Correio Braziliense

A geração de emprego passou incólume pelo primeiro mês da crise financeira. Nas seis principais regiões metropolitanas do país, pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram criadas 176 mil vagas entre setembro e outubro. Nos últimos 12 meses são 855 mil postos de trabalho a mais, sendo 78,7% com carteira de trabalho assinada, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego. Alguns especialistas, no entanto, acreditam que o volume de vagas deveria ser maior, caso o país, e o mundo, não estivessem sendo afetados pela turbulência econômica. A taxa de desemprego mantém-se praticamente estável desde agosto, apesar de outubro tradicionalmente já ser marcado pelas contratações temporárias de fim de ano. O índice caiu de 7,6% para 7,5%, a segunda menor taxa da série histórica, iniciada em março de 2002. Mas, no mesmo período do ano passado, a redução foi bem maior: passou de 9,5% para 8,7%. “Paramos de reduzir a taxa de desemprego, ela está estável. Acendeu o sinal amarelo. O que esperávamos era que continuasse caindo até dezembro, mas ela parou. Em novembro deve diminuir um pouco, mas não como se esperava”, afirma o professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Hélio Zylberstajn, presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (IBRET). Contratação Não ter registrado aumento do desemprego neste momento já é uma vantagem, de acordo com os economistas. “Provavelmente estamos na inércia do crescimento econômico acelerado que o país vinha vivendo desde o início do ano. Mas se continuar tudo como está, com retração de demanda e de crédito, juros altos, e falta de confiança, provavelmente em janeiro ou fevereiro já começam as demissões. O que será um problema, porque o emprego é a espinha dorsal da recuperação”, afirma o economista José Pastore, professor de relações do trabalho da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Até dezembro a contratação de temporários pode dar uma esperança para o 1,8 milhão de desocupados das regiões levantadas pela Pesquisa Mensal de Emprego. Mas para 2009 as previsões são mesmo pessimistas. “Os empresários vão reduzir investimentos e não vão mais contratar no mesmo ritmo”, afirma o gerente-executivo de políticas econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Para quem está há dois anos procurando uma oportunidade, como a moradora de São Sebastião Laisla Pessoa Macedo, de 19 anos, a notícia de que a crise deverá atingir a geração de postos de trabalho cai como um balde de água fria. Desde que terminou o ensino médio ela busca um emprego que poderá lhe ajudar a pagar a sonhada faculdade de psicologia. Mas nunca foi selecionada. “Não me contratam porque não tenho experiência, só querem uma pessoa que já esteja pronta para trabalhar.”


Cai renda do trabalhador Se a taxa de desemprego conseguiu se manter mesmo com a crise, os efeitos da turbulência não pouparam os salários dos trabalhadores. O rendimento médio do brasileiro em outubro, de R$ 1.258,20, foi 1,3% inferior ao de setembro e atingiu o menor patamar desde julho deste ano. Na comparação com outubro de 2007, no entanto, ainda é 4,5% mais elevado — ganho real —, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A queda pode pode ser efeito da inflação que está aumentando. Tivemos um repique inflacionário que pode ter corrompido o salário do trabalhador, além disso, outubro pode estar absorvendo trabalhadores temporários, que entram no mercado com salários mais baixos que os pagos aos efetivos”, afirma a economista do IBGE Adriana Beringy. (MF)

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Desemprego estável

Publicado: 20/11/2008 | 10:40


Correio Braziliense

A geração de emprego passou incólume pelo primeiro mês da crise financeira. Nas seis principais regiões metropolitanas do país, pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram criadas 176 mil vagas entre setembro e outubro. Nos últimos 12 meses são 855 mil postos de trabalho a mais, sendo 78,7% com carteira de trabalho assinada, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego.

Alguns especialistas, no entanto, acreditam que o volume de vagas deveria ser maior, caso o país, e o mundo, não estivessem sendo afetados pela turbulência econômica. A taxa de desemprego mantém-se praticamente estável desde agosto, apesar de outubro tradicionalmente já ser marcado pelas contratações temporárias de fim de ano. O índice caiu de 7,6% para 7,5%, a segunda menor taxa da série histórica, iniciada em março de 2002. Mas, no mesmo período do ano passado, a redução foi bem maior: passou de 9,5% para 8,7%.

“Paramos de reduzir a taxa de desemprego, ela está estável. Acendeu o sinal amarelo. O que esperávamos era que continuasse caindo até dezembro, mas ela parou. Em novembro deve diminuir um pouco, mas não como se esperava”, afirma o professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Hélio Zylberstajn, presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (IBRET).

Contratação
Não ter registrado aumento do desemprego neste momento já é uma vantagem, de acordo com os economistas. “Provavelmente estamos na inércia do crescimento econômico acelerado que o país vinha vivendo desde o início do ano. Mas se continuar tudo como está, com retração de demanda e de crédito, juros altos, e falta de confiança, provavelmente em janeiro ou fevereiro já começam as demissões. O que será um problema, porque o emprego é a espinha dorsal da recuperação”, afirma o economista José Pastore, professor de relações do trabalho da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

Até dezembro a contratação de temporários pode dar uma esperança para o 1,8 milhão de desocupados das regiões levantadas pela Pesquisa Mensal de Emprego. Mas para 2009 as previsões são mesmo pessimistas.

“Os empresários vão reduzir investimentos e não vão mais contratar no mesmo ritmo”, afirma o gerente-executivo de políticas econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Para quem está há dois anos procurando uma oportunidade, como a moradora de São Sebastião Laisla Pessoa Macedo, de 19 anos, a notícia de que a crise deverá atingir a geração de postos de trabalho cai como um balde de água fria.

Desde que terminou o ensino médio ela busca um emprego que poderá lhe ajudar a pagar a sonhada faculdade de psicologia. Mas nunca foi selecionada. “Não me contratam porque não tenho experiência, só querem uma pessoa que já esteja pronta para trabalhar.”


Cai renda do trabalhador

Se a taxa de desemprego conseguiu se manter mesmo com a crise, os efeitos da turbulência não pouparam os salários dos trabalhadores. O rendimento médio do brasileiro em outubro, de R$ 1.258,20, foi 1,3% inferior ao de setembro e atingiu o menor patamar desde julho deste ano. Na comparação com outubro de 2007, no entanto, ainda é 4,5% mais elevado — ganho real —, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A queda pode pode ser efeito da inflação que está aumentando. Tivemos um repique inflacionário que pode ter corrompido o salário do trabalhador, além disso, outubro pode estar absorvendo trabalhadores temporários, que entram no mercado com salários mais baixos que os pagos aos efetivos”, afirma a economista do IBGE Adriana Beringy. (MF)