Copom breca corte nos juros e mantém taxa Selic em 8,75% ao ano
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou, nesta quarta-feira (2), pela manutenção da taxa Selic, deixando-a no patamar de 8,75% ao ano - sua mínima histórica.
A decisão foi sem viés (desvio) e por unanimidade.
A interrupção da flexibilização vai ao encontro da sinalização da última ata do comitê, que havia indicado o final do atual ciclo de cortes - que reduziu a Selic em 500 pontos-base desde janeiro deste ano.
Também em linha com as expectativas dos analistas, a pausa no afrouxamento monetário pela autoridade refletiu as projeções de inflação controlada, assim como os sinais de recuperação da economia nos últimos meses.
Na nota que acompanhou a decisão do Copom, o comitê afirma que "levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".
Pausa era consenso
Devido aos amplos novos sinais de melhora da economia brasileira, os analistas já previam, por consenso, uma Selic inalterada.
"Tanto o comunicado quanto as minutas da reunião de julho indicavam claramente a intenção de interromper o ciclo de cortes", afirmam os analistas do Bank of America Merrill Lynch.
Segundo eles, a ata da última reunião já mostrava que alguns membros do comitê sugeriam uma manutenção da taxa - apesar de o Copom então ter decidido pelo novo corte de 50 pontos-base.
Enquanto ressalta que não faltariam pressões para um novo corte de juros - já que a taxa básica ainda é uma das mais altas do mundo-, a Ativa não esperava mudanças nos atuais 8,75% ao ano.
A corretora também mencionou a não deterioração da economia em relação à última reunião do Copom como fator na opção pela manutenção.
Os analistas da LCA também projetavam uma Selic estável, especialmente frente aos indicadores de melhora da economia brasileira.
"Os sinais de retomada do crescimento vêm ganhando consistência".
Entre 24 indicadores considerados pela Rosenberg Associados - entre índices de inflação, atividade, cenário externo e indicadores da própria consultoria - apenas seis apontavam possibilidade de queda na Selic.
Segundo a consultoria Rosenberg, além de a evolução recente da maioria dos indicadores ser neutra em relação à decisão do Copom, "pesa ainda a magnitude dos ajustes realizados até o momento, que têm impacto defasado sobre a economia, bem como os incentivos fiscais".
Fonte: InfoMoney
