O Globo

Agenda exclui temas polêmicos; será assinado acordo sobre ensino religioso na rede pública  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá hoje sua primeira audiência oficial com o Papa Bento XVI no Vaticano. Na agenda estão temas como paz, direitos humanos, soluções de conflitos, meio ambiente e igualdade de direitos. A assessoria do presidente não descartou a possibilidade de eles conversarem também sobre a crise financeira mundial. Lula será a 68ª autoridade recebida no Vaticano pelo Papa Bento XVI. Nenhum tema controverso, como aborto ou célula-tronco, será discutido. Lula e o Papa já haviam se encontrado em São Paulo, em maio de 2007, na visita do pontífice ao Brasil. Hoje, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o cardeal Dominique Mamberti, secretário para Relações com os Estados da Santa Sé, assinam acordo que trata das atividades da Igreja Católica do Brasil, do ensino religioso nas escolas à isenção de impostos para igrejas. O acordo, segundo a chefe do departamento de Europa do Itamaraty, Maria Edileuza Fontenele Reis, não muda nada na prática: - É um instrumento de natureza essencialmente administrativa, que não vai além do já previsto na Constituição. A embaixadora do Brasil junto ao Vaticano, Vera Machado, e a diretora do Departamento da Europa do Itamaraty, Maria Edileuza Fontenele Reis, garantiram que o documento que será assinado hoje repete o que já é previsto na Constituição: o ensino religioso é facultativo, e pode ser não só para religião católica, e como outras religiões. - Não tem nenhuma malandragem. Se tivesse, meu pescoço é que iria para a forca - disse Maria Edileuza. - O acordo ressalta o caráter laico brasileiro e o tratamento equitativo em relação a outras religiões. Não há nada que fira os interesses nacionais e o ordenamento jurídico brasileiro - explicou a embaixadora. O governo brasileiro não quis incluir no acordo os feriados católicos, como propôs a Santa Sé inicialmente. O motivo, explicou Vera, foi que institucionalizar feriados católicos num acordo discrimina outras religiões e fere o caráter laico do Estado brasileiro.

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Lula tem audiência com Papa hoje no Vaticano

Publicado: 13/11/2008 | 11:00


O Globo

Agenda exclui temas polêmicos; será assinado acordo sobre ensino religioso na rede pública 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá hoje sua primeira audiência oficial com o Papa Bento XVI no Vaticano. Na agenda estão temas como paz, direitos humanos, soluções de conflitos, meio ambiente e igualdade de direitos. A assessoria do presidente não descartou a possibilidade de eles conversarem também sobre a crise financeira mundial. Lula será a 68ª autoridade recebida no Vaticano pelo Papa Bento XVI.

Nenhum tema controverso, como aborto ou célula-tronco, será discutido. Lula e o Papa já haviam se encontrado em São Paulo, em maio de 2007, na visita do pontífice ao Brasil. Hoje, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o cardeal Dominique Mamberti, secretário para Relações com os Estados da Santa Sé, assinam acordo que trata das atividades da Igreja Católica do Brasil, do ensino religioso nas escolas à isenção de impostos para igrejas. O acordo, segundo a chefe do departamento de Europa do Itamaraty, Maria Edileuza Fontenele Reis, não muda nada na prática:

- É um instrumento de natureza essencialmente administrativa, que não vai além do já previsto na Constituição.

A embaixadora do Brasil junto ao Vaticano, Vera Machado, e a diretora do Departamento da Europa do Itamaraty, Maria Edileuza Fontenele Reis, garantiram que o documento que será assinado hoje repete o que já é previsto na Constituição: o ensino religioso é facultativo, e pode ser não só para religião católica, e como outras religiões.

- Não tem nenhuma malandragem. Se tivesse, meu pescoço é que iria para a forca - disse Maria Edileuza.

- O acordo ressalta o caráter laico brasileiro e o tratamento equitativo em relação a outras religiões. Não há nada que fira os interesses nacionais e o ordenamento jurídico brasileiro - explicou a embaixadora.

O governo brasileiro não quis incluir no acordo os feriados católicos, como propôs a Santa Sé inicialmente. O motivo, explicou Vera, foi que institucionalizar feriados católicos num acordo discrimina outras religiões e fere o caráter laico do Estado brasileiro.