Para empresários, governo precisa ser mais eficiente
Folha de S. Paulo
Em meio à crise financeira, líderes de grandes empresas criticam gestão pública
Para Jorge Gerdau, setor público segue "como se não houvesse crise"; para ele, governo não faz esforço para aumentar a poupança
Reunidos em São Paulo para discutir a crise financeira global, líderes de grandes empresas, como Jorge Gerdau, presidente do conselho da Gerdau, e Luiza Helena Trajano, superintendente do Magazine Luiza, fizeram críticas ao governo federal e cobraram maior eficiência na gestão pública, em um momento em que o país já sente os efeitos da turbulência internacional.
"No setor público, onde estão 40% do nosso PIB [Produto Interno Bruto], ainda não vi menção no sentido de aumentar a poupança. Crise nós enfrentamos gerenciando escassez. O setor público segue como se não houvesse crise", afirmou Gerdau, primeiro a falar em seminário em São Paulo.
Ele defende um "ajuste na atitude governamental", no sentido de cortar despesas de custeio e de aumentar a capacidade de investimento. "Se não tiver onde investir, que trate de diminuir impostos", afirmou.
Já a superintendente da rede de varejo Magazine Luiza aproveitou a presença do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e pediu agilidade do governo para colocar a reforma trabalhista em pauta.
"Nosso sistema desestimula a produção e desincentiva o emprego", afirmou Trajano. "Se vocês, que têm o apoio dos sindicalistas, não fizerem a reforma, ninguém mais fará."
Mercadante também defendeu maior flexibilização nas relações trabalhistas, mas afirmou que há dificuldades para colocar o assunto na agenda.
"A exigência de governabilidade impõe uma série de limites", disse o senador.
Investimentos
Gerdau e Trajano expressaram apreensão quanto aos efeitos da crise sobre a demanda.
De acordo com a superintendente do Magazine Luiza, esta não é a hora para rever planos de investimento, mas também não é o momento para afirmar que os projetos serão mantidos. "Precisamos aguardar."
Segundo ela, na última semana de outubro o varejo sentiu os efeitos da crise, e houve desaceleração. "Mas, no fim de semana, [o varejo] se recuperou."
O presidente da Nestlé, Ivan Zurita, disse que os investimentos da empresa no Brasil serão mantidos. Ele afirmou que irá anunciar duas aquisições no país até o dia 15 de dezembro. "Claro que precisamos assumir uma nova realidade. Mas não podemos "curtir" a crise. Somos competitivos e precisamos continuar assim."
