Os investimentos em equipamentos de informática do governo estadual estão concentrados em uma empresa: a Investiplan Computadores e Sistemas. Pequena fornecedora no início da década, a Investiplan teve empenhado (reservado para pagamento) pelo estado, no ano passado, um valor 8.181% maior do que há cinco anos. Em 2003, os empenhos foram de R$808 mil. Em 2008, alcançaram R$66,9 milhões. Nos últimos dois anos, o estado pagou efetivamente pelo menos R$83 milhões à empresa. Em seu comando, está Paulo Trindade, que em 2005 iniciou-se no mercado de gado de elite, comprando animais do presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), que também é pecuarista. Os dois tornaram-se sócios na compra e venda de alguns touros e promovem leilões juntos. Só num negócio, a compra de metade do clone de uma vaca, Trindade pagou R$1 milhão a Picciani. A partir do final de 2007, a aplicação de recursos em tecnologia ganhou força no governo, especialmente na educação. A Investiplan venceu os principais contratos através de disputa em pregão eletrônico - um sistema legal, considerado uma das formas mais transparentes de licitação -, no qual concorrentes de qualquer parte do país oferecem lances pela internet. O maior deles foi a compra de 31 mil notebooks para os professores ao custo de R$58,9 milhões. Para 2009, um consórcio liderado pela empresa já garantiu um contrato de aluguel de 21.939 computadores para as salas de aula por R$35,7 milhões. Segundo a Secretaria de Educação, o estado busca o menor preço com qualidade nas licitações e "as relações pessoais dos empresários não estão incluídas nos critérios do estado". A relação da Investiplan com o estado começou em 2001, em um contrato de fornecimento de computadores para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com o órgão, a empresa "negligenciou a assistência técnica (...), gerando prejuízo ao bom andamento dos serviços". Por isso, segundo o órgão, ela foi punida em fevereiro de 2004 com uma multa de R$66,9 mil, além da declaração de inidoneidade para contratos com o TCE por dois anos. A empresa alegou em nota que "a declaração de inidoneidade não durou mais do que três meses, pois foi revogada, assim como a multa aplicada indevidamente". Empresa respondeu por 93% das vendas Os contratos do governo estadual com a Investiplan não pararam de crescer, apesar de ela ter sido proibida de ser fornecedora do órgão fiscalizador das contas públicas. Em 2003, segundo dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro dos Estados e Municípios (Siafem), a empresa teve R$808 mil em empenhos. O valor foi aumentando ano a ano e chegou a R$11,3 milhões em 2006. A partir desse ano, os valores dispararam. Em 2007, chegaram a R$73,5 milhões. Em 2008, foram R$66,9 milhões. O crescimento não se deu em outras duas importantes esferas públicas. No governo federal, os valores recebidos pela empresa caíram de R$1,8 milhão em 2004 para R$993 mil em 2008. Na prefeitura do Rio, passaram de R$331 mil em 2006 para R$173 mil em 2008. Para se ter uma ideia da dimensão da Investiplan, dos pagamentos efetivamente realizados em 2008, ou seja, o que o estado já depositou nas contas da empresa, ela já recebeu R$14,7 milhões pela venda de "equipamentos para processamento de dados". O valor corresponde a 93,9% de tudo que foi pago naquele ano por todos os mais de 70 órgãos do estado nesse item, de acordo com o site da Secretaria estadual de Fazenda. A segunda colocada recebeu R$237,2 mil. No item "locação de bens móveis"- que inclui aluguel de qualquer material, exceto veículos -, a empresa também é líder: recebeu R$9,1 milhões, que correspondem a 26,2% do total. Em nota, a Investiplan alegou que o "crescimento de seu faturamento global foi de, em média, 30% ao ano de 2003 a 2007, quando houve um aumento de 230% única e exclusivamente em função de termos vencido a licitação de 31 mil notebooks". Constituída em 1996 e com sede em Ilhéus, no Sul da Bahia, a empresa tem seu crescimento nos contratos com o estado no mesmo período em que seu sócio, Paulo Trindade, inicia-se nos negócios de gado. Em 2005, ele adquiriu a Fazenda Nova Trindade, em Uberaba, Minas Gerais, cujo site na internet está registrado em nome da Investiplan. Quem iniciou Trindade no agrobussiness foi o deputado Picciani, presidente da Alerj desde 2003, que lhe vendeu as matrizes Líbio II TE (touro) e Líbia II TE (vaca) em 2005. No ano seguinte, Trindade fez um negócio considerado histórico no mundo do gado de elite no Brasil. Pagou R$1,040 milhão por 50% do clone da vaca Billara 7, o animal mais premiado da Fazenda Monte Verde, de Picciani. Os negócios entre a Nova Trindade e a Monte Verde vêm se desenvolvendo desde 2005. Nos sites especializados, é possível identificar pelo menos R$2,6 milhões em venda de gado de Picciani para Paulo Trindade em cinco negociações. Os dois também promoveram juntos, no mínimo, três leilões que movimentaram R$7,6 milhões. E também são sócios em quatro "condomínios" - quando mais de um proprietário compra ou vende os direitos de um animal

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Sócio de Picciani monopoliza contratos

Publicado: 13/02/2009 | 10:14



Com 94% do que foi gasto pelo governo do estado em equipamentos de informática em 2008, a empresa Investiplan monopollza os contratos no setor. Em dois anos, o estado já pagou R$ 83 milhões à empresa, cujo dono, Paulo Trindade, é sócio do deputado Jorge Picciani (presidente da Alerj) no mercado de gado.

