Alta procura por emprego
Correio Braziliense
Na contramão do que ocorreu nas outras regiões metropolitanas, o desemprego no Distrito Federal aumentou no mês passado em relação a setembro. Das seis capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para compor a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), quatro reduziram a taxa de desocupação. No DF o número de desempregados aumentou. O índice passou de 15,8% em setembro para 16,0% em outubro.
O cenário se deu em função de um incremento no volume de pessoas em busca de uma vaga, enquanto as contratações ficaram estagnadas. Com isso, 3 mil brasilienses passaram a procurar emprego e no balanço entre admissões e demissões, exatamente 3 mil passaram a engrossar a estatística de desempregados. O resultado já tem influências da crise financeira internacional, segundo especialistas. No mesmo mês do ano passado, 12 mil trabalhadores passaram a buscar uma vaga e todos encontraram. “O impacto da crise na geração de emprego está chegando muito rápido, mais do que poderíamos projetar”, afirma o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos.
O saldo foi gerado por demissões na construção civil (1 mil), no setor de serviços (1 mil) e no segmento definido como outros setores, que inclui o serviço doméstico, (2 mil). Por outro lado, a administração pública e o comércio contrataram 2 mil pessoas cada um, apenas entre setembro e outubro. As demissões na construção civil se devem ao adiamento de obras em função da crise financeira, que reduziu e encareceu o crédito, de acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon), João Mathias de Souza Filho. “As empresas estão desacelerando e segurando o ritmo das obras. As vendas estão diminuindo e com isso estamos dispensando funcionários das obras que seriam lançadas”, afirma. O número de funcionários dispensados no mês passado é exatamente o mesmo de contratados em outubro do ano passado, quando o setor apresentava resultados recordes de vendas.
Já no comércio, as admissões estão sendo realizadas, como se espera nessa época do ano, mas o ritmo está bem aquém do verificado em anos anteriores. Em outubro de 2007 as lojas do DF admitiram 8 mil pessoas em apenas um mês. Em 2006, foram 2,3 mil brasilienses. A diminuição é conseqüência de vendas também reduzidas, segundo o presidente da Federação do Comércio do DF (Fecomércio-DF), senador Adelmir Santana. “As vendas já estão caindo, as pessoas estão cautelosas em consumir. Com isso as contratações estão se desacelerando. Antes do assunto crise chegar ao país estávamos prevendo a contratação de 8 mil temporários. Agora devem ser 5 mil”, afirma.
Apesar da estagnação nas contratações, os salários dos ocupados se valorizaram no último mês. O incremento foi de 1,1% acima da inflação em relação ao mês anterior e de 8,1% em comparação com o mesmo período de 2007.
