Depois de 6 anos, Cepal prevê recessão de 1,7% na América Latina em 2009
As nações latino-americanas também sofreram grande incerteza sobre a evolução da crise e deterioração das expectativas de recuperação, mesmo que a região esteja relativamente mais bem preparada que outras como a UE, EEUU e Japão para enfrentar a crise
Depois de seis anos consecutivos de crescimento econômico, a América Latina terá sua primeira recessão em 2009, de 1,7%, de acordo com projeções da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). A região fechou 2008 com um aumento de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o ciclo chegou ao fim, como resultado do impacto da crise global iniciada há mais de um ano nos Estados Unidos. A estimativa anunciada pela Cepal, na última quarta-feira (10), é de uma queda mais profunda do que os 0,3% estimados no final de março pelo mesmo organismo das Nações Unidas. O golpe da crise sobre a América Latina é o mais profundo em pelo menos duas décadas, expressando-se em um declínio dramático nas suas trocas comerciais e das remessas. O grave declínio na demanda, tanto interna como externa, no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009, foi um sinal claro do impacto negativo da crise na região, mais grave que o inicialmente previsto. Isto se traduz em uma redução significativa dos fluxos comerciais internacionais, deterioração dos termos de troca e diminuição de remessas para estimular o crescimento da área. As nações latino-americanas também sofreram uma grande incerteza sobre a evolução da crise e uma deterioração das expectativas de recuperação, mesmo que a região esteja relativamente mais bem preparada que outras para enfrentar a crise. O chileno Guillermo Garcia-Huidobro, consultor da Cepal em questões de Estatística do Trabalho e projeções econômicas, assegurou à imprensa que algumas economias latino-americanas felizmente tiveram um amadurecimento institucional bastante positivo. Há neste sentido uma melhor institucionalidade, mais experiência e um grande esforço em políticas anticrise, centradas no mercado de trabalho, disse Huidobro. Ao contrário das crises anteriores, as economias latino-americanas estão menos endividadas e têm mais de reservas internacionais, enquanto os sistemas financeiros regionais têm um grau de exposição externa relativamente baixo. ''Desta vez não são os problemas financeiros que afetaram a região de forma mais rápida e mais profunda'', disse a agência das Nações Unidas. A área, de resto, não foi capaz de eliminar os efeitos negativos da disseminação do vírus da gripe suína, que tem especial impacto sobre setores como o turismo, já afetado pela redução de fluxo de viajantes provenientes de países desenvolvidos. Agências internacionais e regionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, avaliam à luz destes e de outros fatores que talvez esta a América Latina seja a primeira região a sair da crise. A Cepal mostra-se otimista, considerando que a recuperação das economias da região pode começar já no segundo semestre de 2009, embora a partir de níveis bem inferiores aos do primeiro semestre de 2008. (Fonte: Prensa Latina)
