O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a campanha dos partidos de direita na Europa contra os imigrantes. “Não são os imigrantes os responsáveis pela crise, não são os pobres no mundo”, afirmou, na reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. “Quem causou a crise foram os países ricos.” A xenofobia vem recrudescendo na Europa após a explosão do desemprego. As medidas anti-imigração se multiplicaram. Partidos de direita passaram a ganhar eleições com a promessa de barrar a entrada de estrangeiros, que estariam tirando o trabalho da população local.  Esse discurso foi o responsável pela vitória da direita nas últimas eleições para o Parlamento Europeu. Na Itália, o governo Berlusconi chegou a propor a suspensão da distribuição de vistos de trabalho. O Reino Unido passou a exigir título de mestrado aos candidatos a um visto de entrada. Na Espanha, 40% dos imigrantes estão já sem trabalho, ante a média nacional de 18%.  “Não podemos permitir que a direita use o trabalhador imigrante como se fosse o mal da nação. Em algumas campanhas políticas, o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração”, disse Lula. “Só neste ano, 50 milhões de trabalhadores poderão perder o emprego. Alguns tentam transferir o ônus da crise para os mais fracos, e aí aparece a face oculta e cruel da globalização. Cresce a xenofobia e os trabalhadores imigrantes se tornam os bodes expiatórios. A comunidade internacional não pode permitir isso”, afirmou.  A OIT pediu que os governos se mobilizem para adotar sem demora medidas contra o desemprego. “O mundo não pode deixar a criação de empregos para depois da recuperação econômica”, declarou o diretor do secretariado da OIT, Juan Somavia, ao inaugurar uma minicúpula sobre o emprego. De acordo com a organização, a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais que a crise econômica. Segundo as previsões, haverá 59 milhões de desempregados a mais no fim deste ano em relação ao fim de 2007.

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Na OIT, Lula critica ataque europeu aos imigrantes

Publicado: 16/06/2009 | 09:58


 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a campanha dos partidos de direita na Europa contra os imigrantes. “Não são os imigrantes os responsáveis pela crise, não são os pobres no mundo”, afirmou, na reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. “Quem causou a crise foram os países ricos.” A xenofobia vem recrudescendo na Europa após a explosão do desemprego. As medidas anti-imigração se multiplicaram. Partidos de direita passaram a ganhar eleições com a promessa de barrar a entrada de estrangeiros, que estariam tirando o trabalho da população local. 

Esse discurso foi o responsável pela vitória da direita nas últimas eleições para o Parlamento Europeu. Na Itália, o governo Berlusconi chegou a propor a suspensão da distribuição de vistos de trabalho. O Reino Unido passou a exigir título de mestrado aos candidatos a um visto de entrada. Na Espanha, 40% dos imigrantes estão já sem trabalho, ante a média nacional de 18%. 

“Não podemos permitir que a direita use o trabalhador imigrante como se fosse o mal da nação. Em algumas campanhas políticas, o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração”, disse Lula. “Só neste ano, 50 milhões de trabalhadores poderão perder o emprego. Alguns tentam transferir o ônus da crise para os mais fracos, e aí aparece a face oculta e cruel da globalização. Cresce a xenofobia e os trabalhadores imigrantes se tornam os bodes expiatórios. A comunidade internacional não pode permitir isso”, afirmou. 

A OIT pediu que os governos se mobilizem para adotar sem demora medidas contra o desemprego. “O mundo não pode deixar a criação de empregos para depois da recuperação econômica”, declarou o diretor do secretariado da OIT, Juan Somavia, ao inaugurar uma minicúpula sobre o emprego. De acordo com a organização, a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais que a crise econômica. Segundo as previsões, haverá 59 milhões de desempregados a mais no fim deste ano em relação ao fim de 2007.