Berzoini prevê guinada à esquerda em eventual gestão Dilma, em 2010
Um eventual Governo do PT a partir de 2011 daria uma guinada mais à esquerda e alinharia a atuação do Banco Central (BC) aos interesses do Governo, afirmou o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).
O parlamentar garante, entretanto, que uma possível administração da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à sucessão petista, não faria "aventuras" e manteria os fundamentos econômicos seguidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Berzoini, o comando do BC na nova gestão precisaria estar alinhado aos desejos do Palácio do Planalto. "O Copom pode ter sempre seu debate técnico, que é o debate essencial para discutir política monetária, mas ele tem que casar esse debate com a vontade do Governo Federal, a vontade do Poder Executivo", disse. Desde a adoção do regime de metas de inflação, o Banco Central tem atuado com independência operacional, apesar de não ter autonomia institucional. Na linha da menor ortodoxia, o presidente do PT também defendeu um regime de metas de inflação mais flexível, focando as bandas e sem uma "preocupação excessiva" com o seu centro. Além disso, afirmou que a definição do superávit primário precisa levar em conta a manutenção do endividamento público no patamar atual, hoje em 37,6% do Produto Interno Bruto (PIB). "A dívida interna não precisa se reduzida além de um terço do PIB". Berzoini compara a trajetória da economia brasileira à travessia de um transatlântico. De acordo com a metáfora, Lula evitou dar um "cavalo-de-pau" para não partir ao meio o transatlântico no início de seu Governo e optou por um "choque de credibilidade". Dilma, por outro lado, poderá aproveitar as bases definidas pelo presidente Lula e a confiança do mercado para dar uma guinada maior na embarcação. "O Governo Lula produziu os resultados suficientes para permitir que a curva do navio seja, não só continuada, mas mais acentuada. A curva do navio não precisa ser necessariamente ideológica, é uma curva de metas", destacou. O respaldo também viria da própria crise financeira internacional, que resgatou o debate sobre a maior presença do Estado na economia. Berzoini não será presidente do PT quando a corrida eleitoral tiver sua largada oficial. Ele poderá integrar a coordenação da campanha em 2010. (Fonte: Gazeta Mercantil)