Os investimentos em equipamentos de informática do governo estadual estão concentrados em uma empresa: a Investiplan Computadores e Sistemas. Pequena fornecedora no início da década, a Investiplan teve empenhado (reservado para pagamento) pelo estado, no ano passado, um valor 8.181% maior do que há cinco anos. Em 2003, os empenhos foram de R$808 mil. Em 2008, alcançaram R$66,9 milhões. Nos últimos dois anos, o estado pagou efetivamente pelo menos R$83 milhões à empresa. Em seu comando, está Paulo Trindade, que em 2005 iniciou-se no mercado de gado de elite, comprando animais do presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), que também é pecuarista. Os dois tornaram-se sócios na compra e venda de alguns touros e promovem leilões juntos. Só num negócio, a compra de metade do clone de uma vaca, Trindade pagou R$1 milhão a Picciani.

A partir do final de 2007, a aplicação de recursos em tecnologia ganhou força no governo, especialmente na educação. A Investiplan venceu os principais contratos através de disputa em pregão eletrônico - um sistema legal, considerado uma das formas mais transparentes de licitação -, no qual concorrentes de qualquer parte do país oferecem lances pela internet. O maior deles foi a compra de 31 mil notebooks para os professores ao custo de R$58,9 milhões. Para 2009, um consórcio liderado pela empresa já garantiu um contrato de aluguel de 21.939 computadores para as salas de aula por R$35,7 milhões. Segundo a Secretaria de Educação, o estado busca o menor preço com qualidade nas licitações e "as relações pessoais dos empresários não estão incluídas nos critérios do estado".

A relação da Investiplan com o estado começou em 2001, em um contrato de fornecimento de computadores para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com o órgão, a empresa "negligenciou a assistência técnica (...), gerando prejuízo ao bom andamento dos serviços". Por isso, segundo o órgão, ela foi punida em fevereiro de 2004 com uma multa de R$66,9 mil, além da declaração de inidoneidade para contratos com o TCE por dois anos. A empresa alegou em nota que "a declaração de inidoneidade não durou mais do que três meses, pois foi revogada, assim como a multa aplicada indevidamente".

Empresa respondeu por 93% das vendas

Os contratos do governo estadual com a Investiplan não pararam de crescer, apesar de ela ter sido proibida de ser fornecedora do órgão fiscalizador das contas públicas. Em 2003, segundo dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro dos Estados e Municípios (Siafem), a empresa teve R$808 mil em empenhos. O valor foi aumentando ano a ano e chegou a R$11,3 milhões em 2006. A partir desse ano, os valores dispararam. Em 2007, chegaram a R$73,5 milhões. Em 2008, foram R$66,9 milhões. O crescimento não se deu em outras duas importantes esferas públicas. No governo federal, os valores recebidos pela empresa caíram de R$1,8 milhão em 2004 para R$993 mil em 2008. Na prefeitura do Rio, passaram de R$331 mil em 2006 para R$173 mil em 2008.

Para se ter uma ideia da dimensão da Investiplan, dos pagamentos efetivamente realizados em 2008, ou seja, o que o estado já depositou nas contas da empresa, ela já recebeu R$14,7 milhões pela venda de "equipamentos para processamento de dados". O valor corresponde a 93,9% de tudo que foi pago naquele ano por todos os mais de 70 órgãos do estado nesse item, de acordo com o site da Secretaria estadual de Fazenda. A segunda colocada recebeu R$237,2 mil. No item "locação de bens móveis"- que inclui aluguel de qualquer material, exceto veículos -, a empresa também é líder: recebeu R$9,1 milhões, que correspondem a 26,2% do total. Em nota, a Investiplan alegou que o "crescimento de seu faturamento global foi de, em média, 30% ao ano de 2003 a 2007, quando houve um aumento de 230% única e exclusivamente em função de termos vencido a licitação de 31 mil notebooks".

Constituída em 1996 e com sede em Ilhéus, no Sul da Bahia, a empresa tem seu crescimento nos contratos com o estado no mesmo período em que seu sócio, Paulo Trindade, inicia-se nos negócios de gado. Em 2005, ele adquiriu a Fazenda Nova Trindade, em Uberaba, Minas Gerais, cujo site na internet está registrado em nome da Investiplan.

Quem iniciou Trindade no agrobussiness foi o deputado Picciani, presidente da Alerj desde 2003, que lhe vendeu as matrizes Líbio II TE (touro) e Líbia II TE (vaca) em 2005. No ano seguinte, Trindade fez um negócio considerado histórico no mundo do gado de elite no Brasil. Pagou R$1,040 milhão por 50% do clone da vaca Billara 7, o animal mais premiado da Fazenda Monte Verde, de Picciani.

Os negócios entre a Nova Trindade e a Monte Verde vêm se desenvolvendo desde 2005. Nos sites especializados, é possível identificar pelo menos R$2,6 milhões em venda de gado de Picciani para Paulo Trindade em cinco negociações. Os dois também promoveram juntos, no mínimo, três leilões que movimentaram R$7,6 milhões. E também são sócios em quatro "condomínios" - quando mais de um proprietário compra ou vende os direitos de um animal