Enquanto a Petrobras se prepara para enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigará supostas irregularidades na administração contábil da empresa, o governo chinês deu um voto de confiança à estatal ao anunciar ontem o repasse, por meio do Banco de Desenvolvimento da China, de US$ 10 bilhões à companhia. O empréstimo foi firmado durante encontro, em Pequim, de Lula e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, com o presidente chinês, Hu Jintao.

Segundo a estatal brasileira, o dinheiro ajudará a empresa a desenvolver seus projetos de exploração nas regiões petrolíferas do Brasil, sobretudo na área promissora do pré-sal, e também financiará a compra de bens e serviços de companhias chinesas.

Em contrapartida, a Petrobras se comprometeu a aumentar, já a partir do próximo mês, as exportações de petróleo ao país asiático. Pelo acordo, a estatal, que atualmente exporta 60 mil barris de petróleo por dia para a China, vai elevar para até 200 mil barris/dia os embarques do produto nos próximos 10 anos. Para garantir o fornecimento de longo prazo de combustíveis, a China fechou recentemente negócio semelhante com a Rússia, que fornecerá petróleo ao mercado chinês por um período de 20 anos, em troca de empréstimos para estatais russas.

 

 

A Petrobras obteve um empréstimo de US$ 10 bilhões, em 10 anos, do Banco de Desenvolvimento da China (China Development Bank (CDB, que pertence ao governo chinês), para financiar parte de seu amplo plano de investimentos, especialmente as reservas petrolíferas do pré-sal brasileiro, informou a companhia estatal ontem.

O acordo foi finalizado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Ele e o presidente chinês, Hu Jintao, assinaram no total 13 acordos, cobrindo áreas científicas, espaciais, legais e relativas a portos e produtos agrícola. "O empréstimo será usado para financiar os investimentos da Petrobras e inclui financiamento para compra de bens e serviços de empresas chinesas", disse em nota a Petrobras, explicando que parte do dinheiro irá para o caixa da companhia brasileira e a outra para financiar a importação de bens e serviços da China.

Em contrapartida, a Petrobras vai ampliar, a partir do mês que vem, as exportações de petróleo ao país asiático.

No primeiro ano, pelo contrato entre a Petrobras e a Unipec Asia, uma subsidiária da Sinopec, a estatal brasileira vai entregar 150 mil barris diários (b/d) ao país asiático e 200 mil b/d nos nove anos restantes. Atualmente, a empresa exporta 60 mil b/d para a China.

O governo chinês, visando garantir o fornecimento a longo prazo de energia, finalizou em abril um acordo similar, segundo o qual a Rússia fornecerá ao mercado local petróleo por 20 anos em troca de empréstimos para estatais russas.

Em entrevista, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, já havia afirmado que os recursos vindos da China seriam utilizados para financiar investimentos entre 2010 e 2011. Para 2010, a empresa já tem US$ 10 bilhões garantidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e previa necessidade de captar mais cerca de US$ 4 bilhões para o ano que vem.

A Petrobras vai necessitar de centenas de sondas e plataformas para explorar as reservas gigantes do pré-sal, além de usar os recursos em outros projetos que desenvolve no Brasil, como superrefinarias que vão possibilitar a exportação de derivados em alguns anos.

A estatal brasileira assinou também memorandos de entendimento mútuo com a estatal chinesa Sinopec nas áreas de exploração, refino, petroquímica e suprimento de bens e serviços. Gabrielli disse que o contrato não prevê a compra obrigatória de equipamentos chineses pela estatal brasileira. "Queremos manter o conteúdo local. Queremos atrair empresas chinesas para que se instalem no Brasil", afirmou.

A Petrobras descobriu em 2007 imensas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal da costa brasileira e prevê investir US$ 111,4 bilhões até 2020 para desenvolvê-las. "A gente precisava de US$ 18 bilhões este ano para complementar nossa própria receita, calculada com base num preço médio do barril de US$ 37", disse Gabrielli.

Principal parceiro

Em abril, pela primeira vez, a China superou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, tendência que deve se manter já que o país asiático amplia o comércio. "Em 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil. Agora ainda enfrentamos o desafio de explorar o potencial total de investimentos que nossas economias podem oferecer uma para a outra", disse Lula segundo a Xinhua. O presidente chinês complementou: "Nossa cooperação comercial se expandiu de forma contínua conforme o volume de comércio bilateral atingiu a meta com três anos de antecedência".

Comércio de US$ 3,2 bilhões

Sendo a China uma das poucas economias que ainda crescem em desafio à crise econômica global, o comércio do Brasil com a China atingiu US$ 3,2 bilhões em abril, ultrapassando os US$ 2,8 bilhões com os Estados Unidos. As exportações para a China cresceram 65% de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram dados do governo.

Real ou yuan

Na China, Lula defende a ideia de que os negócios entre os países comecem a ser feitos em real ou yuan, em vez do dólar. "É um absurdo que duas importantes nações comerciais como as nossas continuem realizando seus negócios na moeda de um país terceiro", declarou o presidente. Lula já havia antecipado a ideia de substituir o dólar quando encontrou Jintao na Cúpula do G20 em Londres no início de abril e anunciou que eles voltariam a falar do assunto em Pequim.

Em março, o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, lançou, por sua vez, a ideia de substituir o dólar como moeda de reserva internacional pelos direitos de emissões especiais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Zhou e seu colega do Banco Central do Brasil, Henrique Meireles, devem discutir o assunto em breve, informa ontem o jornal " Financial Times".

