Crise reduz emprego e bancos elevam juros
Correio Braziliense
Perdeu fundamento, ontem, a tese de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) evitaria a pior conseqüência da crise, a demissão em massa de trabalhadores. Como reflexo direto da maior restrição ao crédito e do menor nível de consumo, o setor industrial paulista fechou 10 mil postos de trabalho em outubro.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) informou que o nível de emprego na indústria paulista caiu 0,41% sem ajuste sazonal em outubro na comparação com setembro, representando a primeira queda para mês de outubro desde 2003, quando o indicador havia recuado 0,63%.
Ao divulgar o indicador, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, relacionou o fechamento das vagas à turbulência internacional. “O que move a economia são as decisões de indivíduos carregados de maior ou menor confiança. A percepção é de que o mundo está em crise, e isso determina as ações dos empresários”, explicou.
Um agravante é que os efeitos da crise na economia real começam a despontar na região mais dinâmica do país e que responde por grande parte da economia, numa sinalização de que essa conseqüência tende a se propagar.
Ao apresentar a queda no indicador, Paulo Francini disse que se tratava de uma mudança do padrão. “O que realmente importou foi a alteração de padrão. Houve inflexão na curva de crescimento e, de repente, a tendência se alterou”, comentou. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão, que vinha num nível de 4,5% até setembro, decresceu para 3,6%. Outubro também foi o primeiro mês em que a maior parte dos segmentos registrou redução nos postos. Das 21 atividades que compõem a mostra do emprego pesquisada pela Fiesp, 10 tiveram desempenho negativo e seis registraram estabilidade.
O maior número de demissões ocorreu nas fábricas de calçados (-4,09%), de móveis (-3,10%) e confecções (-1,07%). Os maiores desligamentos ocorreram em Franca, Jaú e São Carlos. De acordo com Francini, o desempenho negativo indica menor produção. “A redução do emprego não está ligada à diminuição efetiva da atividade industrial, mas à expectativa sobre o desempenho futuro da economia”, explicou.
Terrorismo
O presidente Lula repercutiu o corte de vagas ocorrido em São Paulo. Ontem, ainda em viagem à Itália, ele ressaltou a preocupação com o desemprego. Em resposta a uma pergunta sobre se o desemprego tirava o seu sono, ele respondeu que o “terrorismo psicológico” causado pela crise deixa investidores e consumidores cautelosos.
“O que me preocupa, e o que já aconteceu comigo, é que muitas vezes você quer comprar ou trocar de carro e ouve por aí que vai ter um problema e acaba não comprando. Na hora que você não compra um carro, é menos um carro produzido e pode ser um posto de trabalho que você perde”, afirmou.
| Presidentes se reúnem amanhã A cúpula do G-20 se reunirá amanhã, fechando com uma tentativa de entendimento entre chefes de Estado a semana em que o desemprego deixou de se tornar um fantasma para virar realidade. No centro da discussão, estará o debate sobre se o aumento dos gastos públicos poderá ajudar ou não a alavancar a economia mundial. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que estará presente à reunião, já se declarou favorável à medida. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou ontem que considera que a reunião “assentará as bases” para reformar o sistema financeiro e será o primeiro de uma série de encontros similares. “Os líderes que assistirão à reunião neste fim de semana estão de acordo em um claro propósito: resolver a crise atual e assentar as bases para reformas que ajudem a prevenir crise similares no futuro”, dirá hoje o presidente anfitrião, de acordo com trechos de seu discurso divulgados antecipadamente por sua assessoria. Bush é favorável a uma modernização de organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para que as grandes economias emergentes tenham mais peso em suas decisões. “Deveriam considerar uma extensão do poder de voto a nações dinâmicas em desenvolvimento, particularmente, na medida em que aumentam suas contribuições a esses organismos.”, afirmará o presidente norte-americano. Ontem, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou que o governo não usará os fundos do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões para comprar os papéis podres de instituições afetadas por investimentos em empréstimos hipotecários de alto risco. Paulson acrescentou que o G-20 não deve se ocupar apenas de “questões regulatórias particulares”, mas também “corrigir os desequilíbrios globais que alimentaram os recentes excessos”. Por sua vez, o presidente russo, Dmitri Medvedev, adiantou que o seu país e a União Européia (UE) vão “falar em uníssono em Washington”. (Da Redação) |
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Desemprego na Europa |
