano”, garante o prefeito mais rico do Brasil.

 

Paes, por sua vez, 38 anos de idade e bacharel em direito, declarou ter cinco salas (duas em construção), que somam R$ 322,2 mil, um Corolla Fielder 2005 no valor de R$ 64 mil e R$ 3,8 mil depositado em duas contas correntes. De acordo com o registro do TSE, 50% de duas dessas salas, localizadas na rua da Assembléia, foram doadas pelo pai em 1987.

 

Patrimônio x gestão

De acordo com Roberto Ellery, professor e economista da Universidade de Brasília, a iniciativa dos candidatos de divulgar informações sobre o patrimônio financeiro é louvável. "Qualquer medida que traga mais informações aos eleitores é potencialmente boa”, avalia.

 

E segue: “Quanto maior o volume de informações disponíveis melhor será a decisão do eleitor", entende. Mas Ellery acredita que o ideal seria o TSE comparar as declarações com o declarado no imposto de renda dos candidatos antes de divulgá-las.

 

O economista afirma que não existe relação entre o patrimônio do candidato e sua capacidade de gestão. "É de se esperar que o patrimônio esteja relacionado à atividade desempenhada pelo candidato antes de entrar na vida pública ou à existência de heranças. Entretanto, creio que o eleitor deve estar atento a incongruências entre o patrimônio declarado e a vida pregressa do candidato", adverte.

 

Segundo Ellery, um cidadão de classe média que acumula um grande patrimônio após entrar na política, sem que tenha recebido heranças ou que desempenhe alguma atividade no setor privado que justifique o patrimônio, deve ser cuidadosamente avaliado pelo eleitor.

 

"O tamanho do patrimônio não é um problema em si", lembra o economista. "A questão fundamental é que a origem do patrimônio possa ser explicada. Quando o ocupante do cargo público não consegue explicar a origem de seu patrimônio quebra-se a relação de confiança com a comunidade. Se este fenômeno se torna generalizado, o cinismo passa a dominar a cena política e a maior vítima é a democracia", conclui.

 

Mais pobres perdem eleições

De longe, o atual deputado Fernando Gabeira (PV/RJ) era o candidato que detinha o menor patrimônio declarado dentre os que disputaram o cargo de prefeito nas capitais brasileiras no segundo turno – R$ 54 mil reais.

 

Derrotado à prefeitura do Rio, Gabeira declara a posse de duas motocicletas de 650 cilindradas, cada uma no valor de R$ 10,9 mil, e R$ 32,1 mil em fundo de investimentos.

 

Maria do Rosário (PT), derrotada em Porto Alegre por José Fogaça (PMDB), também foi uma das candidatas no segundo turno com menos patrimônio. Segundo o TSE, os bens da petista somam R$ 335,7 mil.

 

Outros candidatos que não venceram no segundo turno também declaram patrimônios relativamente baixos se comparados aos demais. Camilo Capiberibe (PSB/AP), com R$ 80 mil, e Serafim Côrrea (PSB/AM), R$ 108 mil.