Haddad vai à Câmara pedir apoio para a criação de 7,8 mil cargos
O Globo
Paulo Renato diz que, em vez de novas vagas, é preciso remanejar professores
O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi ontem à Câmara tentar convencer líderes da oposição a aprovar o projeto que cria 7,8 mil cargos em sua pasta, com custo anual de R$330 milhões. Os oposicionistas prometeram, no início desta semana, obstruir a votação de todos os projetos que impliquem criação de cargos e aumentos de gastos públicos neste momento de crise econômica internacional.
Como argumento, Haddad se comprometeu a entregar aos deputados um cronograma com a previsão de contratação dos novos servidores, pelas universidades federais, a partir da criação dos cargos. Segundo ele, mesmo que o projeto seja aprovado agora, a efetivação demanda longo tempo, pois depende da realização de concursos e treinamento.
No encontro com Haddad, o deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), ex-ministro da Educação, insistiu que o momento exige cautela e sugeriu que o governo remaneje professores, em vez de criar mais cargos agora. Paulo Renato argumentou que, há três meses, o Congresso aprovou a criação de 45 mil cargos para as universidades federais - ainda não preenchidos. O tucano insiste que, mesmo sem a aprovação deste projeto, não haverá falta de professores.
Segundo ele, o custo do aluno universitário no Brasil é alto porque há um professor para cada 11 alunos. Isso ocorre porque muitos professores são efetivos, mas estão fora da sala de aula, fazendo outros cursos ou pesquisa. Em Harvard, nos EUA, disse Paulo Renato, a relação é de 16 alunos por professor:
- No conjunto, não faltam vagas. O ministério pode colocar momentaneamente professores de uma universidade em outra. Aprovamos, há três meses, 45 mil vagas e até agora só 3 mil foram efetivadas por concurso. O que pedimos é que o ministro avalie a real necessidade neste momento de crise.
Haddad, no entanto, saiu confiante. Ele disse que o MEC trabalha para reduzir o custo do aluno e chegar a 18 estudantes por professor:
- Com crise ou sem crise temos que continuar investindo na Educação. Vamos reescalonar a efetivação desses cargos, mas manter nossos compromissos.
O projeto cria 2,8 mil cargos de professor da carreira de magistério superior, 5 mil cargos técnico-administrativos e 600 funções de confiança.
