Martha Beck e Eliane Oliveira O Globo

Liberação de mercadorias é lenta

Sob críticas do empresariado, que tem problemas para despachar e receber mercadorias devido à greve dos auditores fiscais, que já dura um mês, as delegacias da Receita Federal situadas nos principais entrepostos do Brasil decidiram trocar a paralisação pela operação-padrão. Nos portos de Santos e Porto Alegre (Lagoa dos Patos), no posto de Foz do Iguaçu e no Aeroporto de Viracopos (Campinas), os auditores voltarão ao trabalho, mas o ritmo de liberação das mercadorias vai depender das negociações com o governo, afirmou o presidente da delegacia da Receita em Santos, Clemente Feijó.

- A greve evidenciou a força do cargo de auditor, mas decidimos voltar ao trabalho para evitar um colapso do comércio exterior. Havia mais de cem mil contêineres nos pátios de Santos, e navios estavam voltando aos países de origem. Não queremos prejudicar a imagem do Brasil - disse Feijó. - Hoje, os fiscais de Santos voltaram ao trabalho, mas o controle das cargas dependerá do ritmo de negociação com o governo. Viracopos, Foz do Iguaçu e Porto Alegre também iniciaram operação-padrão.

Em audiência com o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, representantes do setor automotivo reclamaram da greve, iniciada em 18 de março. O presidente da Anfavea (dos fabricantes), Jackson Schneider, e o vice-presidente do Sindipeças, Antônio Meduna, disseram que a paralisação coloca em risco linhas de produção no Brasil e no exterior. Schneider advertiu que empresas estrangeiras que dependem de peças brasileiras não vão esperar uma solução.

Ontem, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar determinando que o governo não efetue descontos nos vencimentos dos auditores até que o plenário da Corte decida se pode ser retroativo. Semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o corte de ponto. A categoria recorreu ao STJ para questionar a retroatividade. O Ministério do Planejamento já informou que o desconto será efetuado apenas a partir da decisão do STF.

Os auditores fiscais receberam terça-feira uma proposta do governo. Segundo o Unafisco, sindicato dos auditores, o Ministério do Planejamento ofereceu elevar o teto salarial de R$13.400 para R$18.500, valor a ser atingido em julho de 2010. A proposta será avaliada amanhã, mas a orientação do Unafisco deve ser a rejeição.

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Auditor fiscal troca greve por operação-padrão

Publicado: 17/04/2008 | 09:20


Martha Beck e Eliane Oliveira
O Globo

Liberação de mercadorias é lenta

Sob críticas do empresariado, que tem problemas para despachar e receber mercadorias devido à greve dos auditores fiscais, que já dura um mês, as delegacias da Receita Federal situadas nos principais entrepostos do Brasil decidiram trocar a paralisação pela operação-padrão. Nos portos de Santos e Porto Alegre (Lagoa dos Patos), no posto de Foz do Iguaçu e no Aeroporto de Viracopos (Campinas), os auditores voltarão ao trabalho, mas o ritmo de liberação das mercadorias vai depender das negociações com o governo, afirmou o presidente da delegacia da Receita em Santos, Clemente Feijó.

- A greve evidenciou a força do cargo de auditor, mas decidimos voltar ao trabalho para evitar um colapso do comércio exterior. Havia mais de cem mil contêineres nos pátios de Santos, e navios estavam voltando aos países de origem. Não queremos prejudicar a imagem do Brasil - disse Feijó. - Hoje, os fiscais de Santos voltaram ao trabalho, mas o controle das cargas dependerá do ritmo de negociação com o governo. Viracopos, Foz do Iguaçu e Porto Alegre também iniciaram operação-padrão.

Em audiência com o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, representantes do setor automotivo reclamaram da greve, iniciada em 18 de março. O presidente da Anfavea (dos fabricantes), Jackson Schneider, e o vice-presidente do Sindipeças, Antônio Meduna, disseram que a paralisação coloca em risco linhas de produção no Brasil e no exterior. Schneider advertiu que empresas estrangeiras que dependem de peças brasileiras não vão esperar uma solução.

Ontem, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar determinando que o governo não efetue descontos nos vencimentos dos auditores até que o plenário da Corte decida se pode ser retroativo. Semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o corte de ponto. A categoria recorreu ao STJ para questionar a retroatividade. O Ministério do Planejamento já informou que o desconto será efetuado apenas a partir da decisão do STF.

Os auditores fiscais receberam terça-feira uma proposta do governo. Segundo o Unafisco, sindicato dos auditores, o Ministério do Planejamento ofereceu elevar o teto salarial de R$13.400 para R$18.500, valor a ser atingido em julho de 2010. A proposta será avaliada amanhã, mas a orientação do Unafisco deve ser a rejeição.