Valor para pagar dívida dobra; é 28 vezes maior que reajuste de servidores
Apesar da desoneração tributária e diminuição do superávit primário de 3,8% do PIB para 2,5%, o economista Rodrigo Ávila, ligado à Rede Jubileu Sul, considera que a política econômica do Governo Lula continua mantendo intactas as garantias aos rentistas.
Ávila cita como exemplo o aumento de R$ 85,8 bilhões na disponibilidade para pagamento de amortizações da dívida, decidida, segundo ele, entre 22 de junho e 6 de julho.
"O aumento é decorrência do repasse ao Tesouro do grande lucro do Banco Central em 2008, que por lei somente pode ser destinado ao pagamento da dívida", comenta.
Como resultado, mais que dobraram os valores reservados para as amortizações efetivas da dívida, que passaram de R$ 82,5 bilhões para R$ 168,3 bilhões.
"Este valor é equivalente a 28 vezes o tão criticado impacto dos reajustes de servidores neste ano, ou 14 vezes os recursos do Bolsa Família programados para 2009. E nem estamos considerando neste cálculo os recursos destinados ao pagamento de juros da dívida", compara
Na outra ponta, o economista destaca a rigidez com que são tratados os temas de maior amplitude social.
"Para evitar a aprovação de projetos que recuperam perdas dos aposentados, o presidente Lula está disposto a conceder no ano que vem um aumento real para os benefícios do INSS acima de um salário mínimo, para apresentar como trunfo eleitoral em 2010".
A equipe econômica propõe um aumento de 2,5%, o que resultaria em um ganho aproximado de R$ 3 bilhões em 2010.
"O valor é ínfimo, se comparado às reivindicações dos aposentados", comenta Ávila.
Os aposentados querem derrubar o veto ao reajuste de 16,67%, aprovado em 2006; o fim do Fator Previdenciário; e a adoção do mesmo índice de reajuste do salário mínimo. (Fonte: Monitor Mercantil)