(Reuters, AFP e Agência Brasil)

 

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China empresta US$ 10 bi à Petrobras

Publicado: 20/05/2009 | 10:31


Enquanto a Petrobras se prepara para enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigará supostas irregularidades na administração contábil da empresa, o governo chinês deu um voto de confiança à estatal ao anunciar ontem o repasse, por meio do Banco de Desenvolvimento da China, de US$ 10 bilhões à companhia. O empréstimo foi firmado durante encontro, em Pequim, de Lula e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, com o presidente chinês, Hu Jintao.

Segundo a estatal brasileira, o dinheiro ajudará a empresa a desenvolver seus projetos de exploração nas regiões petrolíferas do Brasil, sobretudo na área promissora do pré-sal, e também financiará a compra de bens e serviços de companhias chinesas.

Em contrapartida, a Petrobras se comprometeu a aumentar, já a partir do próximo mês, as exportações de petróleo ao país asiático. Pelo acordo, a estatal, que atualmente exporta 60 mil barris de petróleo por dia para a China, vai elevar para até 200 mil barris/dia os embarques do produto nos próximos 10 anos. Para garantir o fornecimento de longo prazo de combustíveis, a China fechou recentemente negócio semelhante com a Rússia, que fornecerá petróleo ao mercado chinês por um período de 20 anos, em troca de empréstimos para estatais russas.

 

 

A Petrobras obteve um empréstimo de US$ 10 bilhões, em 10 anos, do Banco de Desenvolvimento da China (China Development Bank (CDB, que pertence ao governo chinês), para financiar parte de seu amplo plano de investimentos, especialmente as reservas petrolíferas do pré-sal brasileiro, informou a companhia estatal ontem.

O acordo foi finalizado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Ele e o presidente chinês, Hu Jintao, assinaram no total 13 acordos, cobrindo áreas científicas, espaciais, legais e relativas a portos e produtos agrícola. "O empréstimo será usado para financiar os investimentos da Petrobras e inclui financiamento para compra de bens e serviços de empresas chinesas", disse em nota a Petrobras, explicando que parte do dinheiro irá para o caixa da companhia brasileira e a outra para financiar a importação de bens e serviços da China.

Em contrapartida, a Petrobras vai ampliar, a partir do mês que vem, as exportações de petróleo ao país asiático.

No primeiro ano, pelo contrato entre a Petrobras e a Unipec Asia, uma subsidiária da Sinopec, a estatal brasileira vai entregar 150 mil barris diários (b/d) ao país asiático e 200 mil b/d nos nove anos restantes. Atualmente, a empresa exporta 60 mil b/d para a China.

O governo chinês, visando garantir o fornecimento a longo prazo de energia, finalizou em abril um acordo similar, segundo o qual a Rússia fornecerá ao mercado local petróleo por 20 anos em troca de empréstimos para estatais russas.

Em entrevista, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, já havia afirmado que os recursos vindos da China seriam utilizados para financiar investimentos entre 2010 e 2011. Para 2010, a empresa já tem US$ 10 bilhões garantidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e previa necessidade de captar mais cerca de US$ 4 bilhões para o ano que vem.

A Petrobras vai necessitar de centenas de sondas e plataformas para explorar as reservas gigantes do pré-sal, além de usar os recursos em outros projetos que desenvolve no Brasil, como superrefinarias que vão possibilitar a exportação de derivados em alguns anos.

A estatal brasileira assinou também memorandos de entendimento mútuo com a estatal chinesa Sinopec nas áreas de exploração, refino, petroquímica e suprimento de bens e serviços. Gabrielli disse que o contrato não prevê a compra obrigatória de equipamentos chineses pela estatal brasileira. "Queremos manter o conteúdo local. Queremos atrair empresas chinesas para que se instalem no Brasil", afirmou.

A Petrobras descobriu em 2007 imensas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal da costa brasileira e prevê investir US$ 111,4 bilhões até 2020 para desenvolvê-las. "A gente precisava de US$ 18 bilhões este ano para complementar nossa própria receita, calculada com base num preço médio do barril de US$ 37", disse Gabrielli.

Principal parceiro

Em abril, pela primeira vez, a China superou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, tendência que deve se manter já que o país asiático amplia o comércio. "Em 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil. Agora ainda enfrentamos o desafio de explorar o potencial total de investimentos que nossas economias podem oferecer uma para a outra", disse Lula segundo a Xinhua. O presidente chinês complementou: "Nossa cooperação comercial se expandiu de forma contínua conforme o volume de comércio bilateral atingiu a meta com três anos de antecedência".

Comércio de US$ 3,2 bilhões

Sendo a China uma das poucas economias que ainda crescem em desafio à crise econômica global, o comércio do Brasil com a China atingiu US$ 3,2 bilhões em abril, ultrapassando os US$ 2,8 bilhões com os Estados Unidos. As exportações para a China cresceram 65% de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram dados do governo.

Real ou yuan

Na China, Lula defende a ideia de que os negócios entre os países comecem a ser feitos em real ou yuan, em vez do dólar. "É um absurdo que duas importantes nações comerciais como as nossas continuem realizando seus negócios na moeda de um país terceiro", declarou o presidente. Lula já havia antecipado a ideia de substituir o dólar quando encontrou Jintao na Cúpula do G20 em Londres no início de abril e anunciou que eles voltariam a falar do assunto em Pequim.

Em março, o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, lançou, por sua vez, a ideia de substituir o dólar como moeda de reserva internacional pelos direitos de emissões especiais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Zhou e seu colega do Banco Central do Brasil, Henrique Meireles, devem discutir o assunto em breve, informa ontem o jornal " Financial Times".

(Reuters, AFP e Agência Brasil)