Sindicato teme demissões com venda da Nossa Caixa ao BB
Fonte: JCNET
Anunciada ontem, a tão propagada venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil (BB) gerou incertezas aos funcionários das duas empresas. Em Bauru, o Sindicato dos Bancários lembrou que todas as vezes que há incorporação de um banco por outro, o resultado é invariavelmente negativo para os funcionários. Horas depois do fechamento do negócio de R$ 5,4 bilhões, o vice-presidente do Banco do Brasil confirmou o temor: agências serão fechadas.
Na cidade, o Banco do Brasil mantém sete agências, uma a mais que a empresa que era pertencente ao governo do Estado. De acordo com Marcos Lenharo, dirigente do Sindicato dos Bancários de Bauru, na área de abrangência da entidade, que engloba 42 municípios, cerca de 630 pessoas trabalham em agências da Nossa Caixa e outras 450 no Banco do Brasil.
Em Bauru, estima-se que a instituição estadual mantenha 400 empregados e outras 250 trabalhem no BB. “Pela história recente, já experimentamos várias modalidades de fusões, aquisições, privatizações e incorporações de um banco pelo outro. E em todos os casos, os primeiros prejudicados são os funcionários’, destaca Lenharo.
Ele também observou que nada foi falado a respeito do futuro dos trabalhadores das duas empresas. “Falou-se que os direitos dos acionistas e investidores seriam respeitados. Mas a ausência de discussão sobre os direitos dos trabalhadores é preocupante”, pondera.
Horas depois da venda ser anunciada, o vice-presidente do Banco do Brasil, Aldo Mendes, disse que no máximo 30 agências deverão ser fechadas devido à sobreposição gerada pelo negócio, em São Paulo.
De acordo com o divulgado, em todo o Estado o Banco do Brasil tem 772 agências, que agora serão somadas às 552 da Nossa Caixa, que também tem outras sete fora de São Paulo.
Lenharo lembra que há alguns dias o sindicato promoveu uma espécie de abaixo-assinado em frente às agências da Nossa Caixa na cidade. “Fizemos uma interação para sabermos o que a sociedade pensava disso. Todo mundo afirmou que seria um prejuízo o Estado perder a única entidade financeira pública. Além disso, muitos tinham pessoas próximas que perderam seus empregos após aquisições entre os bancos”, afirma. O resultado dessa interação foi entregue à presidência da Assembléia Legislativa do Estado.
O dirigente aponta que assim que a união dos bancos começar a ser colocada na prática, haverá diminuição de postos de atendimento ao público, já que algumas agências das duas instituições ficam muito próximas. Na Praça Rui Barbosa, por exemplo, elas estão em quadras vizinhas.
“Conseqüentemente, haverá uma redução de postos de trabalho. E isso deverá ser mais sentido nos municípios menores”, avalia.
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Direitos
Para Marcos Lenharo, agora que a aquisição foi anunciada - e provavelmente deverá ser aprovada nas próximas etapas – o sindicato irá se empenhar para preservar os direitos trabalhistas dos funcionários das duas instituições.
“Exigimos o respeito a todos os colegas da Nossa Caixa e do Banco do Brasil”, afirma. “São empresas com planos de saúde diferentes, de complementação de aposentadorias diferentes e outras coisas que deverão ser analisadas”, avalia.
