Belluzzo defende forte apreciação do real para reduzir os juros
O professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que a saída mais adequada que o Governo deveria adotar para conter a forte apreciação do real em relação ao dólar é acelerar a queda da taxa básica de juros (Selic), iniciada de forma muito tímida iniciada em abril pelo Banco Central (BC):
"Os cortes mais rápidos da Selic são a estratégia adequada para conter essa tendência de valorização da nossa moeda ante a norte-americana", disse. Belluzzo indicou que a queda deveria ser mais acentuada do que prevê o contrato de juros futuros com vencimento em 1º de julho, que sinaliza apostas de corte entre 0,5 ponto percentual e 0,75 ponto na reunião que será encerrada de 10 de junho. Para ele, as condições favoráveis exibidas pela inflação sob controle dão o conforto necessário para o BC diminuir em alguns meses a Selic, hoje em 10,25% ao ano, para uma marca entre 8,5% e 9% ao ano. "A recessão mundial coloca uma pressão deflacionária sobre os valores dos ativos e isso dá um espaço maior para uma ação mais rápida do BC para reduzir os juros". Belluzzo salienta que a redução expressiva da Selic no curto prazo conseguirá deter a valorização do real ante o dólar. Embora os juros nominais tenham recuado, ele ressaltou que a Selic ainda está em dois dígitos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também defendeu que o Brasil precisa de juros menores. E que, tanto bancos públicos, quanto privados, precisam diminuir o spread - diferença entre os juros pagos na captação pelas instituições financeiras e as taxas cobradas para concessão de empréstimos. Mantega participou do seminário internacional O Brasil e a Crise Econômica Mundial, promovido pela revista CartaCapital, em São Paulo. "Precisamos reduzir fortemente os spreads de bancos públicos e privados", defendeu o ministro da Fazenda. (Fonte: Monitor Mercantil)
