Apenas 12,8% dos empresários industriais acreditam que a situação vai melhorar nos próximos seis meses, o pior percentual da história. Quase 36% dos 1.104 entrevistados pela FGV apostam no pior

 

A indústria brasileira não vê luz no fim do túnel. Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada ontem mostra que o pessimismo passou a influenciar as perspectivas de curto prazo das empresas. O setor, que amarga queda na produção e uma onda de demissões por causa da crise internacional, descarta qualquer recuperação - ainda que discreta - porque convive com estoques elevados, enfrenta dificuldades em captar recursos e sofre com os efeitos colaterais da retração na demanda externa.

 

O desalento ganha forma e números no Índice de Expectativas da FGV. A taxa atingiu em janeiro o nível mais baixo de toda a série histórica, iniciada em abril de 1995. Das 1.104 firmas pesquisadas entre os dias 5 e 26 deste mês, apenas 12,8% esperam por melhora da situação ao longo dos próximos seis meses - o menor percentual para este grupo havia sido registrado em outubro de 1998 (21,2%). Na outra ponta, 35,8% das companhias apostam em piora no semestre - em agosto do ano passado, período pré-crise, o índice era de 2,2%.

 

A FGV envia questionários a grandes, médias e pequenas empresas e adota padrões internacionais para tabular os dados. Esse tipo de análise é um importante termômetro que ajuda a estimar a real capacidade de retomada que a indústria terá quando a fase aguda da turbulência internacional chegar ao fim.

 

Ao todo, 21 gêneros industriais são consultados, mas os resultados gerais refletem o momento de apenas 14 deles, justamente aqueles em que a concentração é menor e a concorrência, mais acentuada.

 

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), outro balizador da Sondagem Conjuntural, manteve-se praticamente estável ao sair de 74,7 pontos em dezembro para 75,1 pontos em janeiro (a escala vai de zero a 200).

 

"A pesar de registrar a primeira variação positiva após quatro recuos mensais consecutivos, a leitura do resultado de janeiro ainda não pode ser considerada favorável", ressaltou a FGV no comunicado oficial que acompanha a pesquisa. O ICI de janeiro é o menor desde 1995. O pico foi registrado em novembro de 2007 (119,8), patamar que refletia à época boa parte do superaquecimento do setor produtivo.

 

Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), adverte que alguns setores, como o automobilístico e o siderúrgico, puxaram o freio de mão rápido demais, mas que a tendência, segundo ele, é que outros segmentos façam ajustes menos agressivos.

 

"É como no caso das demissões que estão ocorrendo: nenhuma empresa demite por três meses. Se há dispensas, é porque a companhia sabe que não vai precisar daquele número de funcionários tão cedo", reforçou. A explicação justifica, por exemplo, a velocidade com que o desemprego assolou a indústria do estado de São Paulo, que só em dezembro fechou 130 mil postos de trabalho.

 

Pé no freio A FGV também mediu o nível de utilização de capacidade instalada. Pelo cálculo, sem ajuste sazonal, houve queda: em janeiro o indicador atingiu 76,7% - em dezembro eram 80,6%. De acordo com a sondagem, esse foi o menor nível desde janeiro de 1993, quando o levantamento havia apurado um uso da capacidade instalada da ordem de 72%. Ainda conforme a FGV, mesmo com ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em janeiro foi baixo, o mais modesto desde outubro de 2005.

 

Aloísio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV, diz que incertezas internas e externas deixam as indústrias sem qualquer poder de reação no momento. Pelo menos por enquanto o setor produtivo industrial está a reboque das consequências da crise, reforçou.

 

"Nos últimos meses, a tese do descolamento da turbulência externa em relação ao Brasil não se sustentou. O que há são segmentos registrando quedas menos acentuadas do que outros. Não existem efeitos contraditórios nisso como alguns querem acreditar", afirmou Campelo.

