FGTS pode perder R$ 2 bilhões com aplicações na Petrobrás
"Ao dar maior liquidez para o acionista acompanhar o aumento de capital, o governo reduz suas chances de elevar sua participação. Esse aumento estatal só aconteceria se os acionistas minoritários não conseguissem acompanhar o movimento do governo. Ou seja, se não tivessem recursos para fazer frente à União", analisou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
A estimativa do impacto no FGTS, feita por analistas do mercado financeiro, considera o valor previsto recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para oferta de ações da Petrobras ao mercado, em torno de US$ 50 bilhões. O fundo fechou o ano passado com ativo total de R$ 235 bilhões. Mas, descontados passivos, o patrimônio líquido restante é de R$ 30,8 bilhões. Ou seja, o impacto de uma capitalização sobre o fundo corresponde a 6% de seu patrimônio.
O valor final da capitalização, porém, vai depender de quanto a Petrobras pagará pelo petróleo que receberá do governo, lembra o analista do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues de Mattos. Ele destaca que o valor final dos barris dependerá ainda de votação no Congresso sobre a incidência de impostos sobre esse petróleo.
A emenda que autoriza o uso do FGTS prevê a participação apenas de quem comprou ações da estatal em 2000, também com o saldo do fundo. Na época, a fatia de investidores correspondia a 7,4% das ações ordinárias, ou 4,3% do capital. Agora, dez anos depois, muitos já sacaram o saldo do FGTS e a participação no capital da Petrobras caiu para 3,7% das ordinárias, ou 2,1% do capital. "Obviamente, não é um impacto irrisório. São R$ 2 bilhões que deixam de ser investidos em habitação, saneamento e infraestrutura", disse José Márcio Camargo, economista da PUC do Rio. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Fonte IG
