Militares terão reajuste
Correio Braziliense
Ministros do Planejamento e da Defesa negociam aumentos salariais de até 27% para a categoria. Presidente Lula quer decisão rápida
O governo retomou ontem, e com intensidade, o debate interno sobre o aumento que será autorizado aos militares. Em um encontro no início da noite, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e do Planejamento, Paulo Bernardo, avaliaram a possibilidade de conceder um robusto reajuste neste ano e outros dois mais modestos em 2009 e 2010. De todas as negociações fechadas pelo Executivo federal até agora, essa é considerada estratégica. A pressão das Forças Armadas se arrasta desde o ano passado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que espera uma solução urgente para o caso.
A reunião entre Jobim e Bernardo partiu de uma proposta antiga elaborada pelo Ministério da Defesa no fim de novembro de 2007. Pelo plano, o aumento seria de 27,62%, com impacto no orçamento estimado em R$ 5,8 bilhões, em 2008, e R$ 8,3 bilhões a partir do próximo ano. Os ministros avaliaram outros percentuais, entre eles 14%, 16% e 17%, considerando as diferenças salariais entre as carreiras militares e as civis de mesmo padrão. Segundo Jobim, nada está definido. “As conversas continuam”, resumiu.
Tão logo resolva essa questão, o governo espera enviar ao Congresso Nacional a proposta de reajuste para os cerca de 800 mil servidores civis. A pedido dos líderes dos partidos da base aliada, o Palácio do Planalto estuda a melhor forma de implementar as mudanças nos contracheques do funcionalismo. Até ontem, a tendência era de mandar aos parlamentares todos os reajustes por meio de projeto de lei e não por medida provisória.
Greves
Mas há outros problemas a serem resolvidos pelo governo. A greve dos auditores da Receita Federal, iniciada no último dia 18, é um dos principais. Apesar das fortes reclamações dos exportadores, no entanto, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, garantiu ontem que a paralisação não prejudica o comércio exterior. “Até agora, não verificamos nenhum impacto. Estamos trabalhando para evitar prejuízos”, disse Rachid. Ele negou que o movimento esteja atrasando as operações de embarque e desembarque de cargas nas principais alfândegas do país.
Segundo a Receita, funcionários que ocupam postos importantes nas aduanas, e que tenham aderido à greve, estão sendo substituídos. Uma liminar concedida pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul impede o corte de ponto, a anotação das faltas na ficha funcional dos auditores ou a abertura de processos disciplinares. A categoria quer equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, que recebem R$ 18 mil por mês. Em média, os auditores ganham R$ 13 mil mensais.
Em Goiás, servidores do Judiciário estadual fizeram ontem uma paralisação de 24 horas. As comarcas de cidades próximas ao Distrito Federal não funcionaram e, em Goiânia, de acordo com o sindicato que representa os servidores, o atendimento ao público foi prejudicado. A reivindicação é de aumento salarial de 100%, abertura de vagas e a construção de sedes judiciais nas cidades onde ainda não há estrutura.
