Como ficará o dissídio dos metalúrgicos de Caxias do Sul (RS)?
Sem perspectiva de aquecimento da produção, o setor metalúrgico vota nesta semana, em assembleias com patrões e funcionários, um novo acordo, ampliando a possibilidade de redução da jornada de trabalho nas indústrias do setor, que deve se estender até setembro.
O desconto nos ganhos também deve subir para 65% dos dias parados, limitado a 20% do salário mensal. Diante desse cenário de incertezas, é inevitável a pergunta: como ficará o dissídio da categoria neste ano? O Sindicato dos Metalúrgicos na Serra ganhou notoriedade nacional por sua capacidade de negociação de reposição salarial em comparação a outras categorias e até em relação à atividade em outras regiões do país. E um dos argumentos dos trabalhadores sempre foi o excelente desempenho de vendas e a alta lucratividade das indústrias metal-mecânicas. Mas, agora, a metalurgia transformou-se em uma das principais vítimas da crise financeira na região, o que certamente dificultará as justificativas a favor dos trabalhadores na convenção coletiva. "Vamos ter que ver como vai ficar isso pois a situação estará bem complicada porque o acordo de flexibilização vale até setembro e a data-base é em junho", admitiu o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Leandro Velho. No momento, a preocupação do metalúrgicos é aplacar as demissões. Aliás, a aprovação do novo acordo que amplia a flexibilização se faz urgente. É que em abril começa o período pré-dissídio, no qual a empresa que demitir está sujeita à multa, e em maio, mês que antecede a negociação, não podem ser realizadas demissões. Hoje, 20.150 funcionários da região são impactados pela flexibilização adotada por 26 indústrias do setor. Esse número envolve 42,5% da força de trabalho representada pelas empresas associadas ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs). É um cenário preocupante. (Fonte: blog O outro lado da notícia)
