Dércio Munhoz: Por que o Brasil continua acumulando divisas
Países desenvolvidos têm reserva média no "mico" do dólar de 1/4 da brasileira.
Se os países mais ricos do mundo detêm atualmente um nível médio de reservas internacionais da ordem de US$ 50 bilhões, por que o Brasil continua acumulando divisas, que já superam os US$ 200 bilhões?
A indagação é do economista Dércio Garcia Munhoz, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon).
"Ao custo de 7% ao ano, as reservas estão custando US$ 25 bilhões por ano, por causa do diferencial entre a taxa de juros paga pelo Brasil e a que o país recebe lá fora", disse, ressalvando que os demais países que formam o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) adotam o acúmulo de reservas como estratégia, "mas não praticam taxas de juros exorbitantes como aqui".
No front interno, as críticas de Munhoz, que também é professor da Universidade de Brasília (UnB), prosseguem no mesmo tom.
"Quando se tem um prejuízo de R$ 93 bilhões, como o Banco Central (BC) apresentou no primeiro semestre, tudo o mais se torna irrelevante ao falar de finanças públicas.
E o prejuízo do BC não inclui o subsídio de R$ 25 bilhões por ano que a autoridade monetária recebe do Tesouro Nacional", criticou, referindo-se aos R$ 15 bilhões em títulos públicos que são depositados todo ano nos cofres do BC, negociados no mercado financeiro pelo banco, e aos R$ 10 bilhões referente ao meio circulante que, de acordo com Munhoz, a instituição pode aplicar a custo zero.
"Somente essa quantia já supera o orçamento anual do PAC", comparou o economista. (Fonte: Monitor Mercantil)