 

Fonte: Correio Braziliense

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Desalento na indústria do País; empresários estão descrençados

Publicado: 2/02/2009 | 08:20


 

Apenas 12,8% dos empresários industriais acreditam que a situação vai melhorar nos próximos seis meses, o pior percentual da história. Quase 36% dos 1.104 entrevistados pela FGV apostam no pior

 

A indústria brasileira não vê luz no fim do túnel. Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada ontem mostra que o pessimismo passou a influenciar as perspectivas de curto prazo das empresas. O setor, que amarga queda na produção e uma onda de demissões por causa da crise internacional, descarta qualquer recuperação - ainda que discreta - porque convive com estoques elevados, enfrenta dificuldades em captar recursos e sofre com os efeitos colaterais da retração na demanda externa.

 

O desalento ganha forma e números no Índice de Expectativas da FGV. A taxa atingiu em janeiro o nível mais baixo de toda a série histórica, iniciada em abril de 1995. Das 1.104 firmas pesquisadas entre os dias 5 e 26 deste mês, apenas 12,8% esperam por melhora da situação ao longo dos próximos seis meses - o menor percentual para este grupo havia sido registrado em outubro de 1998 (21,2%). Na outra ponta, 35,8% das companhias apostam em piora no semestre - em agosto do ano passado, período pré-crise, o índice era de 2,2%.

 

A FGV envia questionários a grandes, médias e pequenas empresas e adota padrões internacionais para tabular os dados. Esse tipo de análise é um importante termômetro que ajuda a estimar a real capacidade de retomada que a indústria terá quando a fase aguda da turbulência internacional chegar ao fim.

 

Ao todo, 21 gêneros industriais são consultados, mas os resultados gerais refletem o momento de apenas 14 deles, justamente aqueles em que a concentração é menor e a concorrência, mais acentuada.

 

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), outro balizador da Sondagem Conjuntural, manteve-se praticamente estável ao sair de 74,7 pontos em dezembro para 75,1 pontos em janeiro (a escala vai de zero a 200).

 

"A pesar de registrar a primeira variação positiva após quatro recuos mensais consecutivos, a leitura do resultado de janeiro ainda não pode ser considerada favorável", ressaltou a FGV no comunicado oficial que acompanha a pesquisa. O ICI de janeiro é o menor desde 1995. O pico foi registrado em novembro de 2007 (119,8), patamar que refletia à época boa parte do superaquecimento do setor produtivo.

 

Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), adverte que alguns setores, como o automobilístico e o siderúrgico, puxaram o freio de mão rápido demais, mas que a tendência, segundo ele, é que outros segmentos façam ajustes menos agressivos.

 

"É como no caso das demissões que estão ocorrendo: nenhuma empresa demite por três meses. Se há dispensas, é porque a companhia sabe que não vai precisar daquele número de funcionários tão cedo", reforçou. A explicação justifica, por exemplo, a velocidade com que o desemprego assolou a indústria do estado de São Paulo, que só em dezembro fechou 130 mil postos de trabalho.

 

Pé no freio
A FGV também mediu o nível de utilização de capacidade instalada. Pelo cálculo, sem ajuste sazonal, houve queda: em janeiro o indicador atingiu 76,7% - em dezembro eram 80,6%. De acordo com a sondagem, esse foi o menor nível desde janeiro de 1993, quando o levantamento havia apurado um uso da capacidade instalada da ordem de 72%. Ainda conforme a FGV, mesmo com ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em janeiro foi baixo, o mais modesto desde outubro de 2005.

 

Aloísio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV, diz que incertezas internas e externas deixam as indústrias sem qualquer poder de reação no momento. Pelo menos por enquanto o setor produtivo industrial está a reboque das consequências da crise, reforçou.

 

"Nos últimos meses, a tese do descolamento da turbulência externa em relação ao Brasil não se sustentou. O que há são segmentos registrando quedas menos acentuadas do que outros. Não existem efeitos contraditórios nisso como alguns querem acreditar", afirmou Campelo.

 

Fonte: Correio Braziliense