Para OIT, redução de salários é precarização do emprego
A diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), Laís Abramo disse, nesta terça-feira (27), que as propostas de redução da jornada de trabalho e a redução proporcional dos salários representam a piora no mercado de trabalho. Segundo ela, o risco de a América Latina e o Caribe passarem por um processo desses "é alto".
"A OIT defende o diálogo [entre empresas e trabalhadores] para encontrar soluções para cada caso concreto. Mas, a solução não pode ser a precarização do trabalho. É preciso tomar cuidado para que medidas conjunturais necessárias não tenham efeito contrário. É preciso manter a capacidade de consumo para manter o mercado interno aquecido", argumentou a diretora.
Segundo ela, se o salário do trabalhador é "insuficiente para satisfazer um nível mínimo de necessidades básicas, isso é inaceitável".
A diretora comenta ainda que há preocupação na OIT com o prejuízo do emprego de alguns segmentos da sociedade como negros, jovens e mulheres. Segundo dados do Panorama Laboral, divulgado na última segunda-feira (26) pela Organização, o desemprego no Brasil, na América Latina e no Caribe é 1,6 vezes maior entre as mulheres. Entre os jovens é 2,2 vezes maior do que entre os mais velhos.
"Temos preocupação que o desemprego atinja primeiro e mais fortemente aqueles extratos da sociedade que sempre foram mais discriminados, como as mulheres e os negros", disse.
Fonte: Portal Mundo do Trabalho
