Demissões no abc
Correio Braziliense
Funcionários da empresa de autopeças Torque, de Rio Claro, que demitiu 480 trabalhadores esta semana, pediram ajuda à Volkswagen, montadora com a qual a Torque tem contrato até 2014. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e região, José Carlos Borges, o sindicato não concorda com as demissões e pretende mobilizar os funcionários para buscar apoio do poder público municipal e de empresas do porte da Volkswagen para reverter o quadro.
Em nota, a diretoria da Torque informou que vai manter 800 dos 1.280 postos de trabalho. O motivo seria a inviabilidade econômica que provocou a necessidade de modificações operacionais e contratuais para que a metalúrgica consiga sobreviver à crise. De acordo com a assessoria de imprensa da Volkswagen, a Torque é apenas uma das mil fornecedoras da montadora e a decisão sobre questões operacionais compete exclusivamente à diretoria da empresa de Rio Claro.
Segundo o diretor do sindicato, a entidade está preocupada com a manutenção dos postos de trabalho restantes. Os funcionários empregados estão em licença remunerada de 20 dias. Levantamento feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos e divulgado em outubro apontou que ao menos sete empresas do setor de autopeças na região diminuíram o número de horas extras, anunciaram férias coletivas, concederam férias regulares ou deram licença remunerada a seus funcionários no último trimestre deste ano.
Produção em queda
A expectativa é que a situação fique ainda pior. Segundo o Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atividade das indústrias paulistas de outubro deve cair 0,4% no confronto com o mês anterior. Em setembro o índice teve alta de 1,3% em comparação com agosto, na série com ajuste sazonal. De acordo com os dados oficiais, medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expansão do setor foi de 1%.
No comunicado, a FGV e a parceira na pesquisa, a AES Eletropaulo, afirmaram que, no acumulado de 12 meses, “a indústria paulista também registra desaceleração, com uma variação de 8% em outubro frente aos 8,8% de setembro”. O resultado negativo mostrado pelo SPI é uma resposta do setor à crise econômica. A situação é de piora dramática na produção do setor automotivo, motocicletas e bens de capital seriados (máquinas e equipamentos).
Para o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Júlio Sérgio Gomes de Almeida, o problema é que os veículos automotores, sozinhos, foram responsáveis por 1,71 ponto percentual, ou 26% da expansão industrial acumulada de 6,5% de janeiro a setembro deste ano.
