Folha de S. Paulo

A discussão sobre demissões na mineradora Vale opôs ontem o presidente da companhia, Roger Agnelli, e o representante dos funcionários no Conselho de Administração da empresa, João Batista Cavalieri. O primeiro afirmou, em Brasília, que a Vale faz "ginástica" para evitar demissões. O segundo, que os cortes já começaram.

"O que a gente está fazendo é uma ginástica no sentido de manter nossos empregados, porque não é hora de perder o investimento pesado que sempre fizemos na formação de nossos técnicos", declarou Agnelli. O executivo assinou ontem, no Planalto, acordo com o Korea Eximbank para aporte de US$ 1 bilhão destinado à produção de minério de ferro, níquel e alumínio. Segundo ele, "o mercado parou" com a crise financeira, mas a recuperação deve começar no início do ano que vem. No Rio, Cavalieri, que também é presidente do Sindicato dos Ferroviários de Minas Gerais e Espírito Santo, afirmou que as demissões já começaram e afetam especialmente os trabalhadores da ferrovia Vitória-Minas -que escoa o minério produzido em Minas. Há ainda, segundo ele, um processo de desligamento de terceirizados, que estão sendo substituídos por trabalhadores próprios da mineradora. Procurada, a Vale não informou o número de demitidos até agora. Disse apenas, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que os cortes representam "uma adaptação do quadro de funcionários à redução de produção". Segundo a Vale, não há plano de demissões em massa. A companhia afirmou ainda que trabalha para realocar os empregados das minas paralisadas para unidades onde a produção foi mantida ou para novos projetos. A companhia reduziu a produção de minas de maior custo e com minério de menor qualidade, produtos que não encontram mercado com a atual retração da demanda. Diante da forte queda na produção de aço especialmente na China, a Vale foi obrigada a diminuir sua produção e paralisar totalmente três minas: Congo Soco, em Barão de Cocais (MG); Feijão, em Brumadinho (MG); e Mar Azul, em Nova Lima (MG). Arrecadação menor O presidente da Amig (Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais), Waldir Salvador, disse que essas três cidades já "perderam de cara de 10% a 20% da sua receita" por causa da redução de produção e o conseqüente pagamento menor da Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, espécie de royalty da mineração). A cidade mais afetada é Barão de Cocais, que teve sua única mina fechada temporariamente. Da arrecadação total de R$ 50 milhões do município, R$ 10 milhões vêm da Cfem. Também podem sofrer cortes na receita Ouro Preto e Mariana, segundo Salvador.

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Sindicato aponta demissões na Vale, que nega cortes em massa

Publicado: 20/11/2008 | 10:45


Folha de S. Paulo

A discussão sobre demissões na mineradora Vale opôs ontem o presidente da companhia, Roger Agnelli, e o representante dos funcionários no Conselho de Administração da empresa, João Batista Cavalieri. O primeiro afirmou, em Brasília, que a Vale faz "ginástica" para evitar demissões. O segundo, que os cortes já começaram.

"O que a gente está fazendo é uma ginástica no sentido de manter nossos empregados, porque não é hora de perder o investimento pesado que sempre fizemos na formação de nossos técnicos", declarou Agnelli. O executivo assinou ontem, no Planalto, acordo com o Korea Eximbank para aporte de US$ 1 bilhão destinado à produção de minério de ferro, níquel e alumínio.
Segundo ele, "o mercado parou" com a crise financeira, mas a recuperação deve começar no início do ano que vem.
No Rio, Cavalieri, que também é presidente do Sindicato dos Ferroviários de Minas Gerais e Espírito Santo, afirmou que as demissões já começaram e afetam especialmente os trabalhadores da ferrovia Vitória-Minas -que escoa o minério produzido em Minas.
Há ainda, segundo ele, um processo de desligamento de terceirizados, que estão sendo substituídos por trabalhadores próprios da mineradora.
Procurada, a Vale não informou o número de demitidos até agora. Disse apenas, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que os cortes representam "uma adaptação do quadro de funcionários à redução de produção".
Segundo a Vale, não há plano de demissões em massa. A companhia afirmou ainda que trabalha para realocar os empregados das minas paralisadas para unidades onde a produção foi mantida ou para novos projetos. A companhia reduziu a produção de minas de maior custo e com minério de menor qualidade, produtos que não encontram mercado com a atual retração da demanda.
Diante da forte queda na produção de aço especialmente na China, a Vale foi obrigada a diminuir sua produção e paralisar totalmente três minas: Congo Soco, em Barão de Cocais (MG); Feijão, em Brumadinho (MG); e Mar Azul, em Nova Lima (MG).

Arrecadação menor
O presidente da Amig (Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais), Waldir Salvador, disse que essas três cidades já "perderam de cara de 10% a 20% da sua receita" por causa da redução de produção e o conseqüente pagamento menor da Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, espécie de royalty da mineração).
A cidade mais afetada é Barão de Cocais, que teve sua única mina fechada temporariamente. Da arrecadação total de R$ 50 milhões do município, R$ 10 milhões vêm da Cfem.
Também podem sofrer cortes na receita Ouro Preto e Mariana, segundo Salvador.