Ruralista quer impeachment da governadora do Pará Júlia Carepa (PT)
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai protocolizar na próxima semana um pedido de impeachment contra a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), por descumprir decisões judiciais que ordenam a retirada de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) de fazendas no estado.
Uma ação civil pública já formulada pela CNA, que pede o impeachment de Ana Júlia, será levada à Assembleia Legislativa do Pará. "Nós queremos já na semana que vem protocolizar esse pedido", afirmou a senadora Kátia Abreu (DEM/TO), presidente da entidade. Depois do conflito de sábado na Fazenda Castanhais - pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, do grupo do banqueiro Daniel Dantas - Kátia pediu ao Ministério Público intervenção federal no estado. Durante o enfrentamento, jornalistas e uma advogada foram mantidos reféns pelo MST, usados como "escudo humano". Entre as reações, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota de repúdio ao que chamou de "ação criminosa" dos sem-terra. Em outra nota, o MST negou ter mantido reféns e acusou os seguranças de planejarem um massacre. "O poder Executivo do Pará transformou-se no último juiz das invasões de terra. Quem decide se as áreas invadidas devem ser ou não desocupadas é a governadora do estado, autoridade que se substitui ao Judiciário, julgando em última instância o direito dos produtores rurais", reclamou a senadora, na representação protocolizada no Ministério Público. A representação protocolada ontem precisa ainda ser analisada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Se concordar com o pedido, o procurador encaminhará o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o assunto será definitivamente julgado. Reforço Esses agentes farão apenas o policiamento ostensivo nas ruas de Belém, o que deve liberar a tropa especializada em conflitos agrários a realizarem as reintegrações de posse já decididas pela Justiça e coibir novos enfrentamentos entre fazendeiros e sem terra. Em nota, o governo do Pará informou que as ações para reintegração de posse foram reiniciadas em abril deste ano, "havendo executado, exitosamente, nove reintegrações nos últimos 15 dias". Ainda de acordo com o texto veiculado pelo governo do estado, as operações prosseguem "conforme planejamento pactuado com o Judiciário". Em nota anterior à imprensa, divulgada após o conflito, o governo já alegara que "não tem medido esforços para diminuir a violência agrária". Nota do MST E segue: "Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protesto pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar". (Com Estadão e MST)
No último sábado (18), um confronto armado entre o MST e seguranças de uma fazenda, em Xinguara, no sul do estado, deixou oito feridos.
Em março, a CNA havia solicitado à Justiça paraense que decretasse a intervenção no Pará, mas o caso ainda não foi analisado.
Para evitar novos conflitos na região, o governo do estado pediu e o governo federal aceitou mandar para a região 50 homens da Força Nacional de Segurança - 20 partirão de Brasília hoje e outros 30 chegarão no final de semana ao Pará.
Em nota, o MST "esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os Sem Terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns".
