Os bancos públicos são poderosos instrumentos de resistência à crise.

Foi o que afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que esteve presente no seminário "Bancos Públicos: Financiamento ao Desenvolvimento e Regulação Bancária", em São Paulo.

"Se havia alguma dúvida com relação à importância dos bancos públicos, a crise financeira deixou clara essa importância", enfatizou o ministro.

Ele destacou que os bancos públicos são essenciais em momentos de crise, principalmente por funcionarem bem como mecanismo de política monetária.

Para ele, as instituições estatais têm alto poder sobre o crédito, o que implica naturalmente em maior liquidez do sistema e melhores taxas.

Segundo o ministro, as economias que menos sofrem com a crise são as que têm sistema econômico estável e uma forte participação dos bancos públicos.

Nos países emergentes que formam o chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), como mostrou Mantega, os bancos públicos são responsáveis por uma média de 45% do total de crédito do sistema econômico.

Só no Brasil essa participação chega a 37,5%, sendo que antes da crise era de 34%.

Como base de comparação, a fatia de mercado atual dos bancos privados nacionais é de 42% e a dos estrangeiros, 20%.

"Quem está sustentando o aumento do crédito nessas economias são justamente os bancos públicos. Se dependêssemos somente dos bancos privados, estaríamos muito pior", disse o ministro.

Na mesma linha, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, também presente ao evento, afirmou que o papel dos bancos públicos é mais importante hoje no Brasil, pois o fortalecimento dessas instituições ocorre ao mesmo tempo em que os bancos privados reduzem o desembolso de crédito.

"Hoje combatemos a crise gerando liquidez e crédito e reduzindo o spread e o juros", disse.

Enquanto os bancos privados focam o crédito de curto prazo, os públicos se dirigem a investimentos de longo prazo, que, segundo Mantega, envolvem os setores pouco assistidos e ávidos por recursos no país.

Além disso, os bancos públicos fomentam a concorrência no sistema financeiro brasileiro.

"Temos um sistema bancário bastante concentrado e, com a alta participação dos bancos públicos, a concorrência melhora", acrescentou o ministro.

Mantega destacou ainda a eficiência e lucratividade dos bancos públicos brasileiros, que são hoje submetidos a altos padrões de eficiência e produtividade.

O papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo ele, vem ganhando importância quando comparado a outras instituições de fomento no mundo.

Em termos de desembolso, enquanto o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberam juntos US$ 18 bilhões, os aportes do BNDES totalizam hoje 49,8 bilhões.

"Tenho certeza que os bancos públicos brasileiros estão cumprindo bem sua missão", concluiu. (Fonte: Valor Online, no Blog O outro lado da notícia)

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Mantega: bancos públicos ganharam importância diante da crise

Publicado: 25/06/2009 | 09:52


Os bancos públicos são poderosos instrumentos de resistência à crise.

Foi o que afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que esteve presente no seminário "Bancos Públicos: Financiamento ao Desenvolvimento e Regulação Bancária", em São Paulo.

"Se havia alguma dúvida com relação à importância dos bancos públicos, a crise financeira deixou clara essa importância", enfatizou o ministro.

Ele destacou que os bancos públicos são essenciais em momentos de crise, principalmente por funcionarem bem como mecanismo de política monetária.

Para ele, as instituições estatais têm alto poder sobre o crédito, o que implica naturalmente em maior liquidez do sistema e melhores taxas.

Segundo o ministro, as economias que menos sofrem com a crise são as que têm sistema econômico estável e uma forte participação dos bancos públicos.

Nos países emergentes que formam o chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), como mostrou Mantega, os bancos públicos são responsáveis por uma média de 45% do total de crédito do sistema econômico.

Só no Brasil essa participação chega a 37,5%, sendo que antes da crise era de 34%.

Como base de comparação, a fatia de mercado atual dos bancos privados nacionais é de 42% e a dos estrangeiros, 20%.

"Quem está sustentando o aumento do crédito nessas economias são justamente os bancos públicos. Se dependêssemos somente dos bancos privados, estaríamos muito pior", disse o ministro.

Na mesma linha, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, também presente ao evento, afirmou que o papel dos bancos públicos é mais importante hoje no Brasil, pois o fortalecimento dessas instituições ocorre ao mesmo tempo em que os bancos privados reduzem o desembolso de crédito.

"Hoje combatemos a crise gerando liquidez e crédito e reduzindo o spread e o juros", disse.

Enquanto os bancos privados focam o crédito de curto prazo, os públicos se dirigem a investimentos de longo prazo, que, segundo Mantega, envolvem os setores pouco assistidos e ávidos por recursos no país.

Além disso, os bancos públicos fomentam a concorrência no sistema financeiro brasileiro.

"Temos um sistema bancário bastante concentrado e, com a alta participação dos bancos públicos, a concorrência melhora", acrescentou o ministro.

Mantega destacou ainda a eficiência e lucratividade dos bancos públicos brasileiros, que são hoje submetidos a altos padrões de eficiência e produtividade.

O papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo ele, vem ganhando importância quando comparado a outras instituições de fomento no mundo.

Em termos de desembolso, enquanto o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberam juntos US$ 18 bilhões, os aportes do BNDES totalizam hoje 49,8 bilhões.

"Tenho certeza que os bancos públicos brasileiros estão cumprindo bem sua missão", concluiu. (Fonte: Valor Online, no Blog O outro lado da notícia)